A volta do Profeta e a ida de Rodrigo Caio

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Por Alberto Helena Jr.

Hernanes está de volta ao ninho antigo. Sim, porque foi no Morumbi, naquele campinho de terra em cima do morro, que ele se forjou como jogador de futebol. E o curioso é que ascendeu sem muitas expectativas ao time titular, onde, no máximo, o volante atuava deslocado pela a lateral-esquerda.

Foi emprestado pra cá, pra lá, até voltar e assumir uma posição de destaque o suficiente para atrair a cobiça dos italianos e ganhar uma posição nas chamadas para a Seleção Brasileira.

Voltou recentemente e teve uma importância vital num time pobre de recursos técnicos, ganhando definitivamente o coração tricolor. Sobretudo, pela postura de simpático e astuto criador de frases como capitão da equipe.

Hernanes é um meio-campista ambidestro perfeito, coisa rara. Tanto dribla, chuta e bate na bola parada, indistintamente, com a esquerda ou com a direita. Tem boa visão de jogo e passe correto, elementos de que carece o atual São Paulo. Mas, está numa idade limítrofe (33 anos) o que o colocará em confronto com os outros dois veteranos do time – Diego Souza e Nenê. Mas, é pra isso que existe o técnico de futebol: ajeitar a equipe de acordo com as peças de que dispõe.

Chega o Profeta, como costuma ser chamado o Hernanes, e sai Rodrigo Caio, em direção ao Ninho do Urubu, outro jogador criado nas categorias de base do São Paulo, que viveu dias de expectativa eufórica no início pra cair em desgraça junto à torcida tricolor no fim.

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E o mais emblemático é que pesou acima de tudo seu gesto ético de confessar ao juiz, diante da plateia, um equívoco dele que prejudicava seu time naquela marcação. O beau-geste do rapaz foi recebido por boa parte da mídia e da torcida a pedradas, como se ele fosse um babaca, um traidor, capaz de cometer um crime inominável no tal de futebol de resultado.

Logo depois, essa mesma torcida vibrava com o gesto de Diego Souza, apontando uma metralhadora virtual e disparando-a na celebração de um gol As duas imagens colocadas lado a lado dão bem o perfil de um povo que caminha celeremente em direção às cavernas por tudo que vem acontecendo nos campos de futebol, palco da dramatização do que ocorre no nosso dia-a-dia fora dele.

Na verdade, Rodrigo Caio, jogador aplicado, de passe aceitável, muito bom de cabeça na área inimiga etc., padece de uma deficiência vital em qualquer jogador de defesa ou meio de campo: o senso de colocação. Afobado, disperso, raramente está no lugar certo na hora certa. E é isso que não fez dele até agora um craque inquestionável.

Quem sabe, no Flamengo, ganhando mais ritmo de jogo, apoiado pela torcida e cercado de bons jogadores, Rodrigo Caio vá ganhando maturidade. E, sob o orientação de Abel, que foi um grande zagueiro, consiga acertar esse passo decisivo, geralmente gerido mais pela percepção e pela intuição do que por treinamentos, embora a orientação sempre possa ajudar.

NA LINHA DO GOL

O Liverpool massacrou o Arsenal, no placar: 5 a 1, Mas, no jogo jogado, embora os Reds fossem melhores, houve momentos em que o Arsenal levantou a crista e a partida ficou lá e cá, num emocionante epílogo, como, aliás, costumam ser os jogos do campeonato inglês. Vale aqui destacar a excelente participação do nosso Firmino, autor de dois gols, um deles, de placa, ao se livrar de três zagueiros e colocar a bola nas redes.

Pouco antes, o Tottenham, que vinha numa curva ascendente, chegando a ultrapassar o City na vice-liderança, se esboroou diante do Wolverhapton, em pleno Wembley. Abriu a contagem no primeiro tempo, e, no segundo, foi simplesmente atropelado pelo adversário. 

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