Como perfeitos estranhos

POR GERSON NOGUEIRA

O torcedor do PSC está há dois meses sem ver o time em ação. Como não houve nenhum amistoso no período de preparação, a expectativa é grande em relação à estreia no Campeonato Estadual, hoje à noite, na Curuzu. O São Francisco vem treinando e jogando desde dezembro, mas as dúvidas quanto ao rendimento do novo time bicolor não excluem o favoritismo natural dos donos da casa.

É improvável que o Papão comece a competição dando show de bola, mostrando entrosamento e inovações táticas baseadas nos princípios básicos de posicionamento e evolução em campo que a gestão de futebol pretende ver na prática ao longo da temporada.

Seria injusto projetar uma apresentação soberba da equipe, mas é legítimo esperar que destaques individuais se sobressaiam. Dos dez novatos (Perema é o único remanescente de 2018 que deve ser titular) que entrarão em campo, as atenções se concentram em Paulo Rangel, Elielton e Nicolas, jogadores que têm um currículo mais vistoso que os demais.

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Elielton, ex-Remo e São Francisco, tem treinado no time titular e é um nome que chama atenção, até pela contratação inesperada. Não vinha bem desde que deixou o Remo no ano passado, mas entrou na cota das apostas regionais por ser um atacante de lado, especialista em contra-ataques.

As maiores dúvidas se concentram no meio-de-campo, onde Caíque Oliveira é dado como presença certa, mas o segundo volante pode ser Johnny Douglas, Galo ou William. Na criação, Leandro Lima pode ser o escolhido, mas João Brigatti não anunciou a escalação.

Retrato do atual momento do futebol regional, que se acomodou à condição de importador de pé-de-obra, a partida permitirá que a torcida seja apresentada a alguns perfeitos estranhos do total de 20 reforços trazidos pela diretoria de futebol. E, como se sabe, em certas áreas de atividade a primeira impressão conta bastante.

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Intolerância e rispidez não rimam com futebol

A violência e o desrespeito de funcionários do São Raimundo contra a equipe da TV Tapajós, domingo, logo depois do jogo contra o Águia, no estádio Barbalhão, em Santarém, remete a um tempo de trevas que se imaginava definitivamente superado nas relações entre imprensa e clubes no Pará.

Chamou atenção no episódio a rispidez vista nas cenas que mostram membros da comissão técnica e até assessores de imprensa colocando a mão na frente da câmera da equipe. Tentavam impedir a todo custo a filmagem de uma conversa entre o técnico Vladimir de Jesus com um grupo de torcedores.

O papo entre o treinador e a torcida parecia civilizado, tornando ainda mais incompreensível a destemperada reação dos funcionários do clube, com direito a agressões verbais e empurrões no cinegrafista Maurício Rebouças e na repórter Tatiane Lobato. Além disso, o equipamento chegou a ser retido impossibilitando que o trabalho fosse feito.

Pior ainda foi a manifestação da diretoria do Pantera, desculpando-se pelo ocorrido e atribuindo tudo a um mero “ruído de comunicação”. As imagens mostram justamente o contrário.

Ontem, reagindo às hostilidades, a emissora santarena lançou campanha em defesa de Tatiane. “Lugar de mulher é onde ela quiser”, diz a mensagem divulgada nas redes sociais. Tatiane é jornalista respeitada na imprensa esportiva de Santarém, com mais de 15 anos de exercício profissional.

Como o incidente foi público e grave, na medida em que configura inaceitável impedimento da atividade profissional, registre-se o firme posicionamento do Sindicato dos Jornalistas repudiando e cobrando providências contra a intolerância. Ao mesmo tempo, resta lamentar o silêncio ruidoso da Aclep, entidade representativa da crônica esportiva, que até ontem à noite não havia se manifestado.

A coluna se solidariza com os companheiros santarenos.

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Garotada vascaína impressiona pela técnica apurada

Jogadas inspiradas, dribles sensacionais, criatividade e passes certos sempre com intenção ofensiva. Não é da Champions League que estou falando. Refiro-me ao impressionante time sub-20 do Vasco, que ontem enfrentou o Corinthians pela semifinal da Copa São Paulo de Juniores.

A superioridade do time carioca em campo garantiu uma vantagem inicial de 2 a 0 com menos de 20 minutos de jogo. Perdeu várias chances de ampliar, abusou de certo preciosismo por parte de alguns jogadores mais habilidosos, como Lucas Santos, João Pedro e Bruno Gomes.

Mas, apesar do resultado final que dá a impressão de equilíbrio, o Vasco sobrou em campo, jogando sempre na bola e sem apelações. No segundo tempo, ainda perdeu um pênalti e mandou uma bola na trave, mas cedeu o empate num lance bobo.

Como o futebol sub-20 não deve ser avaliado por resultados ou conquistas, prefiro destacar a liderança técnica de Caio Lopes, um volante-meia de 17 anos e amplos recursos que levou o Vasco sempre à frente, com passadas largas e chutes de média distância.

Apesar de fustigar muito, envolvendo os corintianos, os vascaínos não foram precisos nas finalizações e a semifinal foi para os penais. O Vasco venceu a série e se classificou merecidamente para a decisão, mas o que ficou de significativo foi a descoberta dos promissores atletas que o clube da Colina tem em mãos.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 23)

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