Em discurso crítico, Mano Brown recomenda esforço final na periferia

discurso-mano-brown-pro-haddad

A contundência dos discursos pró Haddad e anti-Bolsonaro nos Arcos da LapaRio de Janeiro, foi tanta que confundiu a cobertura da imprensa tradicional, acostumada à mesmice política que se alastrou pelo país.

O rapper Mano Brown fez o discurso mais inteligente e denso sobre a identidade da esquerda progressista e sua fala é um alerta decisivo para a reta final da campanha de Haddad. Brown pede menos festa e mais ação, menos ‘estratégia’ e mais alma, menos elitismo e mais povão. Caetano Veloso foi na mesma direção e disse que o momento é de complexidade (e que exige reação complexa).

jornalismo tradicional continua perdido como cachorro que caiu do caminhão de mudança. Diante do estilo e da linguagem de um rapper como Mano Brown – nota da redação: ele é um rapper, não um mestre de cerimônia – a imprensa mergulhou na sua habitual cegueira e viu apenas um detrator do PT e da campanha de Haddad.

Mas Mano Brown fez o discurso mais contundente até aqui para a campanha que defende a democracia. Foi um discurso de chamamento, de força, de caráter, de comprometimento.

Ele disse: “vim apenas me representar. Não gosto do clima de festa. A cegueira que atinge lá, atinge aqui também. Isso é perigoso. Não tá tendo clima pra comemorar“.

E prosseguiu: “Tá tendo quase 30 milhões de votos pra tirar. Não estou pessimista. Sou realista. Não consigo acreditar pessoas que me tratavam com carinho, se transformaram em monstros. Se algum momento a comunicação falhou aqui, vai pagar o preço. A comunicação é alma. Se não conseguir falar a língua do povo, vai perder mesmo. Falar bem do PT para torcida do PT é fácil. Tem uma multidão que precisa ser conquistada ou vamos cair no precipício. Tinha jurado não subir no palanque de mais ninguém“.

O público ensaiou uma vaia, o que também é parte da mise-en-scène dos eventos públicos. A imprensa também acredita que ‘vaia’ é algo exclusivamente negativo, ignorando o poder democrático de uma ‘vaia’. As análises do jornalismo padrão derretem.

Brown ainda fechou: “Não gosto do clima de festa. O que mata a gente é o fanatismo e a cegueira. Deixou de entender o povão já era. Se somos o Partido dos Trabalhadores tem que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta pra base e vai procurar entender. As minhas ideias são essas. Fechou“.

Na sequência de Brown, Caetano Veloso proferiu, igualmente o seu mais forte discurso pró Haddad de toda a campanha. Ao subscrever Brown, Caetano evocou o sentido de ‘complexidade‘. Ele disse: “a fala do Mano traz a complexidade do momento“.

E enunciou uma das melhores sentenças já ditas em uma campanha eleitoral: “O Brasil tem sido bombardeado há décadas por discursos de sociólogos que usam palavrões em suas análises e apostam na imbecilização da sociedade. Temos que encontrar meios de dizer a esses eufóricos [eleitores do Bolsonaro] do perigo à democracia. Me oponho a ‘cafajestização’ do homem brasileiro“.

Chico Buarque seguiu a mesma linha, com um discurso não festivo e direto ao ponto: “talvez aqueles eleitores que votaram em Bolsonaro, os chamados coxinhas, se sensibilizem com essa onda de boçalidade, com morte de gays, trans, travestis, mulheres, negros e capoeiras. Quem sabe o povo pobre, que votou em Bolsonaro, contra si mesmo porque a proposta dele vai contra essas pessoas, mude de ideia na hora do voto. Não queremos mais mentira, não queremos mais a força bruta. Queremos Fernando e Manuela“.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s