Derrota dispara alerta no Leão

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POR GERSON NOGUEIRA

O Remo sofreu na quinta-feira à noite, em Porto Alegre, sua primeira derrota na Série C após oito rodadas disputadas. O time segue muito bem posicionado, mas o desempenho diante do São José gerou imediatos questionamentos e disparou alguns alertas dentro do clube. Ao contrário do que vinha ocorrendo na trajetória remista, pela primeira vez o adversário ditou o ritmo e controlou completamente a partida.

Na entrevista pós-jogo exclusiva à Rádio Clube do Pará, o técnico Márcio Fernandes se amparou em dois argumentos para justificar o rendimento técnico da equipe. Alegou falta de adaptação ao gramado sintético e desgaste provocado pela maratona de jogos em curto espaço de tempo.

Tem razão nas duas justificativas. De fato, como muita gente temia, estranhando o gramado, os jogadores erraram passes em demasia e tiveram dificuldades para desenvolver o tipo de jogo que vinham praticando até então.

É fato também que a agenda de jogos também foi prejudicial ao Remo, que praticamente não treinou desde o confronto contra o Tombense, em Minas Gerais, no dia 3 de junho.

A delegação voltou a Belém na madrugada de 5 de junho. O clube havia solicitado alteração do jogo com o Volta Redonda, de sábado (8) para domingo (9), mas a CBF não atendeu. Para piorar, o jogo contra o São José, que seria neste sábado (15), foi antecipado para quinta (13).

É preciso, porém, observar que além desses dois fatores o Remo perdeu também para a qualidade e o entrosamento do São José, que tem praticamente a mesma formação há dois anos e um técnico (Rafael Jaques) que caminha para o segundo ano de trabalho.

Com tranquilidade, o São José não caiu na armadilha que o Remo custa armar quando atua fora de casa, cedendo espaço para explorar o contra-ataque em rápida troca de passes. O time gaúcho também não ficou preso à estratégia previsível dos cruzamentos altos, preferindo jogadas pelos lados. Na prática, o Remo pela primeira vez encarou um adversário à sua imagem e semelhança.

O gol de Dudu Mandai, aos 26 minutos do 2º tempo, surgiu de uma jogada em contragolpe e de uma tabelinha final junto à área, entre o lateral e o meia Maradona, culminando com o chute cruzado que Vinícius não conseguiu defender.

Além do bom nível técnico do mandante, o Remo não foi eficiente nas poucas chances de definições. Teve duas chegadas fortes com Gustavo Ramos e Ramires no 1º tempo e uma oportunidade clara com Emerson Carioca, logo a um minuto do 2º tempo.

As ausências de Douglas Packer e Yuri, principalmente, também foram sentidas demasiadamente pela equipe. Ramires, peça fundamental nas jogadas de transição, pouco apareceu, talvez preocupado em ajudar Rafael Tufa na cobertura à zaga.

Nas circunstâncias, o resultado foi normal e não deve causar abalos maiores no ambiente azulino, mas sinaliza a existência de problemas que devem ser corrigidos. A falta de força ofensiva na área talvez seja o mais grave e evidente de todos – daí, inclusive, a contratação de um novo centroavante.

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Papão faz jogo da reconciliação com a galera

O Luverdense poderia ser considerado o adversário dos sonhos. Ainda não engrenou na Série C e estacionou na zona da morte do grupo B, com cinco pontos resultantes de cinco empates. Acontece que o Papão não pode subestimar ninguém: está no bloco intermediário da tabela e sem vencer há sete partidas (incluindo os jogos da Copa do Brasil).

Com o auxiliar técnico Leandro Niehues no comando, o time tem obrigação de reencontrar a vitória e reatar ligações com a torcida. Algumas mudanças devem ser notadas na formação, em função do afastamento de dois titulares – Marcos Antonio e Paulo Henrique.

Niehues, que ainda não foi perdeu como interino do PSC, terá que contar com a colaboração de seus principais jogadores – Tiago Luís e Nicolas. Ambos não têm entregado o que deles se espera. Nicolas caiu de rendimento nas três últimas partidas e Tiago ainda não assumiu o papel de protagonista da equipe.

Em suma, o PC precisa apresentar outra postura, com ênfase na organização ofensiva. O ataque bicolor é um dos piores da competição, com apenas quatro gols anotados em sete rodadas.

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Chance de aperfeiçoamento para karatecas

Pela primeira vez, Belém (e a região Norte) recebe um curso de karatê de alto rendimento. Será hoje, 15, a partir das 8h30, no Shopping Bosque Grão-Pará (piso térreo, ao lado aceso C), ministrado por Ricardo Aguiar, técnico da Seleção Brasileira Olímpica de Karatê. Com 11 títulos brasileiros, oito títulos sul-americanos e quatro títulos pan-americanos, Aguiar é uma referência no esporte.

O curso é um aperfeiçoamento técnico de alto nível para os atletas e tem o caráter de oportunidade para jovens praticantes se apaixonarem pelo esporte, abraçando a competição profissional.

Evanildo Pereira, organizador do evento, chama atenção para a importância do karatê do Pará, de forte presença no país. Ele mesmo foi 27 vezes campeão estadual e ganhou 10 títulos nacionais, além de vários internacionais.

Em Belém, existem vários projetos sociais que incentivam a prática do karatê. Casos do Projeto Resgate, com crianças e jovens do bairro Promorar; o Salvando Crianças com Karatê e o Projeto Nazireu, do Barreiro.

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 15)

4 comentários em “Derrota dispara alerta no Leão

  1. Concordo que o intervalo curto entre jogos e viagens longas reflitam no rendimento da equipe, assim como a grama sintética. Mas observo que o Remo taticamente não foi tão mal e que o gol saiu num dos lances em que o São José aproveitou a vantagem de conhecer melhor o piso e de estar mais descansado. Defensivamente, temos das melhores defesas da série C e talvez a melhor da década do Mais Querido. Mesmo assim, o Remo não mostrou em nenhum momento a qualidade necessária no meio-campo para ao menos equilibrar a partida em alguns momentos, o que é fundamental até para a manutenção do desempenho da defesa.

    O Tufa é bom marcador, mas Djalma tem muito mais qualidade, e velocidade, na saída de bola. Zotti não é um meia burocrático mas, recuado, não vai produzir bons ataques e contra-ataques, deve jogar mais avançado. Emerson Carioca está jogando para o time e faz bom papel sem a bola, mas está saindo muito da área, e precisa ficar mais por lá ou nas imediações. Carlos Alberto e Ramires têm tudo para serem os caras que aproveitam sobras, que arrematam de longe e ainda que entram na área como elemento surpresa, mas precisam combinar com os articuladores. Com a volta de Paker e Yuri, o meio-campo deve estabilizar de novo, mas a má fase de Emerson Carioca pode estar aí, na distância entre ele e o gol adversário. Quem sabe veremos como Marcão se sairá.

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  2. Será que com esse empate do Paysandu diante do Luverdense, dispara o alerta no “Papão” ou por lá as coisas estão a mil maravilhas??

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  3. Acho que o alerta já estava ligado por lá, o que não adiantou muita coisa. No caso do Remo, é natural (e inteligente) que a primeira derrota gere uma avaliação dos erros cometidos.

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