Um empate até simpático

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POR GERSON NOGUEIRA

Pelo sufoco sofrido em boa parte do primeiro tempo, o PSC não pode lamentar o empate com o São José (RS), no sábado à tarde. O time não jogou bem nos primeiros 45 minutos, repetindo a desconexão da partida com o Boa Esporte. Além disso, as condições do campo – grama sintética – dificultaram a troca de passes. Felizmente para os bicolores, o desacerto mudou de lado na etapa final e o empate veio logo aos 5 minutos.

Em certo sentido, o Papão podia ter saído de Porto Alegre com a vitória. Teve chances para isso depois de empatar, mas a lentidão na saída de bola e a falta de apuro nas finalizações atrapalharam a equipe.

O jogo começou em ritmo morno, mas com o São José mais presente no ataque. Depois de boa jogada pela esquerda, com Dudu Mandai cruzando rasteiro para o desafogo da zaga paraense, o time gaúcho chegou ao gol em investida parecida pelo lado direito. Claudio Maradona avançou e cruzou recuado para a finalização certeira de Matheusinho.

Um minuto depois, Wesley cabeceou no travessão após cruzamento de Tomas Bastos. O que parecia o começo da reação ficou apenas nesse esboço. A partir daí, o time da casa tomou conta do jogo, ocupou o campo de defesa do PSC e só não chegou ao segundo gol porque Mota esteve perfeito em duas investidas agudas.

No primeiro lance, aos 21 minutos, Matheusinho driblou um zagueiro, entrou na área pelo lado direito e chutou forte. Mota foi lá e defendeu. Aos 30, Tiago Pedra pegou de primeira na entrada da área e a bola foi no canto esquerdo, mas Mota apareceu novamente para evitar o gol.

O primeiro tempo terminou com o São José controlando as ações e jogando com tranquilidade, sem correr riscos. O PSC não incomodava, pois seus homens de meio estavam muito ocupados em ajudar a zaga e o organizador, Tomas Bastos, não conseguia se encontrar em campo.

A virada para o 2º tempo apresentou um PSC inteiramente repaginado quanto ao posicionamento. Hélio dos Anjos compactou mais o meio e fechou os corredores laterais, por onde Márcio Lima-Matheusinho e Dudu Mandai-Maradona passearam durante o primeiro tempo.

Adaptado ao piso artificial, o time passou a se defender melhor e a sair com mais segurança da defesa para o ataque. Na primeira chegada mais forte, Rafael Tavares foi tentar interceptar a bola e tocou com a mão. Tomas Bastos cobrou o pênalti com categoria e igualou o placar.

O Papão passou então a ser o dono das ações. Ganhava todas na defesa com Perema e Micael, trocava passes com mais consciência e acuava o São José. Nem parecia o time errático e sonolento do primeiro tempo. A insegurança mudou de lado: o Zequinha cometia erros bobos, não acertava mais as jogadas de lado e quase não levava perigo na frente.

Nessa altura do jogo, Hygor perdeu uma bela chance para desempatar. Deu um peteleco da entrada da área, facilitando a defesa do goleiro Fábio. Tranquilo, o PSC ditava o ritmo, se resguardava bem e ficava à espera de brechas na zaga adversária para aplicar o bote.

A partir dos 30 minutos, o São José partiu para tentar decidir a qualquer custo. Hélio dos Anjos aumentou a altura da zaga colocando Vítor Oliveira no lugar de Diego e trocou Caíque por Wellington Reis. O São José armou o cerco, mas usava os cruzamentos como única arma de pressão.

Um empurrão de Wellington em Luiz Eduardo, aos 31’, provocou reclamação de pênalti por parte dos gaúchos, mas o árbitro Jefferson Moraes (GO) mandou o jogo eguir .

O PSC marcava duro na meia-cancha e levava perigo nos contra-ataques. Aos 49’, a última grande oportunidade: livre na pequena área, Jheimy cabeceou fraco nas mãos de Fábio.

Destaques no Papão: Mota, seguro nos lances mais agudos do primeiro tempo, e Perema, absoluto no jogo aéreo e nas antecipações.

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Quando o VAR imaginário entra em cena

Há coisas no futebol sul-americano que desafiam o realismo fantástico de García Marquez. No jogo do Always Ready contra o Bolívar, válido pelo campeonato boliviano, o árbitro marcou pênalti para o Always nos acréscimos do 2º tempo. Diante dos protestos do Bolívar, ele fez com os braços o sinal de VAR para justificar a decisão. Um pequeno problema na atitude do juiz: o campeonato da Bolívia não tem VAR.

Lembrou aquele gesto hilário do meia Pedro Carmona (PSC) na Série B 2018, logo após a Copa do Mundo, reclamando pênalti e fazendo o sinal quadrado do VAR. Encabulado, Carmona negou depois que tivesse pedido a revisão de vídeo, mas as imagens não mentem jamais.

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Copa Verde testa valor dos elencos da dupla Re-Pa

Um complicador a mais para a dupla de rivais, a essa altura da Série C, é o início da Copa Verde. Os bicolores começam a enfrentar a maratona na quarta-feira, em Manaus, jogando contra o Nacional. O Remo estreia na outra semana (13) contra o Sobradinho, em Brasília.

É a hora de mostrar que a avalanche de contratações dos dois lados (quase 80 na temporada) pode ter alguma valia.

A conferir.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 05)

4 comentários em “Um empate até simpático

  1. Apesar do time da casa treinar no sintético o Paysandu teve ao menos duas chances reais de sair com os três pontos.
    O time padece nas finalizações tanto que o gol veio de bola parada, na minha opinião, era o único jeito do gol sair.
    Um ataque fraquíssimo, um Nicolas inexistente, mesmo que venha a classificação para o mata-mata será muito difícil superar as equipes nordestinas.
    Acredito que uma porcentagem pequena para o acesso.
    Creio que mais um ano de terceirona para a dupla paraense.

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  2. Gerson, mais simpática é a campanha do vizinho Sampaio Corrêa, no Grupo A. Já classificado para o mata-mata da Série C, com 3 rodadas de antecedência, acumula na 15a. rodada a liderança da chave, com 30 pontos. Méritos de João Brigatti que, há 37 dias com técnico da Bolívia Maranhense, abocanhou 16 pontos em 18 possíveis, com invencibilidade em 6 jogos – 1 empate e 5 vitorias consecutivas. São 9 gols a favor e 2 sofridos. Certamente, números de uma performance que a Diretoria do Paysandú deve acreditar serem fakes, ou desprezíveis.

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  3. Impressionante a campanha do Brigatti com o Sampaio, amigo George. De fato, o futebol é cheio de pegadinhas, aqui ele se perdeu um pouco com algumas escolhas, mas saiu quando estava começando a acertar. O trabalho de Brigatti pode levar o Sampaio de volta à Série B.

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