Atlético-MG pode ser punido por canto homofóbico que cita Bolsonaro

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Por João Vitor Marques

canto homofóbico que cita o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) entoado por torcedores do Atlético nesse domingo pode gerar punição ao clube alvinegro. A música foi ouvida das arquibancadas do Mineirão durante o empate por 0 a 0 no clássico contra o Cruzeiro, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro.

“Ô cruzeirense, toma cuidado: o Bolsonaro vai matar veado”, diz o canto (assista ao vídeo acima). A reportagem do Superesportes e do Estado de Minas estava no local e presenciou o momento durante o intervalo do jogo. A música foi registrada em vídeo nas redes sociais, que se encheram de críticas à atitude de atleticanos.
O Atlético está sujeito a punições por conta do que ocorreu nas arquibancadas do Mineirão. Nos últimos anos, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) aumentou a atenção a casos como esse.
O termo ‘homofobia’, entretanto, não é mencionado uma vez sequer nas 301 páginas do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O documento cita preconceitos ‘em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência’, mas, teoricamente, deixa de lado questões sobre orientação sexual.
Apesar disso, o STJD tem analisado episódios de homofobia. A maioria dos casos é incluída no artigo 243-G do CBJD, que prevê punições justamente a qualquer ‘ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.
“PENA: suspensão de cinco a dez partidas, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de cento e vinte a trezentos e sessenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código, além de multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais). (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009)”, lê-se no CBJD.
Os parágrafos 1º, 2º e 3º do artigo especificam a punição e citam, inclusive, atos praticados por torcedores e a eventual perda de pontos no campeonato:
“§ 1º Caso a infração prevista neste artigo seja praticada simultaneamente por considerável número de pessoas vinculadas a uma mesma entidade de prática desportiva, esta também será punida com a perda do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente, e, na reincidência, com a perda do dobro do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente; caso não haja atribuição de pontos pelo regulamento da competição, a entidade de prática desportiva será excluída da competição, torneio ou equivalente. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
 
§ 2º A pena de multa prevista neste artigo poderá ser aplicada à entidade de prática desportiva cuja torcida praticar os atos discriminatórios nele tipificados, e os torcedores identificados ficarão proibidos de ingressar na respectiva praça esportiva pelo prazo mínimo de setecentos e vinte dias. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
 
§ 3º Quando a infração for considerada de extrema gravidade, o órgão judicante poderá aplicar as penas dos incisos V, VII e XI do art. 170. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009)”.
Após a repercussão negativa na internet, o Atlético usou sua conta no Twitter para criticar a postura dos torcedores. “O CAM lamenta profundamente as manifestações homofóbicas de parte dos torcedores, no jogo deste domingo, no Mineirão. Reiteramos nosso repúdio a quaisquer gestos de preconceito ou de incitação à violência”. (Do Superesportes)

Um comentário em “Atlético-MG pode ser punido por canto homofóbico que cita Bolsonaro

  1. Acho que além da homofobia, há ainda a própria incitação à violência com a parte “Bolsonaro vai matar […]”. Qualquer coisa após o “matar” seria igualmente lamentável.

    Não pude deixar de lembrar dos “cânticos” nas lutas de MMA, onde se houve “uh vai morrer, uh vai morrer”; e também do Paysandu que perdeu mandos de campo por causa dos gritos de “bicha”.

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