Papão passa a priorizar organização

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POR GERSON NOGUEIRA

Léo Condé botou a mão na massa na quinta-feira, um dia depois de ser apresentado como novo técnico do Papão. Foi o primeiro contato de campo com o elenco de 29 atletas para as orientações iniciais referentes ao decisivo jogo de amanhã contra o Águia, em Marabá.

Virtualmente classificado, o Papão precisa de um empate para assegurar a primeira colocação no grupo A2, condição importante quanto à ordem dos jogos da fase semifinal, garantindo a segunda partida em casa.

Na entrevista que marcou seu ingresso oficial no clube, Condé repetiu as frases feitas e clichês que a maioria dos técnicos não se furta de usar nessas ocasiões. Juras de empenho máximo, elogios à instituição, acenos calorosos à torcida e motivação em nível estratosférico.

De importante mesmo foi a afirmação de que entra em cena disposto a melhorar a performance da equipe para a reta decisiva do Estadual, sem perder de vista as responsabilidades com a Série C.

Disse que recebeu um relatório do auxiliar técnico permanente Leandro Niehues com dados coletados pelo departamento de análise. Serão três sessões de treinamento para o confronto em Marabá e, antes mesmo de pesquisar sobre o Águia, caberá a Condé conhecer mais sobre o próprio elenco que tem nas mãos.

Uma prova da afinação entre o novo comandante e os princípios estabelecidos pela diretoria do clube foi a declaração de Condé quanto às funções que o técnico do PSC deve priorizar: organização ofensiva e defensiva e qualificação nas transições e bolas paradas.

Com parceiros profissionais como Henrique Furtado, analista de desempenho, e Renato Negrão, auxiliar técnico, que o acompanham há anos, Condé comanda uma comissão técnica que estará empenhada em pautar os passos da equipe nas competições da temporada.

Quem esteve atento aos dois primeiros treinos dirigidos por Condé na Curuzu observa que o técnico nutre especial apreço por treinos táticos. Nos dois exercícios, deu atenção também a cobranças de escanteio, faltas e finalizações.

Na comparação direta com o antecessor, João Brigatti, pequenas diferenças começam a ser notadas, sendo a mais cintilante delas a preocupação com a organização tática.

Para o confronto de amanhã em Marabá, é provável que a equipe tenha muitas semelhanças com o time comandado por Leandro Niehues no Re-Pa. Dúvidas maiores se localizam no ataque, onde Paulo Henrique e Paulo Rangel disputam a titularidade e Elielton pode substituir Vinícius Leite como atacante de lado.

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Cidadania e direitos através do esporte

Com amplo evento programado para a Escola Barão de Igarapé Miri, no Guamá, denominado “Mulher em Ação”, a Seel une esportes e cidadania em benefício da população mais humilde, focando no mês dedicado aos direitos da mulher. A ação começa às 8h deste sábado, com emissão gratuita de documentos, corte de cabelo e maquiagem, com direito a verificação de pressão arterial, exame de glicemia, avaliação física e aula fitness para atletas amadores.

A programação terá também um momento de embelezamento, realizado pela Hinode Cosméticos. Já os serviços de orientação jurídica também estão sob a responsabilidade da equipe da Seel, que terá no evento o apoio da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh).

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Desabafo justo e honesto do velho Giva

“O único motivo que eu vejo é porque eu sou do lado de lá. Eu tenho na minha cabeça que existe o preconceito, sim. Não teve treinador com os títulos que eu tenho no futebol brasileiro. Por tudo que eu ganhei, por tudo que eu fiz e ainda estou fazendo no futebol, tenho certeza que se eu não fosse de lá eu tinha trabalhado logo, logo num time de ponta”. A frase simples e direta é de Givanildo Oliveira, a quem a torcida paraense conhece bem, pelos bons serviços prestados à dupla Re-Pa desde os anos 90.

Ele deu essa declaração, irretocável sob todos os pontos de vista, a um repórter do UOL. Na matéria, ele diz ter notado que alguma coisa atrapalhava seus passos na Primeira Divisão brasileira quando cravou seis títulos em dois anos e meio de trabalho no Papão, no início dos anos 2000.

As conquistas mais importantes foram o Brasileiro da Série B, a Copa Norte, a Copa dos Campeões e a classificação à Libertadores de 2003. “Eu disse: ‘agora vai’. Principalmente, quando ganhamos do Cruzeiro na final (da Copa dos Campeões). Já tinha ganhado do Palmeiras e do Bahia. ‘Acho que agora vai’. Não recebi um convite”, afirma o veterano treinador.

Na real, só surgiu um convite oficial de um dos grandes nacionais. Veio do Flamengo, que fez sondagem quando ele ainda dirigia o PSC. O papo não prosseguiu porque a diretoria rubro-negra soube que ele não aceitava interferências no trabalho, nem permitia pitacos na escalação do time.

Atual campeão paraense pelo Remo, Givanildo deixa claro na matéria do UOL a importância que dá ao futebol do Pará, com ênfase no período glorioso à frente do Papão. As principais façanhas de sua vitoriosa carreira aconteceram nessa época.

Recomendo a leitura. Givanildo é um dos decanos do futebol brasileiro e merecedor do respeito de todos pela seriedade com que trabalha.

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 30)

4 comentários em “Papão passa a priorizar organização

  1. Nesta sociedade tão hipócrita e elitista duas coisas depõe contra Giva:
    1) é nordestino;
    2) é negro.
    Se fosse branco e sulista, teria ido longe.
    Preto jogador, está tudo bem. Já preto em cargo de comando…

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  2. De pleno acordo, meu camarada. Giva pagou um alto preço por ter essa origem. Oswaldinho da Cuíca, enganador de marca maior, se deu muito bem e é só um exemplo das muitas injustiças que se vê no futebol brasileiro.

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  3. Com todo respeito, mas se é pra comparar Givanildo com alguns enganadores que surgiram e desapareceram à toa, então, o problema dele não é só preconceito. Ele tem muito pouco a contribuir para a melhora do nível técnico/tático do nosso anacrônico futebol

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  4. Está no DNA desta sociedade que o afrodescendente está destinado a exercer as ocupações mais simples, reservando os cargos de chefia aos barões e seus descendentes.
    Assim sendo, considera-se normal jogador de futebol negro. Mas sua atuação fica por aí. Técnico de futebol, a muitos tratam de professor, ainda é um cargo em que o preto é exceção.
    Ainda se Giva fosse gaúcho, como o Celso Roth, ainda ia. Mas é nordestino, cuja imagem está associada ao retirante.

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