Leão ganha ponto fora, Papão briga em casa

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POR GERSON NOGUEIRA

A Série C entrou definitivamente na fase de definições. O grupo B tem seis times lutando pelas quatro vagas, com a estreita diferença de apenas dois pontos entre o 1º (Juventude) e o 6º (PSC), até o fechamento da coluna, antes dos jogos de sábado e segunda-feira.

O lado emocionante da disputa está assegurado, o que é bom – para a competição e, principalmente, para o canal que transmite as partidas –, mas os representantes paraenses precisam se cuidar. Ambos se encontram na parte inferior da briga, o Remo em 4º lugar e o PSC (que joga amanhã) na 6ª posição.

Na sexta-feira, em Erechim (RS), o Remo obteve um empate que lhe permitiu continuar no G4, pelo menos até o fim da rodada. Poderia ter saído com a vitória, não fosse um penal caseiro assinalado pelo árbitro Djalma Lima Filho.

O Leão fez um jogo de risco calculado, demonstrando cuidado com a marcação, preocupação justificada pela estreia do lateral Gabriel e a reestreia do zagueiro Mimica. Com Djalma no meio-campo, o time ganhou em segurança no bloqueio e teve Eduardo Ramos mais adiantado, ao lado de Gustavo Ramos.

O Ypiranga mostrou respeito pelo Remo, resguardando-se e criando algum problema apenas nas bolas paradas e contra-ataques. Henrique Ávila cobrou falta com perigo aos 20 minutos e logo depois finalizou para grande defesa de Vinícius, que voltou a salvar a meta remista quando Jackson aproveitou o rebote.

Sob muito frio e nevoeiro, o jogo ficou um pouco mais movimentado na etapa final. Logo de cara, Garré fez o gol remista, em assistência perfeita de Gustavo Ramos. Depois, aos 20’, o árbitro viu falta na disputa aérea normal entre Ramires e Reinaldo. O próprio Reinaldo bateu e empatou.

Apesar da irritação com o erro da arbitragem, o Remo voltou a atacar e Eduardo Ramos quase desempatou logo em seguida, cobrando falta no ângulo, mas o goleiro Deivity espalmou para escanteio.

Outra grande oportunidade, a melhor de todas, veio aos 29’. Após troca de passes junto à área do Ypiranga, Garré tocou para Gustavo e este lançou Eduardo Ramos quase na pequena área, mas o meia finalizou para fora.

Ficou a sensação de que o time azulino esteve muito perto de quebrar o jejum de vitórias, que já chega a seis jogos, mas faltou objetividade nos passes e definições de jogadas. No plano individual, Gustavo e Garré foram bem, mas o estreante Gabriel não acertou o passo.

Amanhã, no estádio Jornalista Edgar Proença, o PSC tenta voltar ao G4 em partida contra o Volta Redonda, vice-líder da chave. Será um duelo interessante entre o time de melhor ataque do grupo B, 16 gols, contra o de melhor defesa, o PSC, que sofreu apenas seis tentos.

A perspectiva é de um jogo aberto, pois o Voltaço não costuma ser um visitante retrancado e o Papão precisa vencer. Invicto há seis jogos, o time vive seu melhor momento na temporada e tem o desafio extra de tirar o maior rival do G4 pela primeira vez na competição.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 22h deste domingo, com as participações de Valmir Rodrigues e Rui Guimarães.

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Roni: o fenômeno que o Leão não soube segurar

Transações de atletas no futebol costumam independer da vontade dos clubes formadores. Prevalecem as leis do mercado. Quem pode mais, leva. Nem sempre de forma transparente. Foi mais ou menos assim com Roni, a maior revelação de atacante do futebol paraense nos últimos 20 anos.

O Remo, que teve Roni em suas divisões de base e serviu de vitrine para que ele se destacasse, não ganhou um tostão com a venda dos direitos econômicos do atleta. O arisco atacante foi negociado com um empresário por R$ 400 mil, mas o dinheiro até hoje não entrou no caixa remista.

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Depois de repassado ao Cruzeiro, Roni brilhou no Náutico, saiu para jogar no futebol japonês e foi repatriado no ano passado pelo Atlético-PR, onde se encontra mais em alta do que nunca. Aos 24 anos, encanta plateias com os dribles, gols e cambalhotas mortais como comemoração.

Curioso é que Roni surgiu nas divisões de base do Remo vindo de Magalhães Barata, chegou a ser descartado por algum gênio da escolinha do clube, mas teve a sorte de ser resgatado pelo olhar profissional e sensível de Walter Lima.

Por solicitação do treinador, o clube foi buscá-lo quando já trabalhava numa oficina de conserto de motos. Tempos depois, foi lançado no time titular por Agnaldo de Jesus e rapidamente virou ídolo da galera.

É claro que o Remo não tinha como reter o jogador por muito tempo, mas podia muito bem ter procurado negociá-lo com um mínimo de critério, transparência e responsabilidade.

O certo é que, quatro anos depois, Roni evoluiu, ganhou corpo, tornou-se um atacante mais completo e, pelo que vem jogando, deve terminar a temporada ainda mais valorizado. Os sites especializados já calculam seu valor de mercado em 900 mil euros.

Mais um daqueles casos típicos de revelação que rendeu lucro para todos, exceto para o clube de origem. Até quando?

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 21)

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