Leão perdeu mais que um jogo

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo ainda tenta assimilar as perdas decorrentes da eliminação na Copa do Brasil por um adversário reconhecidamente limitado. Além do prejuízo técnico, o clube ficou sem a cota de R$ 625 mil que ganharia pela classificação à segunda fase e deixou escapar a arrecadação do jogo com o Vasco em Belém, que poderia render em torno de R$ 800 mil. E ainda há o risco de queda na venda de ingressos para o Re-Pa de domingo.

Para um clube que atravessa séria crise financeira, resultante de equívocos acumulados ao longo de gestões passadas, perder de uma só tacada quase R$ 1,5 milhão é um baque e tanto, pois limita o alcance do esforço de recuperação financeira.

Antes do jogo, o departamento jurídico havia conseguido suspender o bloqueio de 30% das rendas pela Justiça do Trabalho. A partir de agora, o Remo precisará apostar todas as fichas na campanha pelo bicampeonato estadual, única forma de garantir arrecadações que ajudem a manter os salários em dia até o começo do Brasileiro da Série C.

Uma atitude extremamente pedante é apontar erros depois que eles acontecem. Quando o time foi definido para o jogo contra o Serra-ES é justo admitir que a aprovação foi quase unânime, levando em conta os bons resultados obtidos pelo time no Campeonato Paraense.

Com a bola rolando, as escolhas se mostraram equivocadas. Welton e Dedeco pouco fizeram para barrar a movimentação do adversário junto à área, deixando Robson sobrecarregado na vigilância a Rael e Lessinho, a dupla de ataque do Serra. Robson acabou expulso no reinício da partida, comprometendo ainda mais a atuação geral do time, mas cabe notar que a expulsão o volante não foi a razão maior da derrota.

Com o placar favorável ao Serra, a situação se inverteu porque a equipe capixaba se retraiu oferecendo campo ao Remo. E aí veio à tona aquele que é o maior problema do atual time azulino: a falta de criatividade na meia-cancha e a ausência de articulação com o ataque.

Tais carências justificam a estratégia defendida por Netão de atrair o adversário para depois sair em contra-ataque, no que ele chama de “saber sofrer”. O perigo contido nesse formato é que, em caso de sofrer gol, o time nem sempre terá força e qualidade para reverter.

Outro aspecto a ser observado diz respeito às substituições. Netão fez três mudanças. Diogo Sodré entrou no meio, sem acrescentar nada. Henrique substituiu Gustavo, que era o melhor atacante. David Batista, opção para o jogo aéreo, foi o último a entrar e Mário Sérgio, o menos produtivo e mais errático dos atacantes, foi mantido do começo ao fim. Ninguém entendeu.

Um dia depois do desastre, o técnico mostrou maturidade ao assumir a responsabilidade pela derrota, procurando preservar os jogadores. Acertou em cheio. É a postura que se espera de um líder em momentos de dificuldade e cobranças exacerbadas por parte do torcedor.

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Papão atravessa tempo de calmaria e tranquilidade

Ao contrário do rival, que retoma preparativos para o clássico ainda acabrunhado pela derrota na Copa do Brasil, o Papão aproveita integralmente a semana treinando com afinco, corrigindo falhas e recuperando jogadores para a batalha de domingo.

Nem mesmo o empate em Castanhal e o princípio de confusão criado com a rescisão de Caion por desavenças com o técnico João Brigatti afetaram o ambiente de tranquilidade no clube.

Até mesmo a dúvida quanto às condições de Perema e Douglas Silva, que se recuperam de lesões, não abala os planos de Brigatti, visto que o time não conta com eles desde o começo do Parazão.

Na prática, a equipe considerada titular não tem problemas para o primeiro grande jogo da temporada. A única dúvida é se o meia-armador Tiago Primão será lançado ou não contra os remistas. Pelo que se observa das atuações de Leandro Lima, Primão tem boas chances de estrear.

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Hora de enfrentar boataria e tranquilizar a torcida

Os promotores do Ministério Público do Estado concedem entrevista coletiva hoje, para prestar esclarecimentos sobre os laudos técnicos que liberaram o estádio Jornalista Edgar Proença para o Re-Pa.

Joana Coutinho, Nilton Gurjão e Domingos Sávio certamente irão aproveitar a ocasião para contestar as fake news que tentam criar um clima de alarmismo e insegurança em relação ao estádio estadual.

É oportuno que o MPE se manifeste, a fim de tranquilizar a torcida e evitar que a boataria irresponsável coloque em dúvida a seriedade de órgãos públicos respeitados.

Igualmente válida é a iniciativa dos presidentes Ricardo Gluck Paul e Fábio Bentes, que irão apresentar planos importantes de suas gestões. O Papão se mobiliza para construir o centro de treinamento. O Remo luta para recuperar o Baenão.

Ambos irão também enviar uma mensagem de apelo pela paz entre as torcidas, a fim de garantir que a rivalidade se limite ao campo de jogo. A atitude, inédita na história recente do clássico, já constitui importante e poderoso exemplo.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 15) 

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