Lula acredita na Justiça. Fazer o quê?

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Por Oswaldo Coimbra, no Facebook

A moça de quem você nunca ouviria falar, se a ela não tivesse sido dada a honra de poder se dirigir a Lula, é muita dura com ele. De um modo que até o Estatuto dos Idosos não recomendaria.
Ameaça-o, pela primeira vez: – Se o senhor começar neste tom comigo vai ter problema. Não vou responder interrogatório, nem questionamentos aqui! Está claro? Está claro que não vou ser interrogada?
Mais adiante, volta a ameaçar aquele homem de 73 anos de idade. Mais velho que ela, meio século. – O senhor não fale isso de novo. O senhor está estimulando os filiados ao partido a tumultuarem o processo e os trabalhos. Se isso acontecer, o senhor será responsável!
A cena chocante de ameaças arrogantes e desrespeitosas, ainda tem um outro momento: – Não vai fazer acusações a meu colega aqui! E é melhor o senhor parar com isto!
Nos dilacera ver Lula ali. Tendo de invocar até seu tratamento de câncer, para explicar o que fez no passado.
Não é mais o mesmo Lula. Aquele que respondeu a outros interrogatórios, antes de ser preso, com exuberância de informações e até com bom humor inteligente.
Os estragos nele de mais de 200 dias trancado numa cela ficaram evidentes. Está tenso, nervoso. E, o pior: mostra como ficar à mercê de carcereiros inclusive para se alimentar introjetou nele a conhecida predisposição do sentenciado para submeter-se passivamente ao poder que tem a Justiça de decidir sobre seu futuro. Embora tenha se identificado acertadamente como um troféu guardado na prisão por seus inimigos. Ele, no entanto, não fez nenhum discurso incendiário próprio de liderança rebelde. Sequer se levantou de sua cadeira, diante da arrogância daquela moça, num gesto mínimo de dignidade ofendida. Em vez disto, fez emergir de algumas de suas frases, um sentimento de impotência desesperador: – Não sei mais o que fazer! – Estou cansado.
Inacreditavelmente, contudo, repetiu outra frase, já dita quando ainda estava livre, antes de ceder docilmente à vontade do juiz Moro de prendê-lo: – Mas, eu acredito na Justiça!
Disse isto, mesmo enjaulado aos 73 anos por acusações confusas. Mesmo se reconhecendo como mero troféu dos inimigos. Lula continua acreditando dispor do luxo da Justiça.
Não estará aí a chave para entendermos profundamente Lula, com seus méritos e limitações de líder? Lula, na verdade, sempre acreditou na possibilidade de se instaurar verdadeira Justiça – para ele e para os pobres que beneficiou por algum tempo – dentro do regime político-econômico vigente no País Ele nunca quis liderar uma revolução social.
Tão triste, ver Lula assim!

O que faremos?

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