Leão luta contra velhos hábitos

POR GERSON NOGUEIRA

Acompanho quase diariamente nos programas esportivos da Rádio Clube as manifestações desconfiadas da torcida azulina diante da notícia de que a nova diretoria impôs limites para contratar reforços para a próxima temporada, providência que visa estabelecer uma política menos consumista e mais racional.

Fábio Bentes, ao assumir a presidência, reafirmou princípios que defendeu ao longo da campanha eleitoral. Contratar com responsabilidade, abrir espaço para valores regionais e evitar a todo custo o endividamento irresponsável, como se tornou rotina nas últimas gestões do clube.

A reeducação financeira talvez seja a rota mais sensata a ser seguida pelos azulinos a partir de agora. Décadas de gastança resultaram em parcos resultados em campo e uma montanha de processos trabalhistas.

Bentes sabe onde pisa. Fechar o cofre, impedindo contratações marqueteiras e extravagantes, é caminho fácil para a impopularidade. A torcida foi acostumada a aplaudir a cartolagem que faz média trazendo jogadores que não pode pagar.

São velhos hábitos, arraigados e cristalizados, contra os quais a nova e jovem diretoria remista precisará travar uma batalha quase insana. Os primeiros resultados, já no Campeonato Estadual, irão ditar a convivência entre diretoria e torcida.

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Vitórias estarão sempre servindo de régua para avaliar o trabalho. Renovado após o desmanche ocorrido após a Série C, o perfil do Remo deve mudar bastante em relação ao time já modesto de 2018. A equipe terá poucos figurões e apostas em atletas pouco conhecidos – como Geovane (foto) e Robson, os primeiros nomes anunciados.

Por fim, numa concessão aos velhos tempos, há a promessa de aquisição de um “camisa 10 de peso”. Como a realidade do futebol jogado no Brasil não permite enxergar um camisa 10 razoavelmente bom nas principais divisões, nem mesmo na Seleção, não precisa ir longe para identificar um imenso risco de frustração que poderia ter sido evitado.

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O Papão diante do desafio de reconectar com o povão

É uma excelente notícia, para o Papão e para o futebol do Pará, que um jovem dirigente assuma a presidência do clube. Cheio de sonhos e ideias, Ricardo Gluck Paul prepara-se há tempos para desempenhar essa missão. No país confuso que anda a cultivar a assustadora ideia de que a ignorância vale tanto quanto o conhecimento é sempre saudável que um cidadão bem-intencionado, estudioso e inquieto assuma projeto tão desafiador.

Ricardo, fã de rock de qualidade, o que o credencia tremendamente perante a coluna, já sinalizou que dará continuidade aos planos de expansão do PSC como instituição e marca, investindo na boa gestão administrativa, sem perder contato com a torcida.

Estabelecer canais de conexão com a massa é uma de suas prioridades. Vai certamente recorrer a estratégias de marketing para fazer com que o clube volte a prestar atenção às camadas mais humildes de sua torcida.

Era justamente o bolsão que, nos idos de 1950-60-70 e até 1980-90, fazia do Papão o “clube dos pobres” em contraponto ao então elitizado Clube do Remo, cujos salões integravam a agenda de recepções sociais importantes na vida de Belém.

A partir da virada do século, repentinamente, a coisa se inverteu. A elitização passou a ser marca característica do PSC, enquanto o Remo, assolado por dívidas e derrotas em campo, voltou às origens cativando a massa que ocupa o chamado piso da pirâmide socioeconômica. Os seguidos recordes de público nos estádios confirmam isso.

E, se há alguém capaz de conduzir o processo de repacificação do PSC com suas raízes torcedoras, seguramente é Ricardo, pela plena consciência da importância que a popularização da marca tem para o futuro imediato da instituição. Não significa que irá abrir mão dos conceitos que marcam, positivamente, a era Novos Rumos. O clube seguirá regido pela austeridade financeira, bem como a transparência nas ações administrativas.

Impressiona o fato de que os planos do novo presidente não são grandiosos ou megalomaníacos. Pelo contrário, revelam uma preocupação em fincar nos pés no chão. Tem tudo para dar certo.

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Paraná reedita dupla que fracassou no PSC

O Paraná anunciou, orgulhosamente, a contratação de André Mazzuco como executivo de futebol para a temporada 2019. Com isso, está refeita a dupla com Dado Cavalcanti. Junto com o técnico, o gerente foi responsável por grande parte das desastradas escolhas de jogadores para o PSC em 2018.

Resta desejar sorte aos paranistas, diante do desafio que será conter o ímpeto por contratações desastradas. Jogadores que defenderam o PSC, como Renan Rocha, Maicon, Carandina, Timbó, Cáceres, Claudinho & cia., deverão ser os primeiros da lista de “reforços” do tricolor curitibano.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 29)

2 comentários em “Leão luta contra velhos hábitos

  1. Boa tarde Gerson. Bom saber que Ricardo gosta de rock. Há um tempo digo a amigos que a associação rock/reaggae/futebol poderia ser explorada por aqui como é mundo afora. São estilos musicais que tudo tem a ver com esporte, programas esportivos, cantos de torcida – vide os estádios ingleses por exemplo etc. Na torcida do Papão mesmo temos faixas que remetem ao reggae, ao Iron Maiden, ao AC/DC. Absolutamente nada contra o carimbó, o brega e o sertanejo, mas acho que cairia muito bem, antes dos jogos, aproveitando o ótimo som da Curuzu, assim como o telão e o jogo de luzes, uma bela seleção de grandes sons e videos do rock nacional e internacional, do reaggae e do pop-rock. Digo mais, logo refrões e melodias clássicos, e são muitos bem legais, seriam transformados em cantos de incentivo ao time. Eu seria um que chegaria bem cedo ao estádio. Tem que usar a criatividade, sair do lugar comum, nessa busca pelo reaquecimento da galera, até porque desconfio que a contratação das belas bicolindas logo estará no alvo dos movimentos sociais que visam a preservação e valorização das mulheres.

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  2. Gerson, me parece q vc tem razão apenas em parte. Ñ dá pra negar as lambanças promovidas por administrações passadas, entretanto, ñ nos esqueçamos q o futebol é a razão de existir do Clube do Remo. Talvez trazer jogadores rodados ñ seja a melhor escolha, o q nós torcedores temos absoluta certeza é q queremos um Leão competitivo; se for para ser um mero coadjuvante diante de equipes tradicionais como Paysandu e Sampaio, só pra citar dois como exemplo, seria melhor nem entrar. Ñ importando portanto se o jogador é rodado ou um novato e sim q jogue bola.
    Se vc me perguntar qual a fórmula a ser usada, naturalmente eu ñ saberia lhe responder, todavia, uma certeza tds nós torcedores do Leão temos: o Clube do Remo ñ pode ser apenas um laboratório e isso vale para atletas e dirigentes. Quem ñ tem competência ñ estabelece. Há tempos almejavamos um reestruturação administrativa no Remo, ela está sendo implantada, estamos tds torcendo mas ñ temos tempo pra espera, queremos já de cara um time com condições de brigar com o nosso rival em igualdade de condições!

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