Aos mestres, com respeito

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POR GERSON NOGUEIRA

Mauricio Pochetino, Pep Guardiola e Jurgen Klopp.

Técnicos bem sucedidos e vitoriosos, trabalhando no futebol inglês. A trinca encabeça qualquer lista dos melhores técnicos do futebol mundial. Merecem como poucos a denominação de “professores”, tão banalizada pelos boleiros no Brasil, que atribuem a treinadores mambembes um nível de conhecimento que não se revela nos jogos.

Os três estão na crista da onda devido ao grande trabalho que realizam em seus clubes, tanto no seletivo Campeonato Inglês quanto na Champions League, cantada em prosa e verso como a principal competição de clubes do planeta.

Eles vêm da Argentina, da Espanha e da Alemanha, três grandes e diferentes escolas de futebol. São profissionais inovadores e com muita estrada pela frente. Com diferença de quatro anos entre o mais velho (Klopp, 51 anos) e o mais jovem (Pochetino, 47).

Guardiola e Klopp estão disputando o título inglês, à frente de times que conseguiram alcançar a marca de 90 pontos. Neste domingo, o City de Pep entra em campo contra o modesto Brighton fora de casa, um ponto à frente do Liverpool de Klopp, que recebe o Wolverhampton. A possibilidade ameaçadora, de ter uma campanha brilhante na temporada e terminar de mãos vazias, paira sobre ambos.

Klopp é o mais aclamado, produtivo e bem sucedido neste momento. Depois de anos vinculado ao Borussia Dortmund, de sensacional torcida, ele assumiu o Liverpool e o sucesso continuou. Aumentou até. Tornou-se mais conhecido – e reconhecido.

Jornalistas britânicos destacam em Klopp a personalidade alto astral e de pura simpatia. Um personagem que casou bem com a apaixonada massa torcedora dos Reds. Seu faro garantiu ao clube contratações importantes, como Van Dijk, Salah, Mané e Alisson.

Dentro de campo, a intensidade do time considerado mais equilibrado da Champions tem muito a ver com os treinamentos, estratégias e filosofia do alemão. Fã da mobilidade e da flutuação de seus jogadores em todos os setores, no seu Liverpool o becão Van Dijk pode virar atacante-surpresa a qualquer momento.

O trio titular da frente muda de posição o tempo todo. Salah já brilhou no lado direito e hoje atua mais centralizado, como um falso centroavante. Mané é o mais imprevisível, podendo surgir em qualquer posição do ataque. Firmino, que já foi atacante central, agora fica mais recuado.

Seus laterais são conhecidos pela agressividade, quase atacantes em tempo integral. Na prática, Klopp leva ao pé da letra o conceito de que todos marcam e participam do esforço de jogo. A coletividade sempre acima do brilho individual, embora sem abrir mão dos diferentes talentos disponíveis.

Mas, apesar da excepcional fase, Klopp pode perder o sonhado título da Premier League para um Manchester City muito bem treinado por Guardiola, que leva ao limite máximo o conceito de posse de bola e valorização dos espaços. A lógica diz que o City deve levar o título do mais disputado campeonato das últimas décadas.

Caso perca na Inglaterra, Klopp ainda tem chance de fechar a temporada com um troféu, e que troféu. Enfrentará o Tottenham de Pochetino na grande final da Champions, no dia 1º de junho, em Madri. Tottenham que reverteu miraculosamente um placar adverso após 15 minutos de conversa no vestiário. Cabeça e olhos de Pochetino, que soube cirurgicamente desmontar as forças do Ajax e potencializar as virtudes dos Spurs.

Por isso, na final, Klopp terá que superar um estilo conceitual moldado no jeito tradicional de jogar. O Tottenham não se reforçou, mas usa a concentração e a capacidade de resistência como grandes virtudes. Não tem jogadores melhores que o Liverpool, como não tinha em relação ao Ajax, mas como equipe atinge alto nível de competitividade, marcando muito e povoando o ataque com o máximo de jogadores.

O paciente leitor pode estar se perguntando: afinal, o que o momento vivido pelos três profissionais tem a ver com a gente? Sim, eles estão geograficamente longe, mas o futebol dá saltos de crescimento qualitativo a partir de aprendizado e prática, tentativa e erro.

O que o trio acima concebe, experimenta e executa em seus times logo servirá de referência para o jogo praticado no Brasil. E que ninguém esqueça: o jogo, como entidade, é o que há de mais importante. Entendê-lo é a chave de tudo.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 22h, com João Cunha e este escriba de Baião na bancada de debatedores. Tudo sobre as rodadas das séries C e D.

O telespectador interage enviando perguntas e comentários e participa do sorteio de prêmios.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 12)

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