Acomodado e sem inspiração

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POR GERSON NOGUEIRA

Pouco mais de 4 mil pessoas se aventuraram a ir ao Mangueirão e, provavelmente, se arrependeram. O que era para ser a reconciliação do Papão com a galera acabou virando razão para ampliar as preocupações com o time. Em jogo fraco tecnicamente, o placar de 0 a 0 foi uma sentença justa para o que PSC e Luverdense deixaram de fazer em campo.

Sem inspiração, desconjuntado nas ações pelo meio, ineficaz pelos lados e desorganizado taticamente. O time que Marcelo Rocha (auxiliar de Hélio dos Anjos) pôs em campo no sábado à tarde não criou nenhum bom ataque nos 45 minutos iniciais e acabou laçando o boi, pois o LEC teve boas chances depois que os times ficaram com 10 jogadores em campo.

A torcida só se agitou um pouco na cobrança de falta de Tiago Luís, aos 11 minutos, que bateu rasteiro rente à trave direita de Edson. Era preocupante a postura do PSC desde o começo da partida. Parecia sem pressa, mas, na verdade, não tinha ideias para envolver e superar a marcação do LEC.

Os bicolores insistiam em jogadas inconsequentes e improdutivas, tocando sempre para os lados. Arriscavam poucas investidas à área adversária. Insatisfeita, a torcida vaiou os jogadores no final do 1º tempo.

O PSC voltou para o 2º tempo com Elielton no lugar de Diego Rosa. Apesar da mexida, a situação não se alterou. O time agredia pouco. O melhor momento veio em outra cobrança por falta de Tiago Luís, aos 9 minutos. O chute saiu forte, mas o goleiro defendeu no susto.

Logo depois, como já é praxe, o meia-atacante seria substituído por Paulo Rangel. Como nada mudou, aos 30’, Marcelo Rocha trocou Vinícius Leite por Pimentinha. O ataque passou a ter dois velocistas, mas não explorava os contra-ataques porque não havia criação no meio-campo.

A partida mudou de panorama com as expulsões de Tony (PSC) e Helder (LEC), ao 32’. O espaço aumentou para os dois lados, mas foi o Luverdense quem tomou o controle do jogo, criando boas chances.

Anderson Ligeiro arriscou chute da entrada da área, quase acertando a trave de Mota, aos 38’. Um minuto depois, em meio à balbúrdia defensiva do PSC, Tardelli entrou livre na área, mas finalizou mal.

Nos minutos finais, o jogo ficou inteiramente aberto, com pontadas sempre agudas do LEC, mas a última chance coube aos bicolores. Aos 41’, em tentativa individual de Pimentinha, a bola bateu nos zagueiros e voltou para Nicolas, que se atrapalhou e errou o chute.

A torcida voltou a se manifestar no fim da partida, vaiando e atirando objetos nos jogadores. Depois de trocas de tretas com torcedores na internet, Paulo Rangel foi o mais visado.

Registre-se: a rotina de expulsões foi mantida. Tony é o quinto jogador expulso nas últimas cinco partidas. Antes, Tiago Primão (contra o Boa Esporte), Bruno Oliveira (contra o Internacional), Caíque (São José) e Marcos Antonio (Atlético-CE) tinham recebido o cartão amarelo.

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Platitudes de um Guimarães Rosa de pé-quebrado

A Copa América começou e os primeiros jogos confirmaram as piores expectativas. Nenhuma atuação digna de atenção, a começar pela atuação discreta do Brasil contra a inexpressiva Bolívia. Depois de ganhar vaia até dos pachecos domesticados, a Seleção só encontrou facilidades depois que Pitana descolou um pênalti meio assim, assim.

Surpreende que, mesmo contra o débil ataque boliviano, Tite armou o Brasil como se fosse enfrentar o lado negro da Força. Botou dois volantes (Fernandinho, sempre ele, e Casemiro) à frente dos zagueiros. É natural que o caminho para o gol ficasse mais sofrido.

Por falar em Tite, ele virou uma espécie de Guimarães Rosa às avessas. Adora inventar neologismos sem utilidade prática, cuja função é apenas reforçar o discurso empolado que pratica. O problema é que passou a influenciar jornalistas desatentos, que passam a repetir mecanicamente os maneirismos linguísticos do treinador.

Ontem, fiel ao titês, um jovem repórter da ESPN se esmerou em repetir disparates como “terceiro terço”, “externo flutuante” e “jogador posicional”. O incauto parecia sinceramente orgulhoso em proferir as platitudes criadas pelo técnico da Seleção, contrariando a máxima (by Cazuza) de que só as mães são felizes.

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Tubarão põe Atlético na roda e impõe boa vantagem

Com grande atuação de Fidélis, autor de dois gols (o outro foi de Rafinha), o Bragantino goleou o Atlético-CE, ontem à tarde, no estádio Diogão, em Bragança, abrindo frente no mata-mata da Série D. Fidélis e Rafinha saíram do banco de reservas no 2º tempo para salvar o Tubarão e a cabeça do técnico Robson Melo, que havia mantido os dois na suplência.

Apesar de chances com Edgar e Mauro Ajuruteua, o Braga se enrolou bastante nos 45 minutos iniciais. A torcida cobrou e Fidélis entrou aos 11 minutos da etapa final. Dez minutos depois, estufou as redes inimigas aproveitando assistência de Marco Goiano dentro da área.

O jogo que tinha sido difícil na primeira etapa se tornou inteiramente favorável ao Braga. Passaram-se mais dez minutos e Fidélis cruzou na medida para Rafinha tocar rasteiro, ampliando para 2 a 0. Fidélis fecharia a contagem, aos 40’, cobrando penal que ele mesmo havia sofrido.

Resumo da ópera: técnicos devem fazer sempre o possível para não inventar.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 17)

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