É esta a minha terra?

Por Edyr Augusto Proença, no Facebook

Por motivos pessoais, estive por três vezes, em duas semanas, no campus do Guamá, UFPA. Amigos, desde 1972, quando entrei na Universidade até bem depois, quando lá também estive como professor, sabia do verdadeiro inferno no trânsito que representa ir até lá. Agora, mais de vinte anos depois, ao retornar, confesso ter ficado ainda mais estarrecido com tudo o que vi e enfrentei pelo caminho. As mais elementares regras de convívio civilizatório. As mínimas condições de ir e vir. Nem isso existe por lá.

Nas ruas, além de motos e bicicletas, feito moscas, transitando em todas as direções, em todas, pilotos sem qualquer aparato protetor, certamente sem documento comprobatório de propriedade ou de condição para conduzir. Há muito mais. Vans caindo aos pedaços na mão, contramão, fila dupla, mesmo quando à frente de um sinal que abre, sugerindo a passagem de carros. Pode buzinar à vontade.

Na ausência das calçadas, pode-se dizer assim, as pessoas circulam pelo asfalto, entre os carros, já que onde haveria calçadas, há desde montes de lixo, atividades profissionais, carros, motos, até viaturas policiais, que parecem estar tomando conta da segurança e eu pergunto qual segurança e apenas rio de meu pensamento. A poluição visual chega a ser um escândalo e me dou conta que sou um ET por ali. Todos parecem muito à vontade. O açougueiro espanta moscas de sua pedra, com milhões de carros tirando fino, motos, o escambau, garantindo a pureza de seu produto, digamos.

Protejo-me, aceito agressões de todos, ao jogarem carros e seus corpos diante da minha passagem, tiro por menos, desvio de buracos profundos, faço que não vejo, aguardo a vontade da Van que está à frente se movimentar, torço para logo chegar ao meu destino. No campus, bem arrumado, há fila longa no restaurante. No térreo da Reitoria, professores ou funcionários debatem alguma revolução contra o novo presidente. O atendimento é muito bom, cordial, educado e eficiente. Que bom!

A volta é outro absurdo contra as mais básicas lições de civilização. É esta a minha terra? Moro no centro da cidade e me sinto morando em Xanadu, comparado a isto.

Penso como nossos políticos são incompetentes, permitindo, com a ausência da autoridade, de ações e principalmente, de Educação e Cultura, as coisas chegarem a isso. É a volta à Selva da ignorância, onde não há lei para nada, a não ser a do mais forte e tudo é feito simplesmente porque se quer. Eu quero eu faço. A moto é o cavalo dos tempos do faroeste. Bang Bang. Todos os dias, nos jornais, mortos por motoqueiros ou carros prata, tudo no Guamá.

Como é triste!

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