Rivais em pé de igualdade

POR GERSON NOGUEIRA

Todo mundo sabia que esse reencontro em campeonatos brasileiros iria fatalmente acontecer algum dia – só não se imaginava que fosse logo. A diferença existente nos campos da gestão, marketing e até de estrutura fazia crer que ainda levaria certo tempo para que os dois velhos rivais se cruzassem novamente.

O fato é que a dupla Re-Pa experimentou distâncias abissais nos últimos anos, como no período em que os bicolores disputavam a Série B e o Remo patinava, sem divisão e nem perspectiva de recuperação imediata.

Foi um tempo dominado por um indisfarçável complexo de superioridade por parte dos bicolores, sentimento justificado pela sucessão de infortúnios que o rival acumulava.

Até as gozações de esquina entre torcedores iam nessa direção, situação agravada pelo insucesso azulino na única competição interestadual a que o clube teve acesso, a Copa Verde, criada pela CBF como um torneio de consolação destinado a reduzir o prejuízo remista.

DESENHOS-03

A queda do PSC, inesperada no começo da Série B e perfeitamente compreensível pela caótica campanha, coloca os dois clubes lado a lado outra vez, em pé de igualdade. Irão disputar as mesmas competições – Estadual, Campeonato Brasileiro da Série C, Copa do Brasil e (talvez) Copa Verde. A única diferença é que o Papão entra nas oitavas de finais da Copa Br.

É óbvio que o futebol do Pará perde muito com a perda da vaga na Série B. Não só financeiramente – R$ 7 milhões de cota –, mas também em visibilidade, pois a Série C ainda não tem garantia de transmissão de jogos.

O prejuízo representado pelo rebaixamento na Segunda Divisão vai contribuir para um acirramento no plano regional. A velha rivalidade deve ser aquecida pela sequência de clássicos – quatro confirmados, com possibilidade de chegar a oito, caso a Copa Verde seja confirmada.

Por ora, enquanto os bicolores buscam assimilar o duro golpe em meio ao sarro dos remistas, o caminho mais sensato para as duas diretorias seria a união de esforços para tentar influir no critério de grupos da Série C. Recém-eleitos (o do PSC será aclamado nos próximos dias), os jovens presidentes Fábio Bentes e Ricardo Gluck Paul deveriam abrir um canal de diálogo junto à CBF visando preservar os interesses da dupla Re-Pa.

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Imbróglio na Segundinha é ruim para todos

Leitores heroicos da coluna perguntam a posição do escriba sobre esse chatíssimo imbróglio jurídico envolvendo Desportiva e Paraense, que provocou a suspensão das finais da Segundinha. Legítimos finalistas, São Francisco e Tapajós iriam jogar domingo (25), mas na sexta-feira veio a decisão do TJD travando a competição.

Um troço surreal, pois houve tempo hábil para que a decisão tivesse sido tomada há duas semanas, o que evitaria todos os transtornos. Não entro no mérito do caso. Penso que a Justiça deve se manter longe do campo de futebol. Sempre que ela adentra as quatro linhas, o esporte sai perdendo.

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Salários no mundo da bola: Brasil na faixa intermediária

Foi divulgada ontem a lista anual do Global Sports Salaries Survey, que revela as cifras salariais pagas no mundo dos esportes. A “Sports Intelligence” pesquisou quanto se paga em 68 campeonatos nacionais. Previsivelmente, é na Premier League que os clubes pagam os melhores salários: em média, 3,3 milhões de euros anuais. No extremo oposto, em San Marino, cada clube gasta apenas 2.500 euros anuais.

O Brasil fica na faixa intermediária, com 576 mil euros (R$ 2.572.934,40). Na Argentina, a média anual é de 325 mil euros. A Arábia Saudita também está no pelotão dos emergentes, com 436 mil euros. Portugal tem média anual de 307 mil euros, bem abaixo das principais ligas europeias. Na Espanha, o valor chega aos 2,4 milhões de euros. A Itália paga 1,7 milhões, a Alemanha fica em 1,5 milhões e a França, 1,1 milhões.

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Brucutus conseguiram estragar a final da Libertadores

Será hoje a esperada reunião da Conmebol para decidir sobre a final da Libertadores após a selvageria dos barra-bravas que vitimou a delegação do Boca às proximidades do estádio do River, no último sábado. O confronto chegou a ser marcado para domingo, mas terminou suspenso até a decisão.

Além disso, o Boca pediu a aplicação de sanções ao River com base no artigo 8º do Regulamento Disciplinar, que responsabiliza os clubes pelas atitudes de suas torcidas, inclusive incidentes ocorridos nos arredores dos estádios. É improvável que o River escape a uma punição.

Algumas das penas previstas no art. 18.1 do regulamento: anulação do resultado; dedução de pontos; obrigação de jogar partida de portas fechadas; proibição de jogar em estádio determinado; obrigação de jogar em um terceiro país.

Pelo retrospecto da Conmebol, é provável que o jogo seja disputado sem torcida ou mesmo em outro país. Seja qual for o veredito, o certo é que a decisão foi completamente prejudicada pela ação dos baderneiros. Conseguiram estragar aquela que poderia ser a maior de todas as finais do torneio.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 27)

3 comentários em “Rivais em pé de igualdade

  1. Em relação a PSC e Remo na série c , essa questão da tabela é algo meio relativo se ficar no formato atual. Acredito que jogarão 0s três times do norte para a chave do sul/suldeste/centro-oeste. Se for assim , na teoria, a concorrência pelo g4 será pequena, pois só há dois times enjoados desse lado: Luverdense e Juventude, entretanto, nas quartas o confronto pelo acesso será contra um time grande do nordeste. Já se os nortistas forem para o grupo dos nordestinos na 1ª fase, a concorrência pelo g4 será bem maior: Santa cruz, Sampaio, ABC e Náutico, sem falar dos times enjoados da Paraíba e o desconhecido Ferroviário/ce. Acho que a melhor opção de tabela é eliminar esses dois grupões e fazer um turno só, todos contra todos, em 19 rodadas, classificando os 8 primeiros para os mata-matas e essa série c deveria iniciar no final de maio ou inicio de julho, com rodadas apenas nos finais de semana e os não-classificados jogariam pelo menos até outubro. O que vc acha Gerson?

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  2. A ideia do grupão único, em 19 rodadas, implica em altas despesas e longos percursos, em razão da falta de patrocínios masters. Afora eventual desmotivação de público, se 8 equipes se distanciarem dos outros 12.
    De repente, três grupos – Norte/Centro Oeste (AC, PA, MA, MT), Nordeste e Sul-Sudeste, seria mais racional.

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  3. Na idéia acima, cada grupo classificaria os 2 melhores, que comporiam um segundo turno, em mata-mata, em jogos de ida/volta, definidos por sorteios entre os 3 primeiros e os 3 segundos lugares. No turno final teríamos o campeão, em um triangular, em jogos de ida/volta. Os 4 melhores de toda a competição, incluídos os 3 que chegarem ao turno final, ascenderiam à Série B.

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