Na hora de virar a página

POR GERSON NOGUEIRA

Vinícius e Douglas Packer, titulares e peças importantes no esquema montado por Márcio Fernandes no Remo, têm se manifestado para reafirmar o foco na classificação à próxima fase da Série C. O goleiro destacou a necessidade de reabilitação para afastar o risco de crise. O meia disse que o time enfrenta a partir de agora nove decisões.

O posicionamento é oportuno na esteira do revés no clássico Re-Pa. É inegável que o mau resultado deixou um sentimento de frustração no torcedor e reabriu a dúvida quanto ao potencial do time.

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A própria ausência de Douglas – não jogou contra o São José e entrou nos minutos finais do Re-Pa – é vista como um dos motivos da queda de rendimento. Como principal organizador do time, ele de fato fez falta nos dois confrontos. O Remo ficou sem a principal arma usada nos sete primeiros jogos: o controle das ações através da troca de passes.

Na primeira derrota, além do meia-armador, o Remo não teve o volante Yuri, ponto de equilíbrio na cobertura da zaga. E é importante considerar que Douglas não é propriamente um dínamo em campo. Costuma ter sumiços à medida que o jogo avança e o cansaço aumenta, mas é o jogador que mais sabe fazer a transição ofensiva.

Os problemas vistos no meio-campo, até então um setor bem ajustado, fizeram com que a diretoria tentasse a contratação de Eduardo Ramos, que divide opiniões, mas tem rodagem e empolga grande parte da torcida.

Sem Ramos, cujo retorno foi descartado ontem, Douglas passa a ser a opção que resta a Márcio Fernandes para manter de pé o sistema utilizado com sucesso até duas rodadas atrás. Zotti não se impôs quando teve oportunidade e Guilherme Garré não passou no teste do Re-Pa.

Carlos Alberto, outro que poderia eventualmente assumir a criação, já mostrou que tem mais afinidade com as jogadas laterais, embora não tenha conseguido repetir as boas apresentações contra Luverdense e Tombense.

De toda sorte, o confronto de amanhã à noite em Varginha vai permitir uma avaliação mais ponderada sobre a real capacidade do atual elenco e até mesmo sobre a confiabilidade do sistema tático. A estreia no “returno” é a chance de mostrar que é possível retomar a pegada inicial.

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Seleção encara azarão e Tite se livra de volante

Tite soltou ontem outra de suas pausas teatrais mais longas na entrevista sobre o jogo com o Paraguai pela Copa América. Segurou a respiração e, quase como um daqueles velhos atores de radionovelas, sussurrou um apelo à torcida gaúcha para que o trate com o mesmo carinho dos tempos de Grêmio.

Antes, estrategicamente, anunciou que Fernandinho não joga. Será substituído pelo jovem Allan. A desculpa técnica: o volante não está 100% fisicamente.

É óbvio que, assim como Neymar “achou” aquela lesão para escapar à pressão externa durante a Copa, Tite arranjou um jeito elegante de barrar o jogador mais questionado da Seleção.

Fernandinho é muito elogiado na Inglaterra. Homem de confiança de Pep Guardiola no Manchester City, está com 34 anos e certamente não vai à Copa do Mundo de 2022.

O problema é que, ao contrário dos aplausos dos críticos, Fernandinho não é um sucesso de público. Longe disso. A torcida não esquece seu papel tenebroso no jogo fatídico com a Alemanha, ao lado de Dante e Davi Luiz, em 2014. A lembrança mais viva, porém, é a das terríveis mancadas contra a Bélgica em 2018.

Só a teimosia de Tite explica a insistência com um volante que não se comporta bem na Seleção, embora tenha carreira elogiada em clubes. Não havia necessidade de convocar um jogador tão estigmatizado.

Quanto ao jogo, favoritismo absoluto do Brasil. Em situação normal, só tropeça se for muito incompetente. O Paraguai é o pior dos times que passaram à segunda fase.

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Marcelinho nocauteia Luxemburgo na Justiça

Uma das mais notórias tretas do futebol brasileiro nos últimos anos envolve Vanderlei Luxemburgo e Marcelinho Carioca, polêmicos pela própria natureza. A arenga vem dos tempos em que trabalharam juntos no Corinthians.

O técnico acusou o meia de indisciplina e comportamento inadequado durante viagem a Salvador. O Pé de Anjo se defendeu revelando que Luxa criou caso porque teria ficado com a namorada (ou candidata a) do técnico.

Anos depois, os dois foram a um programa na Band apresentado por José Luiz Datena. Aí o barraco desabou de vez. Irritado em meio a uma discussão, Luxa vociferou para Marcelinho, de dedo em riste e carregando no xis: “Voxê é moleque, voxê é xafado…”.

Pensei que a coisa tinha se esgotado ali, embora de vez em quando a internet trouxesse à tona o hilário vídeo do bate-boca. Acontece que Marcelinho processou Luxemburgo em 2016 e ganhou a parada, fazendo jus hoje a uma indenização de R$ 351 mil por danos morais.

A decisão, do Tribunal de Justiça de São Paulo, anunciada ontem, prevê bloqueio de 15% dos salários de Luxemburgo no Vasco. Está provado que a troca de desaforos pode às vezes fazer bem para o ego, mas pode ser desastrosa para o bolso.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 27)

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