Futebol de incertezas

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POR GERSON NOGUEIRA

Poucas vezes, pelo menos que eu lembre, o futebol do Pará recorreu tanto aos importados para a formação de elencos em início de temporada. Para o Campeonato Estadual que começa neste fim de semana, a dupla Re-Pa contratou até agora, em conjunto, 41 jogadores. Como o ano esportivo está apenas começando, é sensato esperar que os clubes contratem mais gente para o Campeonato Brasileiro da Série C.

O problema é que tal volume de apostas, se mantida a média dos últimos três anos, não é garantia de bons resultados em campo. Aliás, poucos atletas conseguem sobreviver nos clubes de um ano para outro. Pelo fraco rendimento, são descartados e abrem espaço para novas aquisições.

Da lista atualizada de jogadores anunciados pelos clubes, o placar deste Re-Pa da gastança aponta um forte equilíbrio quantitativo. O PSC trouxe até agora 20 atletas – Douglas Silva, Mota, Bruno Oliveira, Bruno Colaço, Micael, Vítor Oliveira, Alex Galo, Caíque, Jhonny Douglas, Marcos Antonio, Leandro Lima, Nicolas, Caion, Elielton, João Leonardo, Paulo Rangel, Felipinho, Paulo Henrique, Vinícius Leite e Tiago Primão (não anunciado oficialmente).

Como atenuante, vale lembrar que o clube promoveu um desmanche radical a fim de se adequar à nova realidade financeira, visto que perdeu receita expressiva com o rebaixamento à Série C.

O Remo, para não ficar por baixo, já contratou 21, um a mais que o tradicional rival: Thiago, Fredson, Rafael Jensen, Ronaell, Djalma, Geovane, Tiago Félix, Robson, Diogo Sodré, Samuel, Wallacer, Echeverría, Alex Sandro, Gustavo Ramos, Henrique, Mario Sérgio, David Batista, Emerson Carioca, Vitor Luiz, Welton e Vacaria.

Do lado remista não é cabível a justificativa de adequação financeira, como ocorreu entre os bicolores. O Remo continua na Série C e não experimentou queda brutal de faturamento em relação a 2018 – na verdade, continua com baixíssima receita. A questão é que, por opção técnica, a diretoria reformular o elenco.

Contribuiu para isso também o fato de uma nova gestão estar em início de trabalho, com firme determinação de impor um sistema mais austero e criterioso nas contratações, tentando evitar os disparates cometidos nos dois últimos anos.

É preciso entender também que os dois clubes voltam a partilhar destinos e calendários neste 2019. Depois de muitos anos, ambos disputarão as mesmas competições e, especificamente, ocupando a mesma chave do Campeonato Brasileiro.

Como os projetos administrativos são bem diferentes, será curioso ver acompanhar o desempenho de ambos nos gramados. Por enquanto, sem que os jogos oficiais comecem, paira muita incerteza quanto à força de cada elenco. À primeira vista, são grupos que se assemelham, tanto pela origem quanto pela experiência dos jogadores.

A experiência recente mostra que os dois clubes não podem ser vistos como referência em contratação de atletas. Erram além do desejável. Incorporam vícios trazidos por profissionais de fora e acabam vítimas de certa arrogância própria da impulsividade.

Caso 2018 sirva como exemplo, o PSC não ficou com nenhum dos jogadores que terminaram a pífia jornada na Série B. Os remanescentes são Perema, Fábio Alemão (que nem entrou em campo), Dieguinho, Allan e William. Cinco atletas de um elenco que contou com 34 importados.

O Remo não fica muito atrás. Da temporada passada, restaram apenas Vinícius, Mimica, Dedeco, Evandro e Vacaria, repatriado após produtiva passagem na reta final da Série C. Cinco jogadores de um contingente que chegou a 32 contratados.

Um saldo baixo para o investimento feito, com folhas salariais acima da realidade regional e – acima de tudo – resultados tenebrosos, muito aquém do esperado.

Como uma réstia de esperança há a presença nos elencos de um punhado de atletas vindos das divisões de base. No PSC, Afonso, Victor Diniz, Yuri e Bruce. No Leão, Kevem, Fábio, Pingo e Wenderson.

A dúvida é se, em meio à legião de forasteiros, haverá um mínimo de espaço e chance para os de casa. A conferir.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, a partir de 21h, na RBATV. Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião compõem a bancada. Participação do telespectador no pinga-fogo de perguntas e nas promoções do programa.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 20)

Um comentário em “Futebol de incertezas

  1. Boa tarde, Gérson

    Depois de longos meses, estamos a postos para nos estressar e cornetar o futebol paraense, e no meu caso o Remo, hehehe.

    Só uma ressalva, o Remo está desde agosto sem jogos, então fica muito difícil mesmo manter o elenco para a temporada seguinte, levando-se em conta que não existe uma estrutura financeira adequada para estes meses de estiagem, então é até um alívio que a gente tenha quatro dos titulares no time deste ano, já dá pra ter uma boa base para montarmos um time melhor do que em 2018.

    No mais é aguardar pra saber quem serão os craques e os perebas deste ano

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