Sobre o discurso religioso

Por José Maria Eiró Alves, no Facebook

É desumano um candidato que é claramente preconceituoso.
Deus e a família acima de todos?
Qual família?
O Direito já evoluiu tanto que a nomenclatura da disciplina mudou: Direito das Famílias. Isso mesmo, no PLURAL, para proteger minorias e vulneráveis daqueles que se consideram o centro de tudo e não aceitam diferenças.
A propósito, usar de um discurso religioso para justificar voto num candidato contrário aos direitos humanos me parece clara vinculação as teorias medievais de obtenção de confissão mediante tortura… opa, desculpe, tem candidato que defende justamente isso.
A sociedade é constituída por pessoas das mais diversas origens e formações, por isso o melhor caminho é a inclusão.
A leitura e o esclarecimento são melhores do que a violência, entretanto, há dois mil anos o Nazareno que fazia uma revolução pacífica foi condenado e o agitador violento foi absolvido pela multidão.
O Cristo perdoou seus algozes, acolheu os diferentes e excluídos, deu à sua Mãe a missão de unir os discípulos, perdoou o oficial romano, evitou, sem tentar revogar a lei, um abrandamento de sua literalidade ao estabelecer como condição para o apedrejamento da adúltera que os seus prováveis executores estivessem livres do pecado; vivia no meio dos desvalidos, disse, na cruz, que o ladrão arrependido estaria no reino dos céus naquele dia com ele e ainda clamou a Deus pelo perdão daqueles que o vitimaram.
Dai falar que o voto naquele que não deve ser nominado tem base na moral, na família e em Deus!!!???
As Cruzadas também foram feitas em nome de Deus, tanto por cristãos como por muçulmanos…

2 comentários em “Sobre o discurso religioso

  1. Meus amigos dizem que sou um ateu cristão. Tudo bem, tenho mesmo uma formação cristã por causa da minha família cristã. E entendo a bíblia melhor que muitos cristãos. Melhor que os seguidores de Bolsonaro, pelo menos. Todo o evangelho posiciona Jesus ao lado dos pobres. E não para torna-los ricos, mas livres, independentes. Quem crucificou Cristo foi Roma. Por quê? Por que Roma precisava de escravos e o discurso de liberdade de Jesus incomodava o Império. Evidentemente, trata-se da luta de um povo oprimido contra uma pequena elite opressora, que exerce o poder a partir da força que riqueza pode pagar, para produzir mais riqueza ainda a partir do trabalho escravo ou mal remunerado. Isso é exatamente o que acontece agora no Brasil e, mesmo sendo ateu, sigo este exemplo de Jesus e me posiciono ao lado dos pobres porque sem essa atitude é a barbárie o que resta.

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