Papão avança e derruba o rival

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POR GERSON NOGUEIRA

Foi uma classificação conquistada com méritos, depois de um clássico disputado à velha moda do Re-Pa, carregado na raça e na transpiração. Nem o gol sofrido aos 7 minutos fez o Papão esmorecer. Confiante, partiu para a reação já no minuto seguinte. Não se perturbou e seguiu fazendo seu jogo, pressionando pelos lados e impondo o ritmo. O empate, num golaço de Vinícius Leite, já aos 28’ do segundo tempo, premiou o esforço e o bom futebol praticado pela equipe.

A rigor, o placar final foi justo pelo rendimento dos dois times, embora o Remo tenha optado mais pelo jogo de espera, posicionando-se para explorar o contra-ataque e levando muito perigo nas poucas vezes em que conseguiu avanços rápidos.

Com a improvisação de Daniel Vançan no meio-campo, Eduardo Ramos acabou sobrecarregado no meio, tendo que organizar sozinho as articulações ofensivas. Vançan se revezava com Dedeco na lateral direita e Wesley ficava correndo na frente, sem conseguir a aproximação com Neto Baiano, excessivamente isolado durante toda a partida.

Enquanto lesões e suspensões obrigaram Márcio Fernandes a improvisar (mal), Hélio dos Anjos voltou a acertar a mão na disputa direta com o rival. Como no primeiro turno, pôs em campo um time mais rápido e bem distribuído no meio e nas laterais, principalmente pela grande atuação de Diego Matos. O ataque foi o ponto fraco, com Hygor e Wesley rendendo pouco.

A clara impressão ao longo da partida era que Hélio mexia nos lugares certos quando precisou reenergizar o time. Colocou Tiago Primão e Vinícius Leite ao perceber que a meia-cancha precisava de qualidade no passe e o ataque não iria furar o bloqueio defensivo remista com cruzamentos altos e insistência pelo meio.

Depois de sofrer o gol logo no começo, em lance de agilidade e categoria de Wesley, o PSC se dedicou a tentar encontrar um atalho para o gol, pressionando o tempo todo.

Na etapa final, com uma força-tarefa ofensiva mais habilidosa e troca de passes rasteiros, os bicolores mantiveram o jogo de pressão no campo de defesa do Remo, embora sem conseguir resultados efetivos. Tomas Bastos, sumido em campo, acertou um belo chute, que Vinícius espalmou. Aos 14’, Mota saiu em falso e a bola recuada por Diego Matos quase entrou.

Com Tiago Primão cuidando do meio, Nicolas passou a aparecer mais e quase empatou aos 24’. O Remo quase não ameaçava mais, parecendo mais preocupado em se resguardar. A perseverança do Papão acabou premiada pelos pés de Vinícius Leite, que recebeu livre à entrada da área, num raro momento de desatenção da marcação imposta pelo Remo.

O atacante dominou com a esquerda e acertou em cheio ao disparar de direita. O chute saiu baixo, fazendo uma ligeira curva antes de entrar no canto direito da trave de Vinícius, que ainda tocou na bola sem conseguir evitar o gol. Logo em seguida, Caíque substituiu Léo Baiano, lesionado, e o Papão passou a fazer um jogo mais cadenciado, satisfeito com o empate.

Quando sofreu o empate, o Remo já havia trocado Ronaell por Hélio e Dedeco por Laílson. Para reagir no jogo em busca do desempate, Márcio Fernandes lançou Gabriel no lugar de Wesley.

As mexidas não alteraram em nada a maneira de atuar e o time seguiu encolhido, saindo com lentidão e aceitando a igualdade no placar, que se transformou em tática suicida quanto o Ypiranga fez o gol em Caxias do Sul, alijando o Leão da disputa.

Do lado bicolor, a torcida fez uma festa monumental, não apenas pela classificação, mas, acima de tudo, porque o pacote incluiu a frustração da torcida rival pela eliminação. Rivalidades entre times de massa são alimentadas por isso. O que ocorreu ontem no Mangueirão teve para a torcida do Papão o valor de uma conquista extra.

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Leão lamenta, mas foi vítima dos próprios erros

O Remo chora a perda da vaga no mata-mata, mas antes de apontar o dedo para uma suposta armação no jogo entre Juventude e Ypiranga deve olhar para os seus próprios erros. O lance que levou ao penal em Caxias do Sul foi esquisito, nem pareceu falta, mas não há jeito de provar que houve má-fé ou entrega do jogo.

Mas, quanto à campanha errática dos azulinos no segundo turno, não há a menor dúvida. O time caiu de rendimento a partir da derrota para o PSC na 9ª rodada. Márcio Fernandes, naquela ocasião, fez uma leitura errada quanto à importância do clássico.

Avaliou que era um jogo qualquer, quando o Re-Pa é sabidamente um campeonato à parte, com o condão de erguer campanhas e afundar favoritos. A partir daquela derrota, o Remo amargou uma série de resultados negativos, perdendo a gordura acumulada na pontuação.

Ainda assim, o time se manteve no G4 até a 14ª rodada, ininterruptamente. Levantou o ânimo com a vitória sobre o Atlético-AC fora de casa, foi garfado diante do Ypiranga em Erechim e vacilou terrivelmente diante do Tombense no Mangueirão.

O Leão chegou à rodada final ainda com boas chances. Dependia exclusivamente de suas forças, mas, na prática, já havia sucumbido aos muitos erros cometidos, grande parte deles provenientes das escolhas e decisões erradas do técnico Márcio Fernandes.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira)

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