Sobre vaidades e preconceitos

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POR GERSON NOGUEIRA

Enquanto via na TV a pelada gloriosa entre colombianos e ingleses, ontem, esfalfando-se num jogo de erros que só foi ter alguma graça no final, veio à mente a fatídica cena do jogo Brasil x Colômbia pelas quartas de final da Copa de 2014, na Arena Castelão (Fortaleza), quando a truculência de Zúñiga tirou Neymar de campo e da Copa.

O golpe consistiu de uma joelhada certeira nas costas do atacante em típico lance de disputa de bola na zona morta, sem qualquer perigo iminente de gol. Foi um gesto deliberado de agressão, espantosamente atenuado por muita gente no Brasil.

Por muita sorte, Neymar não teve complicações maiores. Mas, independentemente das consequências físicas para a vítima, a entrada criminosa de Zúñiga teve o efeito pretendido: tirar o principal jogador brasileiro do restante da Copa.

Esse episódio relativamente recente e grave nem chega a ser mencionado em meio à caça imposta a Neymar. Recebeu mais de 20 entradas faltosas, praticadas quase sempre em sistema de rodízio de verdugos. Curiosamente, não aparece ninguém cobrando que as arbitragens o protejam.

Fico a matutar se, em meio a essa verdadeira execração pública, outra joelhada como aquela seria analisada com os olhos da razão. Concluo que o clima de linchamento não permitiria isso.

Ingleses invejosos da técnica apurada do craque e dinamarqueses mordidos porque saíram da Copa mais cedo iriam provavelmente dizer que ele simulou ou teatralizou a infração, com os comentários sórdidos de praxe – “foi coisa leve”; “não é para tudo isso”; “futebol é esporte para homens”.

Claro. Afinal, como diria o outro, pimenta na pele dos outros é refresco.

Neymar tem seu quinhão de responsabilidade na origem da fama de cai-cai, mas o exagero dos ataques não permite ver a gradual e meritória evolução do time brasileiro, que só correu algum perigo contra os mexicanos, mas soube controlar as ações a partir dos 20 minutos e venceu com autoridade.

Como nas Eliminatórias, a zaga mostra-se inexpugnável, embora Thiago Silva só tenha entrado agora para o time titular. Apenas um gol sofrido e atuações soberbas da dupla central. Há quem olhe com desconfiança para o fato de que o Brasil não se comporta com a mesma irreverência tática de outros tempos. Prefiro entender como amadurecimento.

Tite, muito além do discurso empolado de palestrante profissional, é um sujeito obcecado por sistemas de marcação. É tão atento e reverente a isso que mantém Gabriel Jesus no time pela simples razão de que aprendeu a ser combativo e ajuda na recomposição.

Do meio pra frente, a tendência é de que a equipe deslanche, a partir do crescimento inegável de Neymar na competição, escoltado por Coutinho, Willian, Gabriel (ou Firmino) e Marcelo, que tende a jogar mais avançado.

O próximo adversário, pelas próprias características, deve ser o teste mais relevante já encarado pela Seleção. É improvável que os belgas repitam o jogo bisonho mostrado contra o Japão, mas a exibição desnudou algumas de suas fragilidades, principalmente na estrutura defensiva. É por aí que pode se construir o caminho do triunfo.

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Papão busca vitória e reafirmação

Depois de cair em casa frente ao líder Fortaleza, o Papão tem outro compromisso difícil na Série B, hoje à noite, em Curitiba. Enfrenta o Coritiba, que tem 20 pontos e ambiciona ingressar no G4.

O histórico dos confrontos é desfavorável aos bicolores, mas a pior perspectiva é a atual fase da equipe na competição. Nos últimos dez jogos, apenas uma vitória, sobre o lanterna Boa Esporte, na Curuzu.

A ausência do artilheiro Cassiano é um ponto a ser ressaltado, mas os problemas se estendem além disso. Dado Cavalcanti não consegue dar consistência ao setor defensivo e nem encontra o encaixe na criação.

O mais desconcertante é que, após o jogo de sábado, o técnico admitiu que taticamente o time não funciona. Caso continue nessa cruzada errática, a tendência natural é de queda vertical na classificação. Os riscos são óbvios e imediatos. Em 11º lugar, o PSC pode já nesta rodada ser ultrapassado por até cinco concorrentes.

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Exemplo de civilidade que arrasta e comove

Depois do gesto dos torcedores nigerianos limpando as cadeiras do estádio russo, a imagem do vestiário da Arena Rostov usado pelo Japão no jogo contra a Bélgica viaja pelo mundo como exemplo de educação e civilidade. Mesmo tristes pela derrota por 3 a 2, de virada, a delegação nipônica deixou as instalações tão limpas que nem pareciam ter sido usadas. De quebra, sobre uma mesinha, um cartão dizendo “Obrigado”.

De vez em quando, alguém faz a gente crer que o mundo insano e louco que habitamos ainda pode ter esperanças.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 04)

4 comentários em “Sobre vaidades e preconceitos

  1. É indiscutível a crescente de nossa seleção nacional. As únicas coisas que me causam incômodo no time são os laterais e o goleiro. Sempre que o adversário avança, Fagner e Felipe Luís deixam os pontas adversários desmarcados, e preferem colar nos nossos zagueiros. Isso tem sido recorrente. Não entendi ainda o porquê disso, mas reparei que na seleção da Bélgica ocorre a mesma coisa. Quanto ao apoio ao ataque, nosso lateral esquerdo está indo bem em dobradinha com Neymar, e algumas vezes arrisca avançar pelo meio e quase sempre com êxito acaba virando um elemento surpresa. Eu nunca fui fã do futebol do Felipe Luís, mas já estou preferindo ele ao Marcelo por conta dos pouco erros de passe que comete em comparação ao anterior titular da posição. Pelo lado direito, William passou as primeiras partidas sem ter com quem jogar por ali – talvez por opção de Tite, pois Fagner poucas vezes chega para apoiar, e até agora não consegui contabilizar um único cruzamento certo realizado por ele. Minha outra preocupação é quanto ao nosso goleiro pois tenho sentido pouca segurança da parte dele. Suas únicas defesas foram de bolas chutadas ou cabeceadas bem em cima dele. Apesar das recorrentes reclamações do empurrão quando levamos aquele gol da Suíça, é inegável que nosso goleiro falhou: em bola alçada na pequena área ele tem a obrigação de sair do gol. Contra a Croácia, ele rebateu vários cruzamentos para a frente, cruzamentos esses que só foram possíveis devido às falhas de marcação dos laterais deixando livres os ponteiros adversários. Ainda bem que a proteção da zaga e dos volantes tem funcionado bem, e que do meio pra frente nosso poder ofensivo é grande. Podemos dizer que nosso Brasil é um grande favorito para levantar essa taça e trazer o Hexa pra casa. Estamos muito confiantes!

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  2. Sobre a seleção tenho a certeza de que passaremos às semifinais.
    Bélgica mesmo apontada como favorita, particularmente não vi futebol para isso, não vai aguentar a agilidades do time brasileiro.
    Contudo, seriedade e objetividade características dos times treinados por Tite é que me dão esta certeza, e isso ele conseguiu no meio da nossa seleção.

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  3. Paysandu.
    Ladeira a baixo.
    Não vejo outra situação com o atual elenco e pseudo-treinador.
    Time bisonho, sem sangue e sem criatividade.
    Série C de 2019 certamente terá um paraense e não será o Remo.

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  4. Daniel, o motivo dos laterais encostarem nos zagueiros deve ser um pedido do Tite, muitos times e seleções tem treinado exaustivamente a compactação horizontal das linhas de defesa, isso busca evitar que a bola seja enfiada para os atacantes entre os zagueiros e laterais, considera-se melhor deixar o atacante adversário receber a bola aberto na lateral do campo do que por trás da defesa, isso foi muito visto no jogo contra o México, quando o Fagner e o Filipe Luis grudavam nos zagueiros e os atacantes recebiam ligeiramente livres, mas bem abertos relativamente longe da área.
    Aquela cabeçada que o Gabriel Jesus acertou na trave da Costa Rica no começo do segundo tempo o cruzamento foi realizado pelo Fagner. A verdade é que em virtude da baixa estatura dos atacantes brasileiros os cruzamentos estão sendo todos rasteiros.
    Assim como você, também não sinto segurança no Alisson, parece se colocar bem embaixo da trave, mas não parece ser um goleiro muito arrojado pra realizar grandes defesas, além de não jogar bem com os pés, erra muitos lançamentos e passes, ainda bem que até agora a seleção não precisou muito dos seus serviços, pois o sistema defensivo está bem montado e proporciona poucas oportunidades para os adversários.

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