O alvorecer da nova era

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Croácia de Luka Modric (10) avança e pode ir longe

POR GERSON NOGUEIRA

A Copa do Mundo russa já é uma das mais equilibradas da era moderna. Talvez só comparável à de 2010 na África do Sul, vencida por uma Espanha correta, elegante e pouco revolucionária. Na verdade, a seleção de Del Bosque ganhou praticamente por exclusão, visto que os demais competidores se atrapalharam com os próprios pecados e indecisões.

O equilíbrio pode significar evolução ou mero continuísmo. Por ora, observo um claro avanço do pelotão intermediário, disposto a não respeitar camisa ou se impressionar com feitos do passado.

México, Japão, Suíça, Suécia, Croácia, Colômbia e Rússia simbolizam bem esta nova realidade. Pode ser que tudo não passe de simples coincidência, mas é indiscutível que nunca antes essas seleções se mostraram tão desenvoltas e audazes como agora.

Não duvidaria se uma delas se habilitar ao grupo de elite da competição, chegando às semifinais após sobreviver ao crivo do mata-mata. Vejo Croácia e Suécia com boas possibilidades de quebrarem a métrica das previsões conservadoras.

Aos olhos de muitos essa inserção é vista como um irreverente passeio de zebras pelos gramados da velha Mãe Rússia. Pode ser uma visão enganosa. Desconfio que uma nova ordem esteja por se estabelecer, abrindo espaço – em boa hora – para os eternos coadjuvantes.

Caso se confirme esse alvorecer de era, os países mais tradicionais, principalmente aqueles que formam o clube fechadíssimo dos campeões mundiais, precisarão se reinventar. O próprio formato da Copa, que ganhará 48 participantes a partir de 2026, vai determinar isso.

Os acomodados precisarão não apenas se incomodar, mas se reposicionar para não serem tragados pela voragem da novidade. É preciso saber captar os sinais e um dos mais óbvios está na maneira de jogar. O grupo dos emergentes passou a imprimir velocidade ao jogo, como quem tem pressa de chegar. Por isso, eles já estão aí.

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Bola na Torre

O programa começa às 22h, na RBATV, com Guilherme Guerreiro no comando e participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. O programa tem distribuição de prêmios e participação dos internautas.

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Enfim, um Remo confiante e vitorioso

O resultado do sábado à noite prova que o Remo rompeu com as amarras que o atrapalhavam nesta Série C. Conseguiu o que parecia quase impossível nos últimos jogos: vencer jogando bem, sem sofrer para alcançar esse objetivo.

Sob o comando de João Neto, substituto de Artur Oliveira, a equipe encarou o jogo sem o pesadíssimo fardo da responsabilidade nas costas. A competência com que construiu um placar seguro ainda no primeiro tempo é prova evidente dessa transmutação.

Isac, prestigiado por Netão, voltou a marcar – e de cabeça, reconhecidamente um fundamento que ele não executa bem. O gol acendeu a torcida e deu tranquilidade ao time. A boa atuação de Nininho pelo lado direito, fazendo o papel de um ala moderno, foi crucial para o rendimento da equipe na primeira etapa.

Rodriguinho, atento e focado, aproveitou bem uma bola espirrada pelo goleiro Tigre e bateu de primeira no canto esquerdo do gol da Juazeirense, ampliando o placar e o nível de confiança do time.

É verdade que Vinícius salvou o time em vacilo de marcação da zaga, mas de maneira geral a apresentação foi superior a tudo o que o Remo já exibiu no campeonato. Mesmo em pequeno número, em função do horário ruim, a torcida aplaudiu inúmeras vezes o comportamento do time.

O meio-campo funcionou a contento com as movimentações de Everton e Rodriguinho, confirmando aquele que é o maior legado da curta passagem de Artur: o dinamismo e a rapidez na troca de passes no setor de criação.

O único aspecto a ser observado e corrigido por Netão é a quantidade de erros de passe na transição entre defesa e meio-campo. Os zagueiros estão errando muito e os volantes exageram nas tentativas de conduzir a bola.

Naquele compartimento do time só quem deve ter licença para carregar o jogo são os meias Rodriguinho e Everton. Leandro Brasília e Geandro devem marcar e entregar a bola a quem sabe o que fazer com ela. Ao mesmo tempo, a defesa precisa de cobertura mais apurada.

Em dois ou três momentos, o confuso time da Juazeirense andou ameaçando em escapadas pelo lado esquerdo, aproveitando indecisões de Fernandes e dos zagueiros. Erros desse tipo têm sido responsáveis por boa parte dos gols que o Remo tomou ao longo da disputa.

No fim das contas, uma atuação que reabilita o time na Série C, quebra o longo jejum de vitórias e reanima a torcida, que tinha razões de sobra para andar ressabiada. Restam seis jogos e o Remo precisará conquistar mais 11 pontos para escapar ao rebaixamento.

É apenas o começo do trabalho de Netão, mas, como disse o sábio Lao-Tsé, toda caminhada se inicia pelo primeiro passo.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 01)

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