Morre o gênio Stanley Donen, diretor de “Cantando na Chuva”

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Ele foi uma das últimas figuras da Era de Ouro de Hollywood. Stanley Donen, que morreu na quinta-feira aos 94 anos, revolucionou o gênero musical ao fazer Gene Kelly girar em torno de um poste em “Cantando na Chuva” e colocar Fred Astaire dançando no teto de um quarto de hotel em “Núpcias Reais”.
Em 1998, o ex-bailarino e coreógrafo recebeu um Oscar de Martin Scorsese pelo conjunto de sua obra “marcada pela graça, elegância, humor e inovação visual” de um gênero agora considerado com nostalgia.
O mestre da alegria de viver na tela, então com 73 anos, deu alguns passos de sapateado abraçado com a estatueta de ouro, diante dos aplausos de astros e estrelas.
“Todos esses musicais são coisa do passado”, declarou ele ao New York Times em 1996. “Se voltarmos hoje à cena em que Gene Kelly está dançando na chuva, ele olharia para todos os lados com medo de ser preso pela polícia”.
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Nascido em 13 de abril de 1924 em Columbia, Carolina do Sul, Stanley Donen, quando jovem, enganava o tédio dançando e indo muito ao cinema.
Aos 9 anos, ele descobriu Fred Astaire conduzindo Ginger Rogers em uma frenética cena de dança de “Voando para o Rio” (1933). O ator e dançarino se tornaria seu ídolo. O menino então consegue que seus pais os matriculem em um curso de dança.
Aos 16 anos, ele deixa Columbia e vai para Nova York na a esperança de trabalhar com dança. Faz sua estreia na Broadway em 1940, no coro de “Pal Joey”. A estrela do show era Gene Kelly.
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No exterior
Os dois acabaram se unindo para tornar clássico um gênero capaz de expressar alegrias ou tristezas através de passos de dança e piadas leves que diminuíam o peso da vida cotidiana.
Em 1949, atuam juntos e “Um Dia em Nova York”: muito moderno para a época, este musical com Fred Astaire, que foi quase todo rodado ao ar livre pela primeira vez, marca uma evolução do gênero que estava em processo de sair de moda.
Depois de “Cantando na Chuva” (1952), obra-prima aclamada por unanimidade quando Donen tinha apenas 28 anos, a dupla se reúne pela última vez com um terceiro filme co-assinado em 1955, “Dançando nas nuvens”.
“Donen levou o musical em uma direção brilhante e pessoal: ele não apenas se atreveu a transpor os cenários dos estúdios para o lado externo, como também era capaz de filmar com a mesma liberdade que em ambientes fechados”, afirma o historiador de cinema David Thompson em seu American Film Dictionary.
O diretor assinou filmes mais pessoais: o fluido e poético “Procura-se uma estrela” (1953), o faroeste musical “Sete noivas para sete irmãos” (1954), e “Cinderela em Paris” (1957), com Audrey Hepburn e Fred Astaire.
Donen também inovou em “Charada” (1963), com Audrey Hepburn e Cary Grant, e “Arabesque” (1965), que combinam reviravoltas intrigantes e estilo deliberadamente cínico.
Ele então assinou mais três filmes pessoais com “Um Caminho para Dois” (1967), “O Diabo é meu sócio” (1967), paródia estrelada por Peter Cook e Dudley Moore, e “Os delicados” (1969), estudo da desintegração da relação de um casal homossexual.
Seus trabalhos começam a diminuir e se aposenta do cinema depois de “Feitiço do Rio” (1984). Pai de três meninos, ele se casou cinco vezes e teve um breve romance com Elizabeth Taylor.
Sua morte foi confirmada neste sábado no Chicago Tribune por um de seus filhos.

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