No reino do mais do mesmo

POR GERSON NOGUEIRA

Quando não tinha nada a perder, Tite mostrou que conhecia intuitivamente os caminhos para ganhar. Assumiu a campanha pífia da Seleção nas Eliminatórias para a Copa 2018 e empreendeu uma guinada histórica. Radical a ponto de prestigiar Gabriel Jesus, um menino ainda, o técnico provou que a ousadia é sempre necessária no universo acomodado do futebol.

Na sexta-feira, Willian foi chamado para substituir Neymar. Tite carimbou ali o conservadorismo que virou marca registrada de suas atitudes desde o Mundial da Rússia. Cerca-se cada vez mais de jogadores manjados e veteranos, de sua estrita confiança, mas que a menção de seus nomes causa urticárias no torcedor.

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Como poucas vezes se viu na história das seleções, Tite prestigiou jogadores veteranos e que fizeram Copas ruins, casos de Willian (30 anos), Fernandinho (34), Miranda (34), Daniel Alves (36) e Tiago Silva (34). Fernandinho é um exemplo clássico de teimosia. Falhou nos momentos decisivos, ajudando a eliminar o time em 2014 e 2018.

Tiago Silva é outro caso perdido. Tem muitas qualidades, mas sua história na seleção é um festival de coincidências felizes. Dani Alves alinha-se na mesma faixa. Não esteve na Rússia, mas foi mal em 2014. Já se passaram cinco anos e ele continua intocável nas convocações.

Todo esse grupo de veteranos está descartado do Mundial do Catar em 2022. Se fosse uma geração extremamente vitoriosa pela Seleção até seria aceitável a insistência para uma última Copa América. Seria uma despedida em grande estilo.

Com os nomes que reuniu, Tite perde nesta Copa América a oportunidade única de lançar um selecionado renovado, como fez a Alemanha em 2006, sob o comando de Klinsmann.

Sob ataque desde a pífia passagem do Brasil pela Rússia, no ano passado, Tite tinha argumentos bastante robusto para justificar uma aposta nos jovens: a própria má jornada no Mundial de 2018, a chance de dar rodagem a boleiros promissores e a irrelevância discreta do torneio sul-americano. Seria um risco calculado, espécie de avant-première para os novos centuriões.

Dava para testar o seguinte time, capaz de fazer furor na competição e reconquistar a galera mesmo sem Neymar: Ederson (25 anos); Éder Militão (21), Dedé (30), Marquinhos (25) e Alex Sandro (28); Casemiro, 27 (Fabinho, 25), Artur, 22 (Everton Ribeiro, 30) e Philippe Coutinho, 26 (Jean Mota, 25); Vinícius Jr., 18 (Pedrinho, 21), Roberto Firmino, 27 (João Pedro, 17) e David Neres, 22 (Rodrigo, 18).

O técnico preferiu seguir à risca a cartilha de Parreira, Dunga, Felipão e tantos outros treinadores de cabeça mergulhada no passado, apegados a sistemas cautelosos. Para esses profissionais, de quem Tite parecia estar filosoficamente distanciado, a seleção precisa sempre ter um bloco de jogadores cascudos e poucas apostas. Preferem segurança, odeiam arriscar.

Tite caiu no gosto da torcida justamente porque era diferente de seus antecessores. Está cada vez mais parecido com eles. Seu planejamento de jogo é óbvio e previsível. Não mostra nem sinal de ter aprendido com os erros que levaram ao fracasso na Rússia. E segue agarrado ao mesmo grupinho de jogadores. Uma pena.

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Bola na Torre

Giuseppe Tommaso apresenta o programa, excepcionalmente às 23h30, na RBATV. Rui Guimarães e este escriba de Baião compõem a bancada de debatedores. Em pauta, a rodada do fim de semana das Séries C e D.

Sócio torcedor pode alavancar finanças do Leão

Depois de atingir a marca de quase 12 mil sócios torcedores na gestão de André Cavalcante, o Remo perdeu todo esse contingente nos anos seguintes. O enfraquecimento do programa teve várias motivações, mas o principal fator foi a má jornada do time nos gramados. Sem vitórias, o torcedor perdeu o ânimo de contribuir.

Aos poucos, a caminhada vitoriosa na Série C, depois da conquista do Parazão, o ST volta a dar sinais de vitalidade. No momento, já chega ao patamar de 3.800 adimplentes. E a expectativa é de que essa importante receita seja amplificada nos próximos meses. Tudo, é claro, dependendo diretamente do desempenho do time de Márcio Fernandes.

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Copa do Mundo feminina não se resume a Marta

Para quem acha que a 8ª Copa do Mundo de futebol feminino é aquela competição meio esquisita, que vai se limitar a alguns momentos proporcionados por Marta, a premiadíssima ave solitária do time dirigido por Vadão, o torneio pode oferecer boas surpresas.

Além das fortes seleções dos Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, França, Austrália e Espanha, que têm futebol organizado e bem jogado, há um pequeno grupo de boleiras de altíssimo nível, capazes de cativar o interesse dos telespectadores.

Martens, meia-atacante que lidera a forte Holanda, campeã europeia, é forte candidata a estrela da competição. Aos 26 anos, é destaque do Barcelona, vice-campeão europeu. Faz gols e trata a bola com intimidade.

Carli Lloyd, 36 anos, meia da seleção dos EUA, já ganhou o troféu de melhor do mundo e é especialista em lançamentos e arremates de fora da área. Marozsán, camisa 10 da Alemanha, também é craque. Foi dela o gol que deu à seleção germânica a medalha de ouro na Olimpíada do Rio.

Alex Morgan, atacante americana de 22 anos, é outra figura que merece atenção. Outra artilheira de alto nível é Sam Kerr, 25, atacante australiana que joga na liga norte-americana e tem alta média de gol por jogo.

Olho nelas.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 09)

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