Para confirmar a arrancada

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POR GERSON NOGUEIRA

A série invicta de seis partidas, responsável pela ascensão do PSC na Série C, tem muito da influência e da condução do técnico Hélio dos Anjos sobre o elenco. É o mais impressionante caso de recuperação dentro do grupo B da competição. O time saiu de uma situação inteiramente desfavorável, próxima da zona de rebaixamento, para disputar a classificação.

O papel de Hélio dos Anjos deve ser ressaltado porque o elenco não sofreu grandes alterações desde sua chegada. Os jogadores são quase os mesmos do período de João Brigatti e Léo Condé.

A novidade é que alguns atletas, que não rendiam com os técnicos anteriores, passaram a jogar bem sob o comando de Hélio. Tiago Primão é o caso mais emblemático. A coluna já abordou o processo transformador que fez de Primão peça exponencial na arrancada empreendida pela equipe.

Dois valores regionais que andavam meio esquecido, Elielton e Perema, também devem a Hélio as chances concedidas. Elielton era reserva sem chances na época de Brigatti e ficou ainda mais de lado com a contratação de Pimentinha quando Condé assumiu.

Por iniciativa de Hélio, Perema também foi resgatado. Afastado por contusão ainda no Parazão, não teve oportunidades com Condé e só entrou no time depois que Hélio chegou à Curuzu. Coincidentemente, desde que Perema recuperou a titularidade, o PSC nunca mais perdeu.

São essas providências que fizeram a diferença e permitiram a reabilitação dentro da competição. Até mesmo a falta de confiança, visível em alguns jogadores, parece definitivamente curada. A insegurança atingia até um dos mais regulares jogadores do grupo, o meia-atacante Nicolas.

De peça destacada no Campeonato Paraense, Nicolas caiu de rendimento junto com o time, sem conseguir reeditar o protagonismo nas primeiras rodadas da Série C. Quando o time passou a jogar de forma organizada, assumindo suas limitações e explorando os contra-ataques, ele também subiu de produção e voltou a fazer gols.

Para o embate desta noite contra o Volta Redonda, 3º colocado, o Papão terá o desafio de ser eficiente no setor mais criticado do time até agora: o ataque. Com apenas sete tentos assinalados, tem o pior desempenho de todas as 20 equipes da competição, empatado com o Atlético-AC.

A boa notícia é que, nos últimos jogos, contra Tombense e Juventude, o PSC criou várias chances de gol. Pecou pelo desperdício, mas exibiu mais força de pressão, principalmente quando explorou os lados, com Elielton e Diego Matos (Bruno Collaço). Que a evolução se confirme hoje.

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Leão vai à CBF protestar contra as arbitragens

A diretoria do Remo faz bem em cobrar providências da CBF quanto às arbitragens na Série C. O pênalti marcado para o Ypiranga, na sexta-feira, foi a gota d’água. Ninguém viu falta no lance em que Ramires e Reinaldo subiram para disputar uma bola na área. O choque foi normal, mas o árbitro piauiense Djalma Lima Filho aceitou a pressão e assinalou a penalidade.

O presidente Fábio Bentes vai ao Rio para uma reunião com o presidente da comissão de Arbitragem, Leonardo Gaciba, para protestar contra arbitragens lesivas ao clube. Inclui-se nisso a atuação de Gilberto Rodrigues (PE), que cometeu alguns erros no jogo Remo x Luverdense, com destaque para a não compensação do antijogo nos acréscimos.

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Futebol e mídia de braços dados com as mistificações

Alguns aspectos da cobertura que a mídia nacional faz do Brasileiro da Série A chegam a ser hilários. De maneira geral, a imprensa do Sul e Sudeste não conseguiu ainda entender as virtudes do VAR e nem observar seus aleijões. Finge não ver favorecimento óbvio a alguns clubes, justamente os mais endinheirados, quando o árbitro é chamado para aquela casinha a fim de revisar lances polêmicos.

O encantamento pelo lusitano Jorge Jesus, técnico do Flamengo, é outro detalhe assombroso. Até agora tem como única façanha a goleada de 6 a 1 sobre o Goiás, no Maracanã. Convenhamos, não há nada espetacular nisso. No entanto, há um quê de admiração por JJ, a ponto de ser elogiado por se deixar filmar correndo junto com os atletas nos treinos físicos.

Incomoda também a análise baba-ovo das atuações do Palmeiras de Felipão, cujo estilo reedita o que o São Paulo de Muricy Ramalho fazia anos atrás. Chutões, ligações diretas, cruzamentos sem fim. Um jogo horroroso, com vitórias sempre pelo placar mínimo.

A rasgação de seda inclui elogios sem pé nem cabeça a jogadores de futebol duvidoso. Já ouvi comentaristas de programas da TV fechada enchendo a bola de Felipe Melo, brucutu assumido, cujo único mérito visível é ter reduzido a frequência das sarrafadas.

Até quando revisita personagens a mídia cai em erros abissais de avaliação. Ontem pela manhã, um programa de TV dedicou quase meia hora à carreira de Luís Fabiano, que só em São Paulo é chamado de Fabuloso.

Nunca entendi bem o exagero do apelido. Deve ser pelas incríveis presepadas que ele aprontou ao longo da carreira, como brigas sem motivo em partidas decisivas. Foi assim pelo São Paulo e pelo Vasco.

Orgulhoso desse lado selvagem, Fabiano recordou com gosto as atitudes primatas que tanto dano causaram aos times que defendia. Conhecido pela burrice, repetiu a célebre frase de uma de suas brigas: “Entre bater pênalti e ajudar na briga, vou ficar ao lado dos meus companheiros”.

Exemplos desse naipe explicam o fundo do poço em que o futebol – e a mídia – no Brasil está enfiado há décadas.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 22)

Um comentário em “Para confirmar a arrancada

  1. Deixei de interessar-me por futebol. Pelo menos no nível ardoroso do passado em que ia a estádios e mais recentemente em que assistia a qualquer partida na TV. Vinha assistindo a jogos da Champions mas perdi a pegada por, talvez, não estar atento aos dias e horários dos jogos, transmitidos em canais não especializados em futebol. E, por falar em canais especializados, nestes a inteligência pediu aposentadoria. Neles, vemos todo tipo de apresentadores, de bufões a bajuladores, passando por pretensos sabichões. Pra entornar o caldo, os convidados dos programas nesses canais, boleiros e ex-boleiros, colocam em evidência suas inexpressividades intelectuais em depoimentos e entrevistas. Fico pensando em como esses canais sobrevivem com programação tão ruim 24 horas por dia, levando em conta o declínio do futebol brasileiro com suas partidas desinteressantes, carro chefe da programação de qualquer canal esportivo no Brasil.

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