O esplendor da nova era

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POR GERSON NOGUEIRA

Como entender a recente onda de repatriação de jogadores conhecidos e em fim de carreira por parte de clubes brasileiros mais endinheirados? Sobra dinheiro na chamada elite do futebol brasileiro ou estamos diante de um súbito surto de banzo da terra natal por parte de boleiros cansados da vida boa no Velho Mundo?

Das duas hipóteses, a mais forte é mesmo a excepcional maré de prosperidade de quatro ou cinco grandes clubes, que de um momento para outro passaram a dispor de caixa suficiente para apresentar propostas que se equiparam com as que são oferecidas por países periféricos.

Quem começou esse movimento, há dois anos, foi o Palmeiras. Trouxe o volante Felipe Melo, já na faixa dos 33 anos e em fase técnica descendente depois de período em alta no futebol turco.

Nos últimos meses, o Flamengo entrou  no jogo das contratações pesadas importando os laterais Rafinha e Filipe Luís, trazendo ainda o técnico português Jorge Jesus.

O São Paulo, outro membro do seleto grupo dos clubes de posses, mostrou ousadia contratando de uma só tacada Daniel Alves e Juanfran. O acerto com Daniel causou impacto maior por ser um jogador que atravessa grande fase técnica, apesar da faixa de idade (34 anos).

Além de ter mercado na Europa e nos Estados Unidos, Daniel tem no currículo o fato de ter sido eleito o melhor jogador da Copa América. Tinha, portanto, opções no mercado. Podia escolher para onde ir. China e EUA fizeram ofertas interessantes, mas ele preferiu voltar ao Brasil apostando no seguimento financeiro dos grandes clubes.

Na entrevista de apresentação, Daniel deu basicamente a mesma explicação de Rafinha e Filipe Luís. Optou por um projeto nacional, a fim de desfrutar da proximidade com a torcida de seu clube de coração.

Todos têm falado também nos projetos de gestão desses clubes e a explicação não soa falsa, como tantas vezes se viu sempre que um boleiro elegia “o projeto” como razão de sua decisão por um determinado clube. Agora, é perfeitamente possível acreditar que São Paulo, Flamengo, Palmeiras, Corinthians e Grêmio têm planos concretos de alcançar grandes conquistas.

Obviamente, a facilitação dos acordos financeiros decorre da ausência de cláusulas rescisórias com outros clubes. O Flamengo, por exemplo, gastou muito mais ao contratar Arrascaeta, meia-atacante uruguaio que estava no Cruzeiro, do que ao repatriar Rafinha e Filipe Luís, cujos custos são exclusivamente com os acertos salariais, sem nenhum dispêndio para viabilizar a contratação. O mesmo vale para Daniel Alves e Juanfran no São Paulo.

O Corinthians, mesmo correndo por fora entre os abastados, trouxe Vagner Love e Gil. O Grêmio foi buscar Diego Tardelli. Nesses casos, os atletas sabem que têm mais visibilidade jogando no Brasil. Preferem a competitividade do Campeonato Brasileiro ao sumiço no futebol asiático.

Pode ser um momento único, daqueles que ocorrem muito de vez em quando, quase que como as aparições de cometas, mas é inegável que o país vivencia a primeira experiência de retorno em grande escala de jogadores ainda em plena atividade. O fenômeno contraria a lógica vigente até então, que fazia do Brasil um mero exportador de pé-de-obra.

Descobrir o que há por trás de negócios ainda pouco claros e de contabilidade sigilosa, restrita aos escritórios de grandes investidores e financistas, é desafio para o jornalismo investigativo tão pouco praticado no país que enseja surpresas e ranger de dentes quando é legitimamente exercitado – o dossiê Vaza Jato que o diga.

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Bola na Torre

Giuseppe Tommaso apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV. Valmir Rodrigues e este escriba de Baião participam como debatedores. Em pauta, a rodada da Série C para os clubes paraenses.

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Leão faz bom jogo, mas fatura apenas um ponto

O Remo foi a Volta Redonda (RJ) e obteve um empate sem gols diante dos donos da casa, na sexta-feira à noite. Lutou muito pela vitória e até mereceu no primeiro tempo, quando teve chances com Gustavo Ramos e Ramires. Na etapa final, arrefeceu e se retraiu muito, mas Eduardo Ramos – em dois momentos – ainda esteve perto de finalizar para as redes. Foi uma atuação focada e objetiva, com poucos erros.

Com Wesley, Neto Baiano e Gustavo no ataque, Márcio Fernandes surpreendeu inicialmente o Volta Redonda. O meio-campo marcou com firmeza e as jogadas fluíam tanto pelo meio, com Eduardo Ramos, como pelos lados, com os laterais Gabriel e Ronaell avançando muito.

Depois do intervalo, o Volta Redonda mostrou-se mais ofensivo, com o lateral Luís Paulo tornando-se um constante apoiador a incomodar a defesa remista. Vinícius defendeu duas boas tentativas do ataque fluminense, que só se retraiu após os 20 minutos, quando o Remo já tinha trocado Gabriel por Danillo Bala. Logo depois, Zotti substituiu Eduardo Ramos, que já mostrava cansaço.

O jogo exigiu muito dos dois times porque logo no começo Douglas Lima agrediu Wesley e o árbitro paraibano preferiu a via salomônica (e injusta) expulsando ambos. O prejuízo foi maior para o Remo, que tinha uma clara proposta de atacar com três ou mais jogadores.

No fim das contas, um resultado razoável para as pretensões do Remo no grupo B. Com 23 pontos, a equipe vai precisar vencer o São José e – dependendo dos demais resultados – empatar com o PSC para alcançar a classificação.

(A coluna foi escrita na sexta-feira à noite. Por isso, não inclui a análise do jogo do Papão com o Atlético-AC, marcado para sábado à tarde).

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 11)

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