Uma dupla na encruzilhada

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POR GERSON NOGUEIRA

A presença no noticiário recolocou na ordem do dia as carreiras de Paulo Henrique Ganso e Neymar, amigos e ex-parceiros de Santos. O primeiro recebeu, depois de uma década de indiferença, a aclamação pública que torcedores só dedicam a grandes craques. Foi recebido em delírio e carregado nos ombros pela torcida do Fluminense no aeroporto do Rio.

Neymar ganhou os holofotes, como sempre gosta de fazer, pela festa nababesca para centenas de convidados, realizada em luxuoso salão da feérica avenida Champs Elysée, em Paris. Como de hábito, o craque usou e abusou da grana, das cores e da música ruim, juntando em torno de si uma caótica fauna de bajuladores e subcelebridades.

Nem se precisa ir fundo na análise dos fatos para notar que Ganso está diante daquela que pode ser a última oportunidade de renascimento na carreira. Depois de jornadas pouco expressivas em São Paulo, Sevilha e Amiens, ele tem o desafio de voltar a jogar em alto nível defendendo uma camisa tradicional.

Mais que isso, Ganso terá como mentor um dos poucos treinadores brasileiros realmente inventivos. Fernando Diniz ganhou notoriedade pela maneira diferenciada como monta seus times. Seus métodos ainda são questionados pelos mais pragmáticos, mas é consensual que representa um saudável sopro de inquietude no universo boleiro do Brasil atual.

Ganso pode se beneficiar disso, pois é dono de técnica apurada na condução de bola e na execução de lançamentos. Por outro lado, é fato que o meia paraense perdeu espaço e prestígio pela exagerada lentidão e baixa participação nas ações em campo. Daquele médio altivo e resoluto, que jogava de cabeça erguida, no Santos de 2008 e 2009, pouco ou quase nada tem sido visto desde que foi ignorado por Dunga na convocação para a Copa do Mundo de 20120.

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Neymar, ao contrário, empreende uma caminhada ambiciosa e expressiva desde aqueles tempos. Aprimorou qualidades naturais, como o chute e os dribles, mas guarda semelhanças com o velho amigo quanto ao comprometimento.

É incontestável, ainda, que o jogador que protagonizou a maior transação da história do futebol europeu parece sabotar o próprio projeto ao se envolver em episódios menores, como as simulações em série, responsáveis pela onda mundial de rejeição e descrédito que sofreu ao longo da Copa da Rússia.

Assusta que Neymar e seu estafe não absorvam, de forma racional, a tempestade de críticas recebidas a cada novo evento ou declaração infeliz. Se é verdade que Neymar é o primeiro grande ídolo da bola a ser desafiado pela superexposição da era das redes sociais, não é absurdo observar que ele pouco se esforça para compreender a impopularidade que construiu na mesma proporção da fama conquistada.

Como ambos vivem momentos decisivos de suas caminhadas profissionais – Ganso com 29 anos e Neymar com 27 –, é lícito esperar que um sopro de maturidade esteja a rondar a dupla. Para Ganso, a ficha parece já ter caído. Sua alegria sincera com as manifestações da torcida do Flu é prova disso. Já Neymar, cujos sonhos incluem explicitamente a conquista da Bola de Ouro, os desafios são maiores, à altura de suas extravagâncias extracampo.

Poucos analistas acreditam em Ganso e na glória maior de Neymar, mas não se pode esquecer que o futebol é rico em histórias de reconstrução. A conferir.

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Brigatti entre Mota e Paulo Ricardo

O Papão convive com as dúvidas sobre o funcionamento de seu setor defensivo desde que o técnico João Brigatti optou pelo goleiro Mota e a dupla Mical-Vítor Oliveira na zaga. Apesar das vitórias que garantem a campanha 100% no Parazão, a torcida não tem poupado reclamações em relação a essas escolhas.

É quase unânime, nas arquibancadas e nas ruas, a convicção de que o zagueiro Perema não pode ser reserva e que Mota não é superior ao jovem Paulo Ricardo, que desde o ano passado (quando defendeu o Bragantino) pede passagem para a titularidade no gol alviceleste.

Devido a uma lesão, o reserva imediato Douglas Silva não poderá ser relacionado para o jogo com o Castanhal, o que deixa Paulo Ricardo mais próximo de vir a substituir Mota. Perema, ao contrário, só terá alguma chance quando Brigatti compreender que um jogador mais ambientado ao Parazão pode fazer bem à sua linha defensiva.

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Time mesclado pode abrir chance para Etcheverría

Os treinos indicam que o Remo jogará com um time bastante modificado em Tucuruí, amanhã, contra o Independente. O volante Vacaria poderá ser improvisado na zaga. Ronaell deve ocupar a lateral-esquerda. Dedeco pode voltar ao meio-campo e o meia-atacante Etcheverría, presença mais luxuosa no banco de reservas, pode finalmente estrear no Parazão.

Principal reforço da nova gestão, Etcheverría foi preterido na formação do time titular porque o técnico João Neto decidiu priorizar o modelo de jogo e encaixar jogadores que se adaptem melhor. Mesmo descartando qualquer problema de ordem física, ficou claro que o meia não faz parte dos planos iniciais do treinador.

O jogo contra o Galo Elétrico pode ser a oportunidade que Etcheverría tem para finalmente mostrar a que veio.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 08)

Um comentário em “Uma dupla na encruzilhada

  1. Caro jornalista, lúcida e correta sua análise sobre Ganso e Neymar. Pessoalmente, não acredito mais que ambos consigam jogar em alto nível, por razões diferentes. Acredito que ambos se acham em curva descendente em suas carreiras de jogador de futebol, sendo a situação de Ganso mais antiga nesse sentido. Ao assistir o clássico espanhol Real Madrid e Barcelona pela Copa do Rei, não há como deixar de admirar a entrega em campo de jogadores muito bem pagos e, por isso mesmo, dando o melhor deles no exercício de suas profissões. Mais admirável ainda é ver a estrela maior Lionel Messi sair do banco e correr em campo como um menino, não fazendo firulas ou jogadas de efeito desnecessárias e sabendo se livrar de eventuais botinadas de zagueiros cascudos como Sérgio Ramos, com jogadas velozes, dribles curtos e passes precisos e na hora certa, desarticulado os sistemas defensivos adversários. Essa é a postura de quem quer ser a estrela maior.

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