Efeito do “pacote da bala”: cidadão de bem mata taxista a tiros por motivo banal

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Um crime bárbaro chocou a cidade de João Pessoa (PB) no fim da tarde desta sexta-feira (15). O corretor de imóveis Gustavo Teixeira Correia, 43, tirou a vida do taxista Damião dos Santos, de 42 anos. O assassinato aconteceu em um horário de grande circulação de pessoas na frente de um supermercado e de uma escola em um bairro nobre da capital paraibana. Tudo foi registrado por testemunhas e câmeras de segurança.

Segundo a Polícia Militar, a motivação do crime teria sido uma discussão de trânsito. No entanto, imagens mostram (ver abaixo) que o bate-boca não durou mais do que 10 segundos.

Pragmatismo Político conversou com funcionários do Supermercado BeMais. Eles afirmaram que houve uma pequena troca de xingamentos entre os homens, até que Gustavo Correia saca a sua arma e dispara vários tiros contra o taxista à queima roupa, sem chances de defesa.

Nas imagens, que foram gravadas pelo sistema de câmeras da escola, é possível ver que o taxista Damião tentava estacionar o carro em frente ao supermercado, em uma vaga reservada para táxis. Gustavo Correia estava no banco do passageiro no veículo branco que vinha imediatamente atrás. Ele se incomoda com a manobra feita pelo taxista e desce do carro para tirar satisfação com Damião. Segundo a PM, Gustavo estaria voltando para casa, alcoolizado.

A Polícia Militar informou que Damião dos Santos foi alvejado por três tiros. Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, mas não resistiu aos ferimentos.

A casa de Gustavo Correia fica a pouco mais de 200 metros do local do crime. Depois de matar o taxista, ele correu para a sua residência e se trancou no imóvel, onde estava a sua esposa. O corretor apagou as luzes da residência, a polícia foi acionada e iniciou-se uma negociação para que o homem se entregasse. Pelo menos 15 viaturas policiais apareceram no local, incluindo o Grupo de Operações Especiais. Toda a rua foi isolada.

A esposa de Gustavo, que seria advogada, tomou a frente das negociações. Depois de pelo menos três horas, o homem decidiu se entregar. Populares reagiram: “assassino!”.

As redes sociais de Gustavo Correia foram todas bloqueadas ainda na noite desta sexta-feira (15), provavelmente durante as negociações com a polícia. Na internet, o homem se autoproclamava um cidadão de bem e posava com armas de fogo. A única rede de Gustavo onde ainda é possível obter alguma informação a seu respeito é o Instagram, embora todas as imagens já tenham sido removidas.

“Gestor hospitalar, Técnico em Radiologia, Corretor de Imóveis, Atirador Desportivo, Atleta de Musculação e Apreciador de uma boa cerveja”, diz o perfil do criminoso no Instagram.

Em João Pessoa, o crime repercute. “Teria esse cidadão de bem agido por escusável medo, surpresa ou violenta emoção?”, questiona uma internauta. “Sujeito rico, mora em uma bela casa no Bessa, bairro nobre. Logo mais vai ficar solto, enquanto o pai de família está preso numa cova. Esse é o Brasil”, desabafou outro usuário.

“Mais uma vez em briga de trânsito o cidadão armado acha que é dono do mundo. Mais uma vez a arma acabou com a vida de um ser humano”, lamentou outro. “Não entendi porque a PM, o BOPE, o GATE e o Exército para prender um só assassino. Se fosse numa periferia qualquer, eles invadiriam a casa. Mas como é no Bessa…”, observou mais uma internauta.

Durante a madrugada deste sábado (16) na delegacia, um grupo de manifestantes, familiares, amigos e vários taxistas fizeram um protesto cobrando Justiça pelo crime que aconteceu de forma banal em plena luz do dia.

2 comentários em “Efeito do “pacote da bala”: cidadão de bem mata taxista a tiros por motivo banal

  1. Não houve discussão nenhuma, o alterado cidadão de “bem” covarde e armado, e ” mamado”, não pensou duas vezes antes de descarregar sua arma sobre a vítima.
    Um crime covarde e nojento destes que se acham acima do bem e do mal.
    Lembro que de quando morei em Itaituba, lá ouvi uma história sobre o que os motoristas fizeram com um assassino covarde semelhante a este de João Pessoa, sorte dele não ter cometido isto em terras paraenses.

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  2. Um crime próprio destes tempos de liberou geral no uso de armas. Qualquer perturbado pode ter até 4 armas de fogo à sua disposição. Não é um país, parece um saloon do Velho Oeste.

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