A um passo do precipício

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POR GERSON NOGUEIRA

O que antes era questão de risco, agora é perigo real e imediato. O Remo está isolado na última posição do grupo A da Série C, com oito pontos, quatro atrás do penúltimo colocado e a cinco do primeiro time fora da zona de rebaixamento. O fato é que, após sofrer a virada frente ao Globo, ontem, nunca a Série D esteve tão próxima para o Leão.

Como nas outras partidas sob o comando de Artur Oliveira, o time desenvolveu uma boa troca de passes no meio-campo com a participação dos laterais. Fez o gol logo no começo do jogo em cabeceio de Isac, mas, como sempre, não teve forças para resistir à pressão adversária e cedeu o empate seis minutos depois.

É bem verdade que o gol do Globo foi irregular. O zagueiro Alexandre estava impedido no lance, mas se beneficiou da falha dos zagueiros no jogo aéreo.

Ainda assim, o primeiro tempo do Remo foi de razoável. Buscou mais o gol, tomou iniciativas e diversificou as jogadas. O Globo apenas se defendia e explorava contra-ataques.

Depois do intervalo, Artur manteve a mesma configuração, mas perdeu Rafael Bastos (por contusão), que era o atacante pela direita. Dudu Pacheco, estreante, entrou em seu lugar. A mexida afetou o rodízio de jogadores posicionados mais à frente, que tinha em Everton o principal organizador.

Desentrosado, Dudu não se entendeu com os companheiros, apesar do esforço em acertar. A opção por Gabriel Lima teria sido mais apropriada, até pelo espaço oferecido pela defesa potiguar e a facilidade do atacante para fazer o jogo mais centralizado.

O gol da virada aconteceu por um erro de posicionamento da defesa remista. Quando Romarinho puxou um ataque pelo lado esquerdo, em cima de Bruno Limão e Geandro, Renatinho ficou livre na entrada da área. Recebeu o passe e chutou rasteiro. A bola bateu no morrinho e enganou o goleiro Vinícius, que fazia boa atuação.

Logo em seguida, Mimica se lesionou e Romário entrou em seu lugar. Quarta estreia num só jogo – os outros foram Bruno Limão, Keoma e Dudu. É muito para a capacidade de organização de um time, ainda mais precisando desesperadamente vencer.

Dez minutos depois do segundo gol, a zaga ficou olhando o cruzamento chegar ao lado direito do ataque do Globo e o passe sair em direção a Max, que finalizou e atingiu o goleiro Vinícius. Ninguém reagiu e a derrota se consolidou ali.

Nos minutos finais, Rodriguinho acertou um disparo forte no ângulo, obrigando o goleiro Rafael a uma boa defesa. Isac desperdiçou dois bons cruzamentos na área. E ficou nisso.

Artur, em clima de despedida, colocou o cargo à disposição da diretoria na entrevista pós-jogo e lamentou os erros de arbitragem, preferindo não analisar as muitas falhas defensivas da equipe. Mesmo com equívocos na escalação, o técnico não é o maior responsável pelo buraco em que o Remo se encontra.

O problema vem de longe. A situação desesperadora na tabela remete a erros que têm origem na temporada passada quanto à escolha de jogadores.

Olhando com mais atenção, o drama tem raízes nos desacertos administrativos que levaram à destruição do estádio Baenão, ao assalto na sede social e à inconcebível letargia das instâncias deliberativas do clube na apuração de desmandos e irregularidades variadas. Quem planta, colhe.

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Jogo enrolado com empate salvador

O Papão travou um confronto equilibrado com o CRB, sábado à noite, em Maceió. Foram iguais em quase tudo, até nas graves limitações técnicas para desenvolver seus planos em campo. O placar de 1 a 1, consignado nos dois minutos finais, diz exatamente o que foi a partida.

Com Thomaz zanzando pelo meio-campo, à frente de Nando Carandina e Renato Augusto, o desenvolvimento das ações ficou meio sem dono. Faltava alguém para se responsabilizar de verdade pelas manobras, tomando as iniciativas necessárias. Moisés fazia o falso 9, mas raramente entrava na área.

Meio aos trancos e barrancos, o CRB perdeu duas chances no primeiro tempo e não foi incomodado pelo bem-comportado ataque bicolor. Já na etapa final o time da casa se soltou mais, usando os lados e cruzando bolas para o centroavante Neto Baiano.

O Papão até se defendia razoavelmente bem, mas não conseguia mostrar agressividade no ataque, revelando a imensa saudade do goleador Cassiano. Ainda assim, Moisés quase chegou lá aos 25 minutos, disparando um chute forte na trave direita do goleiro Luiz Carlos.

Nos acréscimos, Lucas desviou de cabeça um cruzamento que veio da direita. A zaga do PSC ficou olhando a bola passar e o goleiro Renan não saiu do chão. O gol pareceu um castigo imerecido – e era. Afinal, o CRB não fazia por merecer a vitória.

Um minuto depois, diante da sonolenta marcação, Mike lançou uma bola alta sobre a área, o goleiro não foi, os zagueiros esperaram e Magno teve a calma necessária para cabecear no canto oposto. Aí, sim, fez-se justiça, posto que ninguém merecia vencer.

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Novidade inglesa desafia os candidatos à artilharia

A Copa ganhou novo artilheiro ontem, o que funciona como um saudável desafio à sede competitiva de Cristiano Ronaldo e cutucar outros pleiteantes ao posto, como Messi, Lukaku, Suárez e Neymar. Harry Kane chegou a cinco gols, após marcar três vezes contra a frágil defesa do Panamá.

Quanto às seleções, o Mundial destaca times que mantiveram as bases de 2014. México, Suíça e Bélgica têm em seus elencos 15 remanescentes da última Copa. Isso talvez explique um pouco do sucesso que vêm obtendo nas primeiras rodadas.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 25)

4 comentários em “A um passo do precipício

  1. Francamente esse time do Paysandu é bisonho e esse aprendiz de técnico de mãos dadas com a Diretoria do Paysandu, vai levar o time à lona. Se fosse técnico local já estava crucificado há muito tempo.

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  2. Caro jornalista, você disse tudo sobre a penúria do Remo no texto acima e em seu comentário pós-jogo na Rádio Clube. Adiciono apenas o seguinte: o Remo subestimou a Série C ao não trazer jogadores de qualidade para reforçar o elenco. O clube, por sua tradição, tinha a obrigação de ter um elenco igual ou superior tecnicamente aos maiores concorrentes. Não é nem superior a times modestos como o adversário de ontem, o Globo. Muito pelo contrário. Quanto a estádio destruído, falta espaço para treinamento, balbúrdia administrativa, menosprezo à base, indigência financeira e outros males que estão destruindo o Remo, só uma revolução pode dar jeito.

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  3. A única força que pode reerguer o Clube do Remo do fundo do poço onde se encontra é a sua torcida. Somente uma ação conjunta, organizada e potencial da massa azulina, reordenando administrativa e estruturalmente o clube seria a solução possível diante desse cenário apocalíptico provocado por gestões irresponsáveis e egolátricas. Sinceramente, não vejo outra saída num futuro próximo. Tenho convicção de que o Remo voltará à fatídica Serie D em 2019, quanto a isso não cultivo mais ilusões apaixonadas. É fato. Contudo, penso que ainda há alternativa para um futuro soerguimento desse imenso clube paraense, em anos vindouros, e é nesse ponto que a torcida azulina deve entender que só assumindo um papel de protagonista para além das arquibancadas poderá proporcionar dias mais tranquilos e organizados ao sofrido Leão Azul.

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