Quando o comando faz a diferença

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POR GERSON NOGUEIRA

A evolução que o PSC empreendeu a partir do ‘returno’ da fase de classificação da Série C é tão associada ao trabalho de Hélio dos Anjos que não há nem como destacar individualmente um ou mais jogadores, em nível superior de importância, na comparação direta com o desempenho do técnico e sua participação na guinada.

O Papão venceu o Leão na 9ª rodada e, a partir daí, tudo mudou de perspectiva. O que antes era uma sequência preocupante de derrotas e empates tornou-se um cartel de 15 jogos invictos, completados no empate de 1 a 1 no clássico do domingo passado.

Não há milagre nesse tipo de transmutação. Só trabalho continuado, orientações firmes e um plano de jogo bem delineado (e treinado) explicam a mudança de rumos no Papão vista entre Léo Condé e Hélio dos Anjos.

Um dos grandes méritos do treinador foi a capacidade de fazer muito com o pouco que tinha em mãos. Depois que Hélio chegou à Curuzu, cercado de expectativas e questionamentos, o clube contratou apenas três reforços: Wesley Pacheco, Hygor Silva e Tomas Bastos.

Contratações que, excetuando a de Wesley, que ainda não deslanchou, foram fundamentais para o ajuste dos setores mais frágeis do time até então – criação e ataque. Tomas Bastos é o 10 que o PSC pretendia ter quando trouxe de volta Tiago Luís, pagando caro.

Bastos não é, propriamente, um cerebral criador de jogadas, mas funciona como abastecedor do ataque e brilha nas assistências e como finalizador, marcando cinco gols em cinco partidas com a camisa alviceleste, média (1,0 gol por jogo) de grandes goleadores.

Hélio soube extrair do grupo de jogadores o melhor rendimento possível, além de ter operado o pequeno milagre de resgatar a autoestima, que andava muito baixa até a oitava rodada da Série C. Alguns jogadores foram reabilitados por ele – Tiago Primão, Vinícius Leite e Diego Matos.

Teve a sabedoria de perceber no clássico com o Remo a grande oportunidade de estabelecer um divisor de águas na campanha. Ao contrário do adversário, que vinha bem até então, ocupando a liderança do grupo B, o Papão precisava desesperadamente se reerguer.

A estratégia adotada para o Re-Pa, até hoje pouco destacada em toda sua profundidade, foi decisiva para aquele jogo e recolocar o PSC na briga pela classificação, que, por coincidência, viria a se confirmar na 18ª rodada.

Hélio, considerado desatualizado por muitos, arrumou os pontos falhos do time e teve a competência de esconder bem as deficiências não sanáveis.

Parte agora para o mata-mata do acesso em igualdade de condições com o Náutico-PE, time que também cresceu em meio à disputa e é comandado por um técnico, Gilmar Dal Pozzo, que dirigiu o Papão em 2016.

Outra constatação: o estilo vibrante e as frases fortes são itens da personalidade do treinador que contagiaram positivamente time e torcida.

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Com Eudes, Leão fica entre discurso e prática

O Remo agiu rapidamente na troca de comando. Após a dispensa previsível de Márcio Fernandes, a diretoria contratou o desconhecido Eudes Pedro sem permitir o chamado vácuo de poder. O novo comandante é, obviamente, uma aposta. Do mesmo jeito que foram Leston Junior, recentemente, e Cuca, lá atrás.

A experiência de Eudes como auxiliar de Cuca por 14 anos é um dado que recomenda seu trabalho, mas a torcida está desconfiada. A passagem de um técnico de perfil conservador, como Márcio Fernandes, não se apaga de uma hora para outra.

O Remo deixou de ganhar a vaga na Série C por falta de ousadia, principalmente nos jogos em casa. O Re-Pa de domingo é um exemplo bem vivo disso. Entre lançar um atacante (Bala ou Carioca), o treinador preferiu um lateral atrapalhado, Gabriel.

Para se diferenciar do antecessor, Eudes precisará confirmar na prática o teor do discurso de apresentação, quando prometeu intensidade física e esquema ofensivo. E já terá que dar mostras dessa promessa na próxima terça-feira, contra o Atlético-AC em Rio Branco, pela Copa Verde.

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Dois estilos de jogo em duelo na Libertadores

Depois dos jogos que definiram os semifinalistas brasileiros na Libertadores, ficam bem demarcadas as diferenças de estilo de jogo entre os representantes nacionais. Uma espécie de painel atualizado do futebol praticado hoje pelos clubes em meio ao duro teste de batalhas eliminatórias.

A escola gaúcha, de forte marcação e imposição física, é hoje melhor representada pelo Grêmio, apontado justificadamente como o time brasileiro que melhor sabe jogar o torneio continental. O Grêmio de Renato superou o Palmeiras “gaúcho” de Felipão.

O Inter, menos gaúcho do que o habitual, ficou no meio-termo e acabou impossibilitado de resistir ao futebol de alta velocidade e fúria ofensiva do Flamengo. Em situação normal de temperatura e pressão, o time de Jorge Jesus sai como favorito contra o Grêmio nas semifinais.

O interessante é que a batalha entre duas filosofias opostas vai dar a medida exata do que é futebol competitivo hoje no Brasil.

A conferir.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 30)

Um comentário em “Quando o comando faz a diferença

  1. Bom dia amigos.
    Quando da contratação do Hélio dos Anjos eu tive um momento de felicidade com a decisão por parte da diretoria Bicolor.
    Sem dúvidas, ele é um treinador ideal para levantar o ânimo de uma equipe que se encontrava e ampla decadência como estava o Paysandu.
    O resultado de um clássico é mágico. Ele tem o poder de transformar o antes e o depois.
    Agora temos a principal fase do torneio, fase esta, a cereja do bolo, é agora que veremos na prática se o trabalho do dos Anjos ou do Dal Pozzo é o mais efetivo.
    Eu aposto minhas fichas no dos Anjos.
    Vamos subir Papão!
    E olha que passei a temporada de 2019 metendo o ferro nesta diretoria que tem que rever muito coisa no time Alviceleste.

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