Vitória arrancada à força

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POR GERSON NOGUEIRA

O Remo estreou bem na fase semifinal do Campeonato Paraense, derrotando o Bragantino dentro do estádio Diogão com um gol nos acréscimos. A baixa qualidade do jogo indicava o empate, mas uma bola aérea bem executada pelo ataque azulino decidiu o jogo no último instante.

Com Edno estreando e Yuri efetivado no meio-campo, o Remo teve mudanças de posicionamento ao longo do jogo. A formação habitual no 4-4-2 várias vezes oscilou para o 3-5-2 com o avanço do lateral-direito Geovane e uma esquematização defensiva com Kevem, Marcão e Jansen.

Apesar do esforço para se estabilizar logo nos minutos iniciais, o Remo ficou sempre em desvantagem no primeiro tempo. Principal jogador do Tubarão, Fidélis se movimentava bem, justificando o interesse da dupla Re-Pa. Caía pela faixa esquerda do ataque, onde rompia a linha de marcação levando vantagem sobre Geovane.

No meio-campo, o trio de volantes do Remo (Djalma, Dedeco e Yuri) produzia exibia mais atitude sobre a trinca bragantina formada por Eneilson, Lukinha e Keoma. O problema é que nos dois times a marcação prevalecia sempre sobre a criação, tornando o jogo feio e muito travado.

As condições do campo do Diogão, com uma imensa área enlameada que comprometia quase a metade do gramado, atrapalharam e interferiram na qualidade da partida. Conduzir a bola se tornou um exercício de perícia e equilibrismo. Jogadores mais habilidosos, como os meias Douglas Packer e Marco Goiano, quase não participavam das ações.

O grande lance do 1º tempo veio aos 23 minutos, quando Fidélis chutou de fora da área fazendo Vinícius se esticar para uma defesa difícil. Apesar da insistência com Fidélis, o Braga não mantinha a regularidade no comando do ataque, onde Tony Love era anulado pelos defensores azulinos.

Somente aos 26 minutos a presença do centroavante foi notada, quando ele desviou na trave um cruzamento de Marco Goiano, mas a jogada já havia sido invalidada por impedimento. O Braga cometia erros seguidos de passe, se atrapalhava na transição, mas encurralava o Remo sempre que chegava às proximidades da área.

Aos 37’, outra chegada perigosa do Bragantino terminou nas mãos de Vinícius após finalização de Lukinha. O lateral Bruno Limão construiu a jogada pela direita, mas o volante chutou fraco.

Para o segundo período, o técnico Agnaldo de Jesus adiantou o time e impôs uma meia pressão na saída de bola do Remo. Goiano, Fidélis e Esquerdinha apareciam bem, levando o Bragantino ao ataque.

O zagueiro artilheiro Gabriel Gonçalves deu o ar da graça aos 11’, cabeceando sobre a trave remista. Dois minutos depois, Romário, o outro beque do Braga, quase alcançou cruzamento rasante de Bruno Limão. Vinícius saiu e agarrou, mas Fidélis havia tocado com a mão na bola.

Aos 15’, cansado, Marco Goiano foi substituído por Rafinha, que se posicionou mais à frente, como um terceiro atacante. Agnaldo faria logo depois outra mexida, trocando Tony por Mauro Ajuruteua. O Braga ficou mais encorpado ofensivamente, ganhando força no centro do ataque.

Edno, pouco notado até aquele momento, bateu forte na bola aos 21’, mas Esquerdinha desviou para escanteio. O lance mexeu com os azulinos. Um minuto depois, Douglas chutou da entrada da área e a bola fez uma curva, dificultando a defesa de Axel. Ele rebateu nos pés de Dedeco, que não conseguiu aproveitar a oportunidade.

Márcio Fernandes começou a mexer no time e substituiu Dedeco por Diogo Sodré e Edno por Mário Sérgio, buscando explorar mais as jogadas de contra-ataque. O problema é que o Bragantino se mantinha preso à marcação na frente da zaga, evitando se arriscar e abrir espaços defensivos.

Agnaldo ainda buscou um último esforço para pressionar o Remo, colocando Arian Taperaçu ao lado de Ajuruteua, mas a pouca inspiração na origem das jogadas dificultava o aproveitamento da dupla de centroavantes. No Remo, Gustavo foi substituído por Emerson Carioca.

Quando os times já se conformavam com o empate, Douglas cruzou na área e a zaga pôs a escanteio. Sodré cobrou e Emerson se meteu entre os zagueiros para cabecear no cantinho esquerdo do gol de Axel, aos 48’.

A vitória dá aos azulinos boa vantagem no mata-mata e derrubou o técnico Agnaldo, cuja demissão foi anunciada no começo da noite.

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Papão busca manter a pegada e a invencibilidade

Na outra chave das semifinais, o Papão entra em campo hoje à noite contra o Independente, em Tucuruí. Apesar de favoritos, pela invencibilidade e a melhor campanha, os bicolores terão um confronto difícil pela frente. O Galo Elétrico tem Charles Guerreiro no comando e Dedé e Fazendinha como destaques em campo.

Depois da vitória sobre o Águia na rodada final da fase de classificação, o técnico Léo Condé pega outro jogo decisivo pela frente em menos de cinco dias. Nas entrevistas, demonstra confiança na qualidade do elenco e dá a entender que o time pode ter mudanças de ordem tática.

A escalação do Papão não deve ter muitas alterações, mas o ataque pode ser reconfigurado: reserva há quatro rodadas, Paulo Rangel pode recuperar a titularidade e Elielton tem chances de substituir Vinícius Leite.

Elielton, que readquiriu confiança nos últimos jogos, passa a ter a ameaça de uma sombra e tanto: Pimentinha, que foi muito bem no Botafogo-SP em 2018, está perto de se transferir para o Papão. E o ex-azulino tem um aval de peso: Condé era o técnico do time paulista na temporada passada.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 04)

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