Pinimba desmerece triunfo

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POR GERSON NOGUEIRA

O Brasil ganhou com autoridade, superando um adversário perigoso, que chegou a exercer forte pressão e marcação alta no começo da partida. Foi um triunfo sem contestações, construído em lances muito bem trabalhados no ataque, com inversão de posicionamento e cruzamentos vindos da linha de fundo. A mais equilibrada e consistente atuação da equipe nesta Copa do Mundo.

No entanto, a repercussão em todo o mundo se concentrou na cena em que Neymar foi pisoteado quando se encontrava caído no gramado. A arbitragem consultou o sistema de vídeo e não deu trela às reclamações do brasileiro. Não significa que não tenham fundamento. Na verdade, as imagens mostram claramente o momento do pisão sobre o pé de Neymar.

De uma hora para outra, o melhor jogador do Brasil volta a ser o centro das discussões pelos motivos errados – e injustos. É inegável que Neymar costuma exagerar nos gritos e reações às faltas que recebe, algumas duríssimas, como na partida de ontem.

Quando reclamou de pênalti no jogo contra a Costa Rica, foi acusado de simulação, mas o árbitro não teve coragem de agir conforme as regras da Fifa, aplicando advertência. Lógico que não fez isso porque ficou a dúvida quanto ao movimento do zagueiro costarriquenho. Continuo a considerar o lance como faltoso, mas entendo a questão interpretativa.

Ontem, porém, não há como acusar Neymar de fingimento ou teatro, como afirmou o ator da série Harry Potter nas redes sociais. Ou como Peter Schmeichel, ex-goleiro da Dinamarca, virulento nos ataques ao brasileiro, pedindo inclusive punição da Fifa. Peter é pai de Kasper, o arqueiro que saltou sempre adiantado nas cobranças de penais contra a Croácia, no domingo.

Na prática, é visível o surgimento de uma espécie de levante midiático para diminuir os feitos de Neymar em campo. Craque indiscutível, ele começa a encontrar a melhor forma dentro da competição, depois do período de recuperação da cirurgia no tornozelo.

O Brasil não é só Neymar, mas acaba atingido pelas críticas que alvejam seu principal jogador. Não parece ser algo orquestrado, mas ganha contornos de pura perseguição. Na véspera do jogo, os jogadores mexicanos enfatizaram a história do cai-cai a fim de desestabilizar o atacante e para pressionar a arbitragem. Além disso, três deles pintaram o cabelo numa declarada provocação a Neymar.

A Copa entra em seus momentos cruciais e é natural que um jogador polêmico gere comentários e avaliações críticas. O problema é quando isso suplanta a simples análise de um jogo no qual o Brasil mostrou-se gigante frente a um adversário que luta para alcançar patamares mais elevados, mas ainda não saiu da chamada zona periférica do futebol.

Com grandes atuações de Willian e Thiago Silva, e da excelente presença do próprio Neymar, a Seleção avança às quartas para encarar um adversário respeitado e elogiado pelos craques que reúne, mas que por muito pouco não foi defenestrado pelo emergente Japão.

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Direto do blog campeão

“Algumas considerações sobre o time do Paysandu. Esse elenco na mão de outro treinador jogaria diferente e melhor. O time padece de desânimo, afobação, falta de criatividade e pouca inspiração. Impressiona como jogadores que se saíram bem em outros times persistam fazendo jogos ruins, sem vislumbre de melhor atuação. Estão aí: Carmona, Danilo Pires, Moisés, Magno, Cáceres e outros. Será o clima? Será o açaí? Essa situação também já aconteceu no passado com outros jogadores. Observa-se que os reservas não rendem também. Então devem ser substituídos. O Fortaleza atacava e retornava com 8 jogadores para a marcação, contra 2 ou 3 atacantes afobados e com pouca garra. Falta de treinos?”. Pedro Sampaio de Souza, angustiado com o baixo rendimento do Papão

“Como diria o bom baiano Moraes Moreira: lá vem o Papão descendo a ladeira! A imagem, copiada de anos anteriores, que se tem é de que o time já entrou de férias na 13a rodada (1/3 da competição), e a Diretoria está plenamente satisfeita. Os outros 2/3 da competição serão reservados para a titânica luta contra o rebaixamento, com a manjada promessa do ‘professor’ de que a reabilitação virá no próximo jogo. Resta ao torcedor fazer o mesmo, e economizar seu suado dinheirinho; para o veraneio de julho, o pato do Círio e os presentes de Natal. Fui”. Jorge Paz Amorim, igualmente incomodado com a atuação bicolor

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 03)

2 comentários em “Pinimba desmerece triunfo

  1. A situação de Neymar vai lembrando, tragicamente, a fábula de Pedro e o Lobo. Tanto fingiu, que quando resolveu contar a verdade, ninguém ousou acreditar. A fama de cai-cai e ator não foi construída à toa. Agora, os adversários, sabendo disso, tentam desacreditá-lo a todo instante, sabendo que o mundo o observa com olhos desconfiados. Talvez, diante dessa situação de descrença, nem mesmo com sangue Neymar conseguirá provar que anda apanhando “de verdade” dentro de campo. E com isso a Seleção pode ser prejudicada…

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  2. Sobre Neymar: nunca um ditado se aplica tão bem a uma pessoa como aquele que diz “colhe o que planta”. As encenações circenses do jogador, que é conhecido como cai-cai, atraiu e atrai a ira de adversários, o repúdio da imprensa estrangeira e a marcação cerrada dos árbitros sobre seu comportamento dentro de campo. Não se coloca em dúvida o talento futebolístico desse jogador. Mas é certo que se ele mudasse suas atitudes infantis poderia ser muito mais útil é eficaz dentro de um esporte essencialmente coletivo. A extrema proteção dada a esse jogador pelos que o rodeiam, imprensa brasileira inclusa, o fez uma pessoa egoísta e egocêntrica. E essa proteção se revela em coisas banais como numa entrevista pós jogo de ontem, em que Neymar foi impedido por Tite a responder uma pergunta a respeito das declarações dada pelo técnico da seleção mexicana sobre a arbitragem do jogo. Não colou a justificativa do técnico brasileiro de que crítica de técnico é ele que reponde. A crítica de Osório não era sobre esquemas táticos ou coisas do gênero, mas sobre as interrupções frequentes no jogo justamente em razão das alegadas faltas sobre Neymar. A seleção mexicana, igualmente a da Colômbia, consegue reunir bons jogadores mas carece de um espírito copeiro e, por isso, sempre fica pelo meio do caminho. Só espero que um provável triunfo da seleção brasileira, verdadeira legião estrangeira, não venha mascarar a atual indigência financeira e técnica do futebol brasileiro.

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