A força que vem do interior

POR GERSON NOGUEIRA

O campeonato estadual é, reconhecidamente, um dos piores dos últimos anos. Times que não convencem, nenhum grande jogo até agora e baixa média de gols. Aliás, o principal artilheiro é um lateral-direito, o que diz muito do nível geral da competição e da fraqueza dos ataques.

Michel, do Paragominas, é o líder da artilharia, com cinco gols marcados. Na segunda colocação, aparecem dois meias, William Fazendinha (Independente) e Alexandre (São Francisco), com quatro gols.

Na terceira posição, com três gols, surgem finalmente os atacantes de ofício, mas a hegemonia interiorana é mantida, com Joãozinho (Independente), Gabriel (Bragantino), Junior Rato (Águia) e Mariano (Tapajós).

Nada contra o destaque obtido por jogadores dos clubes do interior, mas não deixa de ser uma situação surpreendente, pois a dupla da capital contratou mais de uma dúzia de atacantes. No PSC, o elenco tem oito jogadores de ataque. O Remo tem seis.

Até agora, a duas rodadas do fim da fase classificatória, os reforços dos grandes clubes não deram as caras. Ainda não exibiram a esperada superioridade técnica (correspondente aos ganhos salariais) sobre os jogadores nativos ou regionais.

O bicolor Paulo Rangel ensaiou abrir frente, mas ficou nos dois gols marcados nas primeiras rodadas. No caso do Remo, David Batista tem rendimento ainda mais pífio: não balançou as redes até agora. Gustavo Ramos salva a lavoura, com os dois gols marcados contra o Independente.

Vai daí que o destaque obtido pelos jogadores dos times interioranos começa a chamar atenção de Remo e PSC. Durante a semana passada, surgiram especulações sobre o interesse manifestado por João Brigatti em Michel e Alexandre. Como o técnico foi demitido, não se sabe como o clube avalia a situação.

No Remo, o presidente Fábio Bentes disse ontem que acompanhou o jogo Tapajós x Bragantino, quarta à noite em Santarém, e gostou da atuação de Fidélis, atacante de lado que vem fazendo bons jogos pelo time de Bragança. Bentes elogiou também Michel, o ala goleador do Paragominas, e disse que o clube pretende contratar jogadores regionais para a Série C.

Ponderou, porém, que muitas vezes a atuação vista em clubes medianos não se confirma nos grandes da capital. O próprio Remo já passou por isso recentemente, com jogadores como Léo Rosa, Jaquinha e Bruno Limão. De toda sorte, o Parazão das decepções vem se salvando pela aparição individual de atletas esquecidos ou pouco valorizados na capital.

Além dos já citados Michel, Alexandre e Fidélis, merecem citação os atacantes Mariano e Jackie Chan (Paragominas), o meia Fazendinha (Independente), o volante Ricardo Capanema (Bragantino) e o zagueiro Allison (Castanhal). Não ficam nada a dever em comparação com alguns dos contratados pela dupla Re-Pa.

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Um auxiliar acostumado a quebrar galhos

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Depois de 25 anos de estrada, o paranaense Leandro Niehues já se acostumou a situações de interinidade. Quebrou galhos em vários clubes, incluindo o Atlético-PR, e agora chegou a vez de comandar o Papão à beira do gramado contra o Remo no próximo domingo.

Desde que o atual elenco começou a treinar, a 2 de janeiro, Leandro teve envolvimento direto com os preparativos, como auxiliar técnico permanente do PSC. No Re-Pa, ele será coadjuvado por Henrique Bittencourt, analista de desempenho.

Quando João Brigatti foi demitido, domingo, Leandro foi imediatamente chamado a comandar os trabalhos, já dentro das diretrizes que o comitê de análise e desempenho entende como prioritárias para que o time comece a ter um rendimento à altura da expectativa criada.

Ele admite que muita coisa que está repassando aos jogadores já era prática comum anteriormente. A ideia é valorizar os pontos positivos e corrigir aspectos que são vistos como deficientes.

Alinhado com os princípios estabelecidos pela nova diretoria para o futebol profissional, Leandro tem a vantagem de se relacionar muito bem com os 29 atletas. Justamente por conhecer bem as condições do elenco, pode-se dizer que com ele os melhores serão escalados para o clássico.

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Seleção de Tite inova na camisa 10

Contra o brioso Panamá, amanhã, a Seleção Brasileira promete algumas façanhas. Tite e seus meninos forjados no discurso da neurolinguística. As novidades começam com a entrega da camisa 10 a Paquetá, uma evidente afronta à longa tradição – desde Pelé – de que apenas craques indiscutíveis podem ser seus usuários. Por esse ponto de vista, Philipe Coutinho poderia ser o escolhido. Enfim, seja o que Deus quiser.

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Uma tradição que não decepciona jamais

O grande Xico Sá lembra que, em meio ao naufrágio das instituições nacionais, uma não decepciona nunca.

O Íbis, cumprindo a saga de pior time do mundo, orgulhosamente perdeu outra ontem: 0 a 1 para o Vera Cruz.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 22)

Um comentário em “A força que vem do interior

  1. Sem querer ser chato, mas já sendo, faço as seguintes observações. Nas duas vezes que vi esse Fazendola jogar achei que está mais para um sitiozinho bem modesto; o Michel da pinta que será um Leo Rosa amanhã; o Jackie Chan parece tão atrapalhado quanto o homônimo hollywoodiano. Mas esse Fidélis, sim, leva jeito, assim como o Alexandre, o Alisson e aquele zagueirão do Bragantino cujo nome não lembro.
    Quanto ao Paquetá de camisa 10, trata-se de escárnio compará-lo ao Pelé, até mesmo porque já tivemos eventuais ocupantes da dita cuja bem abaixo do que atualmente joga o milanista, inclusive o esquenta banco Felipe Coutinho, hoje tão desnecessário na seleção quanto o Gabriel Jesus, este titular absoluto do time misto do Manchester City.
    Por fim, tenho sérias desconfianças que o interino está sendo preparado pra ser efetivado. dependerá muito do resultado do clássico de domingo. Se prevalecer a mística que envolve jogos dessa natureza, onde o eventualmente mais combalido busca forças sobrenaturais para forçar o equilíbrio, provavelmente ele volta à interinidade no dia seguinte.
    Agora, se a racionalidade conjuntural prevalecer e o Papão demonstrar a superioridade que ostenta desde o primeiro jogo, então, o interino corre o risco de ser a solução tipo Atlético Paranaense. Aguardemos.

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