O que os russos buscam na web sobre estrangeiros na Copa (e por que o Brasil decepciona)?

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O chefe da agência federal de turismo da Rússia anunciou na semana passada que mais de cinco milhões de turistas já visitaram as cidades sede da Copa do Mundo – e 2,9 milhões deles são estrangeiros. Em cidades internacionais como São Petersburgo, o vaivém de não-russos foi 20% maior em comparação a junho do ano passado. Já os moradores de locais mais remotos como Saransk viram 235 vezes mais “gringos” do que no mesmo período de 2017.

A presença internacional transforma o cotidiano dos russos e, claro, gera curiosidade. Quais são as principais dúvidas dos donos da casa sobre cada uma das 31 nacionalidades que disputam a Copa do Mundo (além da Rússia)?

A Yandex – maior empresa de tecnologia do país e dona da principal ferramenta de busca usada entre os russos – divulgou um relatório que traz algumas destas respostas.

Notícias ruins

O relatório da empresa mostra, separadamente, o principal tema de interesse e a pergunta mais feita sobre cada país. Os resultados revelam um interessante panorama sobre imagem que os torcedores deixaram sobre suas nações durante a Copa do Mundo – o que, no caso dos brasileiros, entre outros países, não significa notícias boas.

O principal assunto de interesse dos russos sobre o Brasil, segundo o “Google russo”, foi “insulto a garota”. A pergunta mais feita também se relacionava ao tema: “Quais são os nomes dos torcedores que gritaram obscenidades?”.

O resultado se refere aos vídeos que viralizaram no início dos jogos e mostravam brasileiros pedindo que mulheres russas repetissem ofensas e palavras de baixo calão – sem terem ideia do que estavam dizendo.

A repercussão do caso extrapolou o Brasil – onde os autores foram nominalmente identificados e, em alguns casos, demitidos – e gerou uma petição na Rússia pedindo punição dos autores e que já tinha mais de 85 mil assinaturas até a publicação desta reportagem.

Como a BBC News Brasil revelou, os termos de baixo calão repetidos pelos brasileiros no vídeo mais conhecido se tornaram título de grupos online que expõem e ofendem mulheres russas vistas com estrangeiros – eles já reúnem milhares de russos com tendências nacionalistas em uma rede social local.

Entre os 31 países analisados, o único (além do Brasil) a ser associado a casos do tipo tanto no assunto mais pesquisado quanto na pergunta mais feita pelos russos é a Argentina.

No caso dos vizinhos sul-americanos, a principal busca também se referia a termos ofensivos e a principal pergunta era “O que exatamente diziam os gritos e como os autores foram punidos?”

A pergunta mais feita sobre os nigerianos, por sua vez, ressalta uma visão preconceituosa dos internautas russos: “Como conseguiram dinheiro para ingressos?”. Arábia Saudita, Senegal e Japão tiveram, em comum, buscas relacionadas a ações de limpeza promovidas por torcedores nos estádios.

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Outras torcidas

Já a Alemanha foi lembrada graças à curiosa história de um torcedor de 70 anos que veio até a Rússia com um trator rebocando um quarto sobre rodas em formato de barril de cerveja. Em marcha lentíssima, o idoso cruzou 2,5 mil quilômetros em 30 dias.

As principais buscas ligadas aos suecos iam atrás de mais informações sobre o episódio em que torcedores do país literalmente esgotaram o estoque de cerveja da cidade de Nizhny Novgorod após sua primeira vitória na Copa do Mundo. Clichês também marcaram as buscas.

Os egípcios foram lembrados pelas fantasias de faraós nos estádios. O assunto mais relacionado aos australianos foram as suas fantasias de cangurus. A pergunta mais feita sobre franceses, ingleses e poloneses foi: “Por que há tão poucos?”.

Já o tema mais associado aos ingleses foi a confusão armada por dois torcedores em um trem, após a vitória da Inglaterra por 2 a 1 sobre a Tunísia. Eles foram expulsos e acusados de embriaguez e vandalismo.

O relatório, que descreve as principais buscas específicas sobre cada país, faz a ressalva de que pesquisas sobre gritos de torcidas foram muito frequentes em pesquisas ligadas a 17 países.

Os russos queriam entender o que diziam os ingleses quando gritavam “Eu não quero ir para o trabalho” (“I don’t won’t to go to work – grito tradicional dos torcedores do Newcastle), ou a música dos argentinos que cita Messi e Maradona (“Vamos Argentina, você sabe que te amo, hoje temos que ganhar e sermos primeiros estes torcedores loucos, deixaram tudo pela Copa, a que tem Messi e Maradona”).

Gritos dos torcedores brasileiros não apareceram entre os mais procurados pelos russos.

(Do Terra Esportes)

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