Força da grana ajudou delatores da Lava Jato a obter penas mais brandas

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Por Ricardo Balthazar, na Folha SP

A Lava Jato se transformou ou já nasceu para ser uma das quadrilhas de lavagem de dinheiro e de extorsão mais bem sucedidas do mundo.
De um lado, bastou aos empresários fazer uma delação sob encomenda e pagar uma módica taxa (pelos padrões dos super bilionários), a fim de obter a liberdade e a maior parte da fortuna roubada, para viver tranquilamente como rentistas.
Nos subterrâneos do sistema, fortunas foram feitas pelos promotores, juízes, policiais federais e advogados envolvidos, na maioria das vezes ligados por relações de parentesco ou amizade íntima. Do nada, um grupo obscuro de operadores jurídicos do Paraná se transformou em uma das principais forças políticas e econômicas do Brasil.
Outro resultado obtido foi o desmantelamento dos dois setores industriais mais vigorosos do país: a cadeia de petróleo e gás, assim como o setor de infraestrutura.
A cadeia do petróleo e gás, com a descoberta do pré-sal, apontava para levar o Brasil definitivamente para o patamar de potência mundial – sempre lembrando que Dilma pretendia levar a maior parte dos recursos obtidos para a educação. Assim, além do estímulo à indústria produtiva brasileira com a política de conteúdo nacional, o investimento inédito na educação faria o Brasil superar rapidamente o gap tecnológico, que separa o país das principais nações do planeta.
De outro lado, a armadilha da preservação da maior parte do patrimônio dos empresários corruptos, associada à virtual destruição das corporações do ramo industrial mais competitivo do país, provocou um golpe violento em um dos mais potentes motores da economia brasileira. É bom lembrar que, se os empresários são corruptos, ao atuarem como a imensa maioria dos executivos de todo o mundo, as suas organizações, compostas por milhares de profissionais sérios e bem formados, não são corruptas. Essas organizações formadas ao longo de décadas acumularam imenso volume de experiência e conhecimento técnico, que fazia com que superassem em concorrências internacionais corporações de todo o mundo.

Com sua atuação internacional e no Brasil, essas organizações já haviam iniciado a diversificação de suas operações. Algumas delas optaram por aproveitar as oportunidades suspeitas oferecidas pelas privatizações, como a AG, que se tornou uma sócia pesada e desnecessária da Cemig. Mas outras, como a Odebrecht, estavam preferindo avançar no negócio de inovação e alta tecnologia.

O grupo baiano, por exemplo estava investindo, criando ou adquirindo iniciativas de alta tecnologia, nas avançadas indústrias de mísseis, aviônicos, construção naval militar, radares e eletrônicos avançados. Com o debacle da Lava Jato, a Odebrecht foi obrigada a vender esses ativos para grupos israelenses e estadunidenses.

Independente do tipo de investimento que as empresas de infraestrutura estavam fazendo, eram grupos poderosos, que projetavam a influência do Brasil mundialmente e com elevado valor agregado. Dessa forma, também eram importantes motores da economia brasileira.
A destruição desses dois sistemas – petróleo-gás e infraestrutura -, que provoca duríssimos danos à indústria produtiva (sendo responsável pela desindustrialização acelerada do país); é responsável pelo desemprego de milhões de profissionais do mais alto nível. É uma catástrofe tão violenta, que reduz a capacidade competitiva da economia brasileira àquela dos anos pré Juscelino Kubitschek.
Acasos nessa dimensão épica, capazes de desestruturar a economia de um país que rondava o quinto posto, entre as maiores economias do planeta, não são comuns de acontecer. Parece uma ação planejada e executada com operacionalidade perfeita contra o Brasil. Uma ação, que contou com uma alavanca imperceptível no início do processo, mas que se revelou fundamental: a estranha organização cujo nome fantasia é Lava Jato.

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