Demagogo fascista ameaça a democracia no Brasil, diz imprensa internacional

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Jair Bolsonaro representa uma ameaça “enorme” à democracia brasileira. O ”risco impensável” de que ele se tornasse presidente do Brasil passou a ser real. Esta é a análise de editorial publicado nesta quinta-feira (4) pelo jornal britânico The Guardian. “A visão do Guardian sobre as eleições no Brasil: democracia em perigo” é o título do editorial.

Guardian afirma que, de congressista “visto anteriormente como ofensivo, mas irrelevante”, a partir de uma campanha populista o candidato do PSL nas eleições de 2018 capitalizou os problemas do país, num contexto em que o país “está lutando para se recuperar de sua pior recessão de todos os tempos”. “E a taxa chocante de crimes violentos – o Brasil registrou um recorde de 63.880 homicídios no ano passado – aumentou o apelo de um punho de ferro”, diz o editorial.

Segundo o jornal, a campanha do ex-capitão do Exército foi impulsionada pelo atentado que sofreu. “Ele se apresenta como um forasteiro que vai limpar a política”, construindo apoio por meio da “mídia social”. “No entanto, ele também extrai força das antigas forças brasileiras: os militares, os ricos fazendeiros e os empresários, os socialmente conservadores; igrejas evangélicas têm jogado seu peso para empurrá-lo“.

The Guardian afirma que chamar Bolsonaro de “Donald Trump da América Latina, como alguns fizeram, é ser gentil demais”. “Bolsonaro é um misógino e homofóbico cujas opiniões sobre comunidades indígenas e o ambiente são muito sombrias. Ele elogia torturadores e a ditadura militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Recentemente defendeu tiros contra seus oponentes.”

A publicação ressalta que sua ascensão foi alimentada pela queda do PT, “expulso do poder em circunstâncias duvidosas há dois anos com o impeachment da então presidente Dilma Rousseff”. Diz ainda que as políticas de austeridade de Michel Temer alimentaram o clima antipolítica no país. “No entanto, a figura dominante do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, continua muito popular mesmo cumprindo sentença de 12 anos por corrupção”. O editorial afirma que “apelos para que os candidatos centristas Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Marina Silva se unam como alternativa unificadora chegaram tarde demais”.

Além do editorial, o jornal britânico publicou matéria intitulada “Brasil está em guerra: eleições acontecem em meio a violência homicida.”

“A senhora Farias tinha acabado de concluir um censo de sua favela em ruínas nos arredores de uma das cidades mais violentas do mundo quando ouviu uma saraivada de tiros e sua contagem ficou subitamente desatualizada.  Em uma rua não pavimentada, seu vizinho Ruan Patrick Ramos Cruz, de 17 anos, jazia morto no chão depois de ser repetidamente baleado na cabeça e no peito por assassinos desconhecidos.”

A matéria revela que Cruz foi a 296ª pessoa a morrer em Feira de Santana este ano. Foi também a última vítima de uma escalada da crise de homicídios que transforma a segurança pública a questão-chave num contexto em que o Brasil realiza sua “mais imprevisível eleição presidencial em décadas”.

Esse clima de terror social alimenta o apoio popular ao candidato “de extrema-direita” Bolsonaro, até o momento líder das pesquisas, seguido por seu “rival mais próximo, o candidato do Partido dos Trabalhadores, Fernando Haddad, com muitos seguidores”. diz a matéria.

Guardian lembra que “a maior democracia da América Latina” teve um recorde de 63.880 homicídios em 2017, quase 10% no estado da Bahia. Nesse contexto, “Bolsonaro prometeu soluções insensatas, incluindo o afrouxamento das leis de porte de armas”.

O jornal destaca ainda que, por sua vez, Haddad propõe um “sistema unificado de segurança pública” e a federalização de alguns crimes para que as autoridades estaduais se concentrem em combater assassinatos, feminicídios, estupros e roubos.

A “ameaça Bolsonaro” é notícia também de jornais e revistas dos principais países do mundo. Confira abaixo algumas das manchetes que abordam a candidatura extremista
ALEMANHA
Zeit
Um fascista se apresentando como homem honesto
Der Spiegel
Jair Bolsonaro – ascensão de um populista de direita
Frankfurter Allgemeine
Alerta vermelho para democracia
Sueddeutsche
O demagogo do deserto é de repente uma nova estrela política no Brasil.
Deutsche Welle
Analistas alemães veem democracia no Brasil em risco
Handelsblatt
O fascista popular. Até agora, os políticos brasileiros são considerados corruptos e ineficientes, mas ideologicamente flexíveis e educados. Isso mudou com Jair Bolsonaro – o populista poderia até se tornar presidente. Uma história mundial.
ARGENTINA
La Nacion
Linha dura e Messianismo: Bolsonaro, o candidato mais temido, se lança para a presidência.
El Clarín
Jair Bolsonaro: militarista, xenófobo e favorito para a eleição brasileira
AUSTRALIA
News.Au
Seria este é o político mais repulsivo do mundo?
Pensando que Donald Trump é ruim? Conheça o possível presidente brasileiro cujas crenças repulsivas chocaram o mundo.
The Australian
Conheça o Candidato que é um risco à democracia
The Sydney Sunday Herald
Por que alguns no Brasil estão se virando para um explosivo candidato de extrema-direita para o presidente?
CHILE
EL MERCURIO
“Bolsonaro assusta com soluções simplistas e autoritárias”
LA TERCERA
“Bolsonaro conseguiu captar o sentimento de revolta no Brasil”
LA CUARTA
Jair Bolsonaro: O Trump do Brasil.
ESPANHA
El País
Bolsonaro é um Pinochet institutional para o Brasil 
El Mundo
Lider Polemico. Bolsonaro: o candidato racista, homofóbico e machista do brasil.
La Vanguardia
Bolsonaro: o Candidato Ultradireitista que canalizou a insatisfação no Brasil
El Confidencial 
Jair Bolsonaro: o “Le Pen tropical” que pode ser o próximo presidente do Brasil.
ESTADOS UNIDOS
Revista Time 
Jair Bolsonaro ama Trump, odeia pessoas gays e admira autocratas. Ele poderia ser o próximo presidente do Brasil
Fox News
Um olhar sobre os comentários ofensivos do candidato brasileiro Bolsonaro
HuffingtonPost
Jair Bolsonaro e o violento caos das eleições presidenciais no Brasil
Washington Post
Um político parecido com Trump no Brasil poderia ter o apoio de um poderoso grupo religioso: os evangélicos
The New York Times
Brasil flerta com um retorno aos dias sombrios
Americas Quarterly
Ditadura militar iminente no Brasil?: Ganhando ou perdendo, a ascensão de Jair Bolsonaro colocar em perigo a jovem democracia brasileira. 
Financial Times
O “trágico destino” brasileiro de uma rebelião antidemocrática surge novamente:
A raiva pública contra uma elite corrupta poderia precipitar outra revolta
FRANÇA
Le Figaro
Brasil nas garras da tentação autoritária
Le Monde por Rádio França Internacional RFI
Trump tropical, homofóbico e machista
Liberation
No Brasil, um ex-soldado para liquidar a democracia
HOLANDA
Der Volkskrant
Centenas de milhares de mulheres no Brasil nas ruas contra a extrema direita: “Ele nunca!”
ÍNDIA
India Express 
Deixe a polícia matar criminosos, diz o candidato presidencial do Brasil, Jair Bolsonaro
ITÁLIA
La Republica
Bolsonaro, líder xenófobo e anti-gay que dá o assalto à Presidência do Brasil
Corriende della Sierra
Um pesadelo chamado Bolsonaro
MÉXICO
La Jornada
Bolsonaro: O candidato Imprevisível
Milenio
Bolsonaro, o Neofascista que seduz o Brasil
El Universal
Militar de ultra-direita: um voto pelo passado?
ÁFRICA DO SUL
The Star
Mulheres brasileiras marcham contra ‘formas misóginas
PORTUGAL
O Público 
Bolsonaro, o jagunço à porta do Planalto
Diário de Notícias
Jair Bolsonaro é perigo real no Brasil e segue passos de Adolf Hitler
POLONIA
Gazeta Prawna
Trump brasileiro e outros. Escândalos de corrupção abrem caminho para o poder dos populistas
QATAR (MUNDO ÁRABE)
Al Jazeera
Milhares de Mulheres protestam contra Bolsonaro
REINO UNIDO
The Economist (CAPA)
A mais nova Ameaça na América Latina
The Times
Jair Bolsonaro, populista “perigoso” promete tornar o Brasil seguro
The Telegraph
Dezenas de milhares dizem “ele não” ao principal candidato do Brasil
The Economist
Brasília, nós temos um problema
O perigo representado por Jair Bolsonaro
SUÍÇA
Neuen Zürcher Zeitung
O Faxineiro Racista do Brasil 

2 comentários em “Demagogo fascista ameaça a democracia no Brasil, diz imprensa internacional

  1. Não existe de fato um embate ideológico, o que há é uma contínua alimentação de um sentimento anti-PT. A histórica corrupção brasileira vem assumir uma interpretação completamente equivocada, a de que foi incentivada pelo governo petista. Admito que sim, que pode ser o caso de membros do PT terem feito parte de um esquema corrupto, mas que a suspeita leva a uma apuração, que deve vir acompanhada de provas e é exatamente a falta de provas que torna a interpretação equivocada ou, no mínimo, precipitada, porque conclui-se uma coisa ou a outra a partir das evidências. E tudo começou questionando-se sobre o que é uma evidência. Se vale mais a palavra de um criminoso confesso, o delator, ou a prova material obtida pela investigação, ou mesmo se a delação vale alguma coisa juridicamente mesmo se vier sem as provas necessárias para a condenação.

    A repercussão negativa pela imprensa que a Lava-Jato terminou por dar ao PT colaborou com essa forma de avaliar a realidade baseada em nenhuma evidência. Isso transformou suspeitas em certezas e, por isso, os velhos políticos também sofreram com o julgamento baseado em meras suspeitas. E, basicamente, o fascismo precisa apenas de uma mentira para começar a se fortalecer. É exatamente o que ocorre com a campanha de Bolsonaro, ela cresce baseada em fake news, o que se diria em bom português apenas que ela se alimenta continuamente de mentiras, contadas sistematicamente uma após a outra, como recomendou Goebbels. É um método nazista. Bolsonaro incorpora esse método a todo instante.

    Mas, indo além, a velha tática nazista, de contar mentiras em sequência de metralhadora, é uma tática essencialmente burguesa. Ela foi apoiada pela burguesia alemã no III Reich, e também pela burguesia italiana, enquanto esteve o Duce no poder. Quero dizer, ela é um remédio contra o crescimento de políticas socialistas. Sempre foi e é preciso reconhecer isso para que se possa combate-lo. Bolsonaro não foge à regra e é um representante da elite plutocrata e da cobiça estrangeira, que tem todo o interesse em concentrar mais riqueza nas próprias mãos. Só a esquerda pode impedir que este filme se repita.

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