Exercício de humildade

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POR GERSON NOGUEIRA

Termina amanhã a seletiva promovida pelo Remo para descobrir jogadores que possam compor o elenco para a próxima temporada. Um último jogo-treino será realizado contra a Tuna, servindo para fechar a “peneira”. Dos mais de 30 atletas observados, o técnico João Neto deve aprovar pelo menos oito nomes, que serão recomendados à diretoria para possível contratação.

Disposição é o que não tem faltado aos que buscam uma chance no clube. Para alguns, é uma possibilidade de retomada na carreira. Para outros, da própria base clube, que não tinham perspectivas de aproveitamento, há a expectativa de aprovação diante do crivo e do olhar de Netão à beira do gramado.

Quem tem acompanhado os treinamentos percebe na iniciativa um traço de inovação que faltava ao Remo nos últimos anos. Representa a alternativa sempre saudável de adquirir jogadores à altura da realidade do clube. De certa forma, permite ao Leão um exercício de humildade, fazendo com que coloque os pés (e as chuteiras) no chão.

Não há a pretensão declarada de descobrir futuros titulares, mas é possível que na lista prometida para amanhã estejam atletas aptos a reforçarem ao time que hoje tem apenas Vinícius, Mimica, Fernandes e Vacaria como peças indiscutíveis.

Do goleiro Evandro Gigante aos atacantes Irlan, Pecel, Sosa e João Leonardo, passando pelos meias Rogerinho, Fabrício e Andrezinho, além do zagueiro Kevin, dá para imaginar a formação de um banco de suplentes de nível satisfatório para o Campeonato Estadual.

Por outro lado, o incansável Netão, mesmo que por triste ironia não venha a ser aprovado pela próxima gestão, é um patrimônio de conhecimento e prática que o Remo não pode se dar ao luxo de desperdiçar.

Ainda sobre o resgate da humildade, algo parecido deveria se estender a outras instâncias do clube, principalmente no segmento administrativo, onde o excesso de vaidade contamina a maioria das decisões.

O exemplo mais óbvio disso é o contestado projeto de continuísmo da atual diretoria, cujas propostas (ou ausência de) para o clube só robustecem as críticas dos opositores.

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Do trivial variado do blog campeão

Espaço aberto para os comentaristas do boteco virtual, começando pelo Jorge Paz Amorim, que faz algumas ponderações acerca da coluna de ontem. “Apesar de o Palmeiras contar com um William, um Dudu e Borja, é mais a cara carrancuda de Felipão e do boçal Felipe Melo. Já o Grêmio une força com uma posse de bola legatária do modelo Guardiola. Além disso, o outrora temido Boca Juniors é hoje muito parecido com seu ex-presidente Maurício Macri, retrato decadente do neoliberalismo que virou tragédia argentina”, observa.
Quanto à sucessão no Papão, segundo ele, a aclamação é mais fruto do construído nos últimos anos do que obra do acaso. “Alberto Maia e o grupo ora hegemônico precisam resolver certas pendências que parecem ter ficado de sua gestão, e isto não será resolvido com embates, mas com diálogo”.
“Já o hebdomadário Luiz Omar parece ter sentido que o Papão de hoje é muito mais que um time de futebol, daí a impossibilidade de comandá-lo aparecendo apenas uma vez por semana no clube”, avalia Amorim.
Mesmo com a imensa possibilidade de queda à Série C, “mercê de erros primários cometidos na gestão do futebol profissional na atual temporada, é inegável que o Papão, caso caia, repita-se, coloca-se desde já como favorito à subida por constituir-se em dos mais bem estruturados desta banda do país”, acredita.

Já o azulino Lucilo Filho, diretamente de seu refúgio em terras manauaras, discorre sobre as vicissitudes expostas no processo eleitoral do Leão.

“No Remo, a ganância pelo poder e a prevalência das vontades pessoais só atrapalham a cada ano, uma gestão profissional e planejada digna de um grande clube. Como esperar sucesso na próxima temporada, se há poucos meses que separam o início da temporada, haja tanta indefinição, brigas internas, dívidas e outras anormalidades¿ Tá na hora dessa gente colocar o clube em primeiro lugar!”.

Por fim, o baluarte Miguel Angelo Carvalho tece algumas considerações acerca do dramático momento vivido pelo PSC na Série C, vaticinando dias duríssimos no próximo ano em caso de rebaixamento.

“Depois que tudo está perdido eles lembram que o Paysandú tem torcida.
As gestões bicolores conseguiram afastar o seu torcedor a partir do momento em que nos gramados foram montados times sem a menor identificação com a raça alviceleste. Vimos um clube patético sendo subjugado em seus gramados por equipes de igual ou menor expressão a nível nacional. Agora à beira de mais um rebaixamento, os iluminados falam no torcedor. 2019, caso confirmada a queda para a terceira divisão, será um ano de trevas para o torcedor do PSC”.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 25)

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