Pra se defender, ataque, Jardine, ataque!

Por Alberto Helena Jr.

Ninguém aqui quer arrasar o técnico Jardine porque ele é jovem e tal e cousa e lousa e maripousa. Mesmo porque trocá-lo por outro, mais experiente, no cenário nacional, é trocar seis por meia dúzia. Tampouco desejo endeusar Sampaoli como um prestidigitador que tirou o Peixe do fundo do poço para transformá-lo, num átimo, no melhor time do mundo.

Já fui jovem, meu amigo, acredite!, e, aos 19 anos de idade, era diretor de redação da extinta Interpress, a primeira agência de notícias não ligada a grandes órgãos de comunicação ou ao governo. E olhe que naquela época você entrava numa redação de jornal e só via cabeças brancas debruçadas sobre folhas de papel.

Hoje, é essa festa de juventude em todas as redações. Trata-se de um processo inevitável e não necessariamente bom ou mau. Há  jovens lerdos e velhotes espertos e vice-versa, meu endereço, como dizia o sábio Adonirã, o Velho.

O que questiono em Jardine, o técnico do São Paulo, não é a juventude, embora, é claro, um começo de carreira logo num time de tão gloriosa história mas que vive na seca há tanto tempo nunca é fácil. Questiono, sim, a falta de conexão entre seu discurso arejado, propositivo, no sentido de construir uma equipe agressiva, ofensiva, com altos índices de posse de bola, e o que se viu até agora do Tricolor sob o comando do moço.

Na Flórida, viu-se um time acanhado, com uma formação de meio de campo lenta e nem um pouco criativa, com três volantes etc.

No Paulistinha, no jogo da estreia, contra o Mirassol, idem com batatas ao longo de todo o primeiro tempo. No segundo, depois da expulsão de um adversário, aí, sim, o Tricolor desenvolveu um jogo nos padrões desejados e meteu quatro gols. Já na partida seguinte, voltou a ser amorfo nos dois tempos, apesar de ter marcado três gols, dois deles com inestimável colaboração do goleiro inimigo, Vagner.

Por fim, contra o Santos, o São Paulo foi completamente envolvido pelo time de Sampaoli, que apresentou um jogo fluente e incisivo bem de acordo com o discurso de Jardine.

Falta ao elenco tricolor jogadores capazes de reproduzir em campo o discurso do técnico?

Acho que não, sobretudo no nível do nosso futebol atual.

O que falta é o treinador sair da caixa, onde estão enfiados jovens e velhos de todas as idades, procedências, altos, baixos, loiros ou morenos, livrar-se das correntes do medo de ser dispensado (mais cedo ou mais tarde, o será, como é de praxe neste nosso futebol desamparado) e botar esse time pra quebrar, avançando sua marcação até o campo inimigo, armando um meio de campo mais leve e imaginativo e um ataque veloz e impetuoso.

Vai perder? Obviamente, vai. Pelo menos, até a equipe se entrosar com o novo conceito.

Mas, se jogar dessa forma, mesmo na derrota, deixará em campo a semente de esperança em algo mais agradável de se ver. A torcida, mesmo condicionada patologicamente ao resultado em si, acabará se rendendo também a essa novidade, pois ninguém resiste à sedução, meu.

Assim, o prazo de validade de Jardine, por certo, será estendido além da conta habitual.

Ou, seja: pra defender sua posição, nada melhor do que atacar.

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