Papão encara Zeca e a grama sintética

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POR GERSON NOGUEIRA

Com a consciência de que as quatro vagas que garantem passagem à próxima fase estão em fase de definição, o PSC visita hoje o vice-líder do grupo B da Série C. É um confronto decisivo para ambos. O São José está bem situado, tem a melhor produção de gols do grupo (18, ao lado do Volta Redonda) e ostenta ótimo retrospecto como mandante – cinco vitórias e dois empates. Conta com vantagem adicional de mandar seus jogos num gramado sintético, o que cria imensas dificuldades para seus adversários.

Várias equipes já deixaram pontos preciosos no campo do São José nesta Série C, golpeadas pela velocidade e mudanças de direção da bola, que dificultam o domínio e a precisão nos passes. Como é inviável a adaptação rápida ao gramado artificial, os times visitantes precisam de pelo menos 30 minutos para se adaptarem razoavelmente às condições especiais do estádio Passos D’Areia.

Além desse aspecto, o São José tem outros trunfos. É um bom time e costuma ser bem agressivo em seus domínios. O esquema do técnico Rafael Jaques tem poucas variações, mas rende bastante quando encara adversários que saem para o jogo.

O Zeca joga num 4-4-2 clássico, com destaque para o lateral Dudu Mandai, o meia Matheusinho e os atacantes Claudio Maradona e Luiz Eduardo (ex-Remo). Pela regularidade demonstrada, a coluna aponta o São José – desde o fim do turno da fase de classificação – como um dos classificados à próxima fase. Cabe ao Papão desafiar essa previsão dentro da casa do adversário.

Com muitos problemas na equipe, o técnico Hélio dos Anjos terá que reformular a formação do PSC para hoje. Sem os laterais titulares – Tony saiu lesionado e Bruno Collaço foi expulso diante do Boa Esporte –, o técnico também não terá Tiago Primão, contundido. Outras baixas são Leandro Lima (em transição) e Elielton, suspenso.

Diante disso, a escalação terá novidades e o sistema utilizado pode sofrer alterações. Caíque Oliveira e Diego Matos entram nas laterais. O meio terá Uchoa, Léo Baiano e Tomas Bastos. Na frente, possivelmente, um trio formado por Vinícius Leite, Nicolas e Diego Rosa (Wesley Pacheco).

Defensor da intensidade como arma para se sobrepor aos adversários, Hélio terá a oportunidade de comprovar a tese de que o PSC pode jogar em “nível internacional” e que tem vocação ofensiva, apesar da artilharia anêmica (oito gols).

Por outro lado, a zaga comandada pela dupla Micael e Perema dá motivos de esperança de que a equipe não sofra gols. Nas circunstâncias, com mais dois jogos em casa (Atlético-AC e Remo), um empate não seria mal recebido.

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Partida será transmitida pela RBATV

O jogo desta tarde (17h) terá transmissão ao vivo da RBATV para todo o Pará. A exibição será possível em função da parceria entre o serviço de streaming Dazn e a Band.

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Contratação para abalar estruturas e agitar o mercado

A contratação de Daniel Alves pelo São Paulo sacode as estruturas da elite do futebol brasileiro. Além do custo do negócio, surpreende a ousadia da iniciativa do Tricolor paulista. A aquisição do capitão da Seleção Brasileira supera em visibilidade o recente investimento do Flamengo nos laterais Rafinha e Filipe Luís. Equivale, em importância, às aquisições de Falcão e Leonardo pelo próprio São Paulo lá nos anos 90.

Daniel, que enfrenta com surpreende vitalidade a fase descendente da carreira, é um nome ainda cobiçado no futebol internacional. Tinha propostas de grandes clubes europeus e ofertas para embolsar vários caminhões de dinheiro jogando na China ou nos EUA. Preferiu, porém, voltar ao Brasil para defender o clube de coração.

E não se pode esquecer que é um gesto corajoso. Daniel irá se submeter à pressão própria dos clubes de massa no Brasil. Não terá um minuto de sossego, tendo que provar sua importância para o time e jogando sempre em alto nível. Passará a ser cobrado sem tréguas.

Acredito que dará ao São Paulo mais qualidade ofensiva, mesmo se for escalado para jogar como ala. Como ocorreu com outros laterais no crepúsculo da carreira, como Junior no Flamengo, a tendência natural para Daniel é migrar para posições no setor de meio-campo.

Seu projeto declarado de disputar a Copa do Mundo de 2022 pode ser facilitado pela proximidade com o futebol brasileiro e o comando da Seleção. Como não tem rigorosamente nada a provar, principalmente depois da excelente participação na Copa América, só depende de Daniel a concretização do ambicioso sonho.

Do lado do São Paulo, há a certeza de que o investimento tem retorno assegurado, não apenas no campo das arrecadações e valorização da marca, mas principalmente quanto ao reequilíbrio de forças no pelotão de cima do futebol brasileiro.

O clube, conhecido pelo perfil aristocrático, não fazia questão de esconder o incômodo com o protagonismo do Flamengo e – acima de tudo – do rival Palmeiras.

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 03)

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