Jovens sofrem e pedem até comida após sonho frustrado de jogar na Europa

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Jefferson Sousa Santana e Rodrigo Fernando tinham o sonho de jogar na Europa. Mas tudo acabou em frustração. Os dois estiveram perto de ir para a Finlândia neste ano, mas afirmam terem sido vítimas do golpe de um empresário e relatam momentos de necessidade. Jefferson hoje está desempregado e diz não ter dinheiro para se sustentar. Ele conseguiu um trabalho informal para fazer o serviço de entrega de almoços, mas ganha apenas R$ 25 por dia. Ele já até pediu dinheiro emprestado e comida na igreja para se bancar.

“A gente se mata para pagar o nosso aluguel, às vezes tenho que pedir cesta básica na igreja porque a gente não tinha comida. E para pagar aqui (o aluguel) eu tinha que pedir dinheiro para um e para outro. Eu estou desempregado, agora graças a Deus eu arrumei um bico, mas eu ganho pouco. A gente não tem condições de nada. Eu estou passando por muita necessidade aqui”, conta Jefferson.

Rodrigo Fernando diz que passa pela mesma situação. Ele vendeu seu único bem, uma moto, para conseguir arcar com os custos de uma transferência para a Europa. Mas a empreitada não deu certo.

Os dois atletas consideram que foram enganados pelo agente Fernando Sá. Jefferson depositou R$ 2,2 mil enquanto Rodrigo enviou R$ 3,9 mil ao agente com a promessa de jogar pelo clube Oulun Pallo Seura, da Finlândia. Os atletas afirmam ter recebido uma carta convite de Fernando para se apresentarem lá e prometendo um contrato até dezembro. Pouco depois, um amigo desconfiou da carta, entrou em contato com o clube e foi informado que não havia qualquer acordo por eles.

Jefferson diz que procurou Fernando várias vezes para recuperar o dinheiro, mas recebeu apenas um depósito de R$ 200 do empresário. Ele entrou com uma ação cível no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo pedindo a rescisão do contrato e a devolução do dinheiro. Fernando não compareceu à audiência. A Juíza de Direito da 3ª Vara do Juizado Especial Cível de Santos, Natalia Garcia Penteado Soares Monti, deu ganho de causa ao atleta.

“O pedido é procedente. O réu, embora citado e intimado, deixou de comparecer em audiência, quedando-se revel e, nos termos do disposto no artigo 20 da Lei nº 9.099/95, faz com que se presumam verdadeiros os fatos narrados na inicial. Diante do exposto, portanto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para condenar o réu a pagar ao autor a quantia de R$ 2.200,00 (dois mil e duzentos reais), atualizada monetariamente a partir da data do ajuizamento da ação, com juros de mora de 1% ao mês a partir da data da citação, nos termos do disposto no artigo 406 do Código Civil”, diz a sentença.

Fernando Sá nega que tenha dado um golpe nos atletas. O agente diz que havia combinado com Dennys Rodrigues, que na época era goleiro do time finlandês e comandava alguns treinos, de enviar os jogadores para o país europeu. Segundo Fernando, o colega revelou ter carta branca do presidente do clube para apitar em contratações.

O agente ainda confirma o recebimento do dinheiro dos jogadores, mas afirma que repassou a Dennys e, por esse motivo, não tem como devolver a quantia aos jovens jogadores. No entanto, diz não ter o comprovante de depósito feito a Dennys. Sobre a condenação do Tribunal de Justiça de São Paulo, o empresário negou que tenha sido intimado ou que tivesse conhecimento do processo.

Ele justificou ainda que a audiência ocorreu em Santos e ele mora em Florianópolis, o que seria um impeditivo para comparecer. Dennys Rodrigues nega ao UOL Esporte que tenha recebido qualquer dinheiro de Fernando e o desafia a apresentar o comprovante de depósito.

Fernando ainda faz uma acusação contra os atletas. Ele diz que uma carta-convite, que serviria como um termo de responsabilidade entre eles e sua própria empresa, foi falsificada por um amigo dos jogadores, Pedro Barros. Segundo o agente, Pedro adulterou o documento colocando uma imagem do escudo do clube, contatos telefônicos e editando o texto. Fernando afirma que o documento não tinha status de contrato.

Ao UOL Esporte, Pedro Barros admitiu que fez uma alteração na carta-convite. Porém, diz que apenas acrescentou o escudo e os dados do contato do clube para que os jogadores ficassem respaldados quando chegassem na Finlândia. E nega que tenha alterado qualquer trecho do texto.

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