Lúcio Flávio Pinto anuncia aposentadoria

O jornalista Lúcio Flávio Pinto surpreendeu seus leitores e amigos nesta quinta-feira com a informação de que está se aposentando do jornalismo “linha de frente”, de reportagens especiais publicadas na internet e em seu Jornal Pessoal. Vai limitar sua atividade na imprensa a participações pontuais nos blogs que assina. Tomou essa decisão por conta de ter sido diagnosticado com o mal de Parkinson.

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Abaixo, a nota publicada por Lúcio:

Há algum tempo uma das principais fontes de angústia na minha vida é o jornalismo, meu ofício há 53 anos, iniciado aos 16 anos de idade e praticado com intensidade e paixão ininterruptas desde maio de 1966. Por várias vezes anunciei o fim do Jornal Pessoal ou deste blog, mas acabei voltando atrás e retomando o exercício da profissão. Infelizmente, porém, essa capacidade de renascer se exauriu. Meu médico voltou a me advertir que a composição de stress com ansiedade e angústia, que me dominam, é um veneno para um parksoniano, conforme fui diagnosticado.

Tenho tentado reduzir esses componentes, ao mesmo tempo genéticos, efeitos da função que exerço ou resultados da minha formação, mas os efeitos são inevitáveis no jornalismo crítico que pratico, especialmente num ambiente de extremismos, irracionalidades e absurdos, como o que estamos vivendo. Só há uma saída: suspender o jornalismo cotidiano, de linha de frente, de front mesmo. É o que faço neste momento, com profundo pesar, mas certo de ser a única maneira de conter o avanço acelerado da doença, como tem ocorrido recentemente.

Continuarei alimentando os outros blogs e utilizando este para inserir matérias que estão fora do universo digital, recuperando informações úteis que podem se perder. Talvez mantenha o Jornal Pessoal mensalmente. Espero contar com a compreensão e o acompanhamento dos leitores mais fieis.

Lúcio Flávio Pinto é sociólogo, formado pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1973). Foi professor visitante (1983/84) do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Flórida em Gainesville, EUA. Foi professor visitante no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos e no Departamento de Comunicação Social da UFPA.

É jornalista profissional desde 1966. Trabalhou nas redações de algumas das principais publicações da imprensa brasileira. Durante 18 anos foi repórter em O Estado de S. Paulo. Em 1988 deixou a grande imprensa. Dedicou-se desde 1987 ao Jornal Pessoal, publicação independente de periodicidade quinzenal.

Escreveu 21 livros, todos dedicados a temas relacionados com a Amazônia, os últimos dos quais “Amazônia Decifrada” e “A Questão Amazônica”. É co-autor de numerosas outras publicações coletivas, dedicadas à Amazônia e ao jornalismo. Recebeu o Prêmio Wladimir Herzog de 2012 pelo conjunto da sua obra. Foi considerado pela ONG Repórteres Sem Fronteiras, com sede em Paris, como um dos mais importantes jornalistas do mundo, o único selecionado no Brasil para essa honraria.

Mentor e referência para várias gerações de jornalistas paraenses, Lúcio tem uma carreira vitoriosa. Recebeu quatro prêmios Esso e dois Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). Por seu trabalho em defesa da verdade e contra as injustiças sociais, recebeu em Roma, em 1997, o prêmio Colombe d’oro per La Pace e, em 2005, o prêmio anual do CPJ (Comittee for Jornalists Protection), de Nova York. (Foto: PAULO SANTOS)

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