No limite do pragmatismo

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POR GERSON NOGUEIRA

Nem sempre o estilo de jogo do Remo é agradável e vistoso de ver. Às vezes, se assemelha ao método “saber sofrer” dos tempos de João Neto, com o time se posicionando atrás e cedendo voluntariamente espaço (e bola) ao adversário. Não se pode negar, porém, que está funcionando. A vitória sobre o Luverdense, sábado, em Lucas do Rio Verde, foi construída exatamente assim.

Os primeiros minutos mostraram o adversário cercando a área remista e dificultando a saída dos volantes, principalmente Ramires, que só encontrou meios de ajudar o ataque a partir dos 30 minutos. E a presença de Ramires como ponto de referência no meio foi fundamental para que o time não se limitasse a defender.

Por iniciativa do volante, que às vezes se transforma em meia, o Remo fez suas principais investidas rumo ao ataque, acionando Gustavo e Carlos Alberto. Aos poucos, foi equilibrando as ações. As jogadas ofensivas se repetiam, embora com falhas de Gustavo e Carioca nas finalizações.

Na etapa final, o Remo se sentiu à vontade para avançar mais, passando a explorar melhor a presença de Zotti na organização. Carlos Alberto, que fez sua melhor partida pela equipe, foi importante pelo dinamismo, sem guardar posicionamento fixo, o que ajudou a confundir a marcação.

Ramires e Yuri ficaram mais contidos, acompanhando os avanços de Juninho Tardelli, Igor e Cauê, jogadores mais perigosos do LEC. Vinícius fez defesa espetacular em cabeceio de Moisés, de cima para baixo.

Mas, aos 13’, após boa pontada com Alex Sandro, que havia substituído a Zotti, o Remo ganhou escanteio. A bola foi desviada por um zagueiro e caiu nos pés de Emerson Carioca. Apesar de se atrapalhar no domínio, o centroavante conseguiu tocar para as redes.

O Luverdense fez mudanças no ataque e redobrou o cerco à área do Leão, criando mais dificuldades para a zaga paraense. Tranquilo, o Remo se resguardava, não se arriscava tanto, preferindo tocar mais a bola e organizar bons contra-ataques.

Alex Sandro teve nos pés a chance de marcar o segundo, aos 42’, driblando dois zagueiros e chutando por cima, com o gol completamente escancarado. Michel, que finalmente deu o ar da graça, também teve excelente oportunidade no minuto final dos acréscimos.

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Previsível, Papão sofre o primeiro tropeço

Todo mundo sabia que a parada seria difícil, pior ainda no campo encharcado pelo temporal do fim da tarde de sábado, mas o Papão encarou o Juventude com postura absolutamente previsível e acabou saindo derrotado, perdendo a invencibilidade na Série C.

O jogo proposto pelo PSC foi exatamente o que o Juventude esperava: uma sucessão de bolas cruzadas na área e espanadas por uma defesa acostumada a esse tipo de situação. Quando pôs a bola no chão ou tentou arremates de fora da área, o time se saiu melhor e assustou a defesa gaúcha.

No primeiro tempo, Tiago Primão e Wellington Reis arriscaram disparos de longe, testando o goleiro Marcelo Carné. Pena que ficou nisso. Vinícius Leite ainda deu um disparo forte que levou muito perigo nos minutos finais da primeira etapa.

Aliás, foi pela faixa direita, com Vinícius e Tony, que o PSC conseguiu abrir a marcação do Juventude. Pelo meio, onde Paulo Henrique era peça nula, somente Nicolas ainda se posicionava em condições de arremate, mas as oportunidades não surgiram e nem foram provocadas.

Atento às cobranças da torcida, Léo Condé voltou para o 2º tempo com Jheimy no lugar de Paulo Henrique, mas tudo permaneceu como antes. Na verdade, ficou até pior. Logo a 1’, Jheimy perdeu excelente oportunidade, chutando fraco nas mãos do goleiro. Depois, sumiu em campo.

O Juventude fazia o jogo da cautela, satisfeito com a ideia do empate. Parava as jogadas, demorava a repor a bola e ia cozinhando a situação. Condé ainda trocou Primão por Tiago Luís e Nicolas por Pimentinha, mas o time seguiu frágil ofensivamente, insistindo nos cruzamentos infrutíferos, para alegria da barreira defensiva do Juventude.

Aí, aos 38 minutos, o barraco desabou.

Eltinho bateu com perfeição uma falta à entrada da área e decretou a vitória do Juventude. Havia tempo ainda para um esforço final, mas faltava fôlego (e força mental) para que o Papão mudasse os rumos do jogo.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 13)

4 comentários em “No limite do pragmatismo

  1. O Remo durante anos de disputa nos brasileiros de série D e C, necessitava de uma estratégia inteligente de jogo em busca de resultados positivos, principalmente em jogos fora de casa. Na atual competição, vimos um time, que apesar de algumas falhas de marcação, vem trazendo resultados convincentes. Tudo bem que não sejam partidas primorosas, mas devemos considerar o objetivo proposto pelo treinador, experiente e campeão em outras jornadas da C. O início é alvissareiro, e cabe ainda maior evolução tática e técnica de alguns jogadores, assim poderemos ter a convicção de que esse plantel pode nos agraciar com o acesso, mesmo sendo cedo para tanto. Mas repito, tem algo diferente nessa campanha, vejo um time determinado, toque de bola e principalmente uma proposta de jogo. E assim vamos meu Leão mais querido!

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  2. Amigo, Gerson, belíssima homenagem do Botafogo a todas às mães. Abrir mão de sua Estrela maior e ficar só o formato do coração, foi demais!

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  3. Entendo que o Remo foi prático, reconhecendo sua limitação, se fecha atrás e joga por uma bola, mesmo com time fraquíssimo como o Luverdense. Deve ir muito longe. Espero, como das outras vezes, que quando estiver perdendo não se recupere, nos comentários, o fator sorte para justificar a derrota.

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  4. Semelhante ao ano passado, começa o Payssandú. Esperar “sempre” pelo Nícolas fazer o gol salvador é muito pouco. Afinal os Paulos – Henrique e Rangel – já deveriam estar a caminho do Aeroporto há muito. Não farão, nem nunca fizeram, falta. Previsivel, é essa a assertiva definidora para o Payssandú. Em assim sendo, configura-se, mais uma vez, uma mórbida desconfiança do torcedor em relação ao time. 13.05.19, Mba.-PA.

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