Um pequeno aperitivo

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POR GERSON NOGUEIRA

A Copa começou ontem, a festa foi meio chinfrim como toda festa de abertura, mas o povo sabe que o grande jogo desta primeira semana é mesmo Portugal x Espanha, que acontece hoje à tarde. Mundiais de futebol têm dessas coisas. Normalmente, o anfitrião enfrenta uma garapa logo na estreia para não desanimar a torcida. A Rússia encarou a Arábia Saudita e aproveitou a moleza. Marcou 5 a 0, placar que pode definir a vaga à próxima fase, mesmo sem ter feito uma exibição primorosa.

O jogo até que foi movimentado, com dois gols muito bonitos, o segundo e o quinto, mas é óbvio que os donos da casa não têm bala na agulha para ir muito longe. Passar da primeira fase já é um grande feito, capaz de animar a taciturna galera russa.

Costumo ver abertura de mundiais sem muita empolgação, pois todo mundo sabe que é um confronto definido pela organização com o intuito de alavancar as esperanças do torcedor. Nada de botar uma carne de pescoço logo na estreia, o que seria mais complicado porque a Rússia não atravessa um bom momento em termos futebolísticos.

A grande equipe do grupo A é o Uruguai, com Luiz Suárez e Cavani no ataque. Óbvio que é melhor começar a competição com o ainda ingênuo time árabe como adversário. Hoje, uruguaios e egípcios se enfrentam e poderemos ter uma ideia mais realista sobre a correlação de forças na chave.

Muito além do cotoco cuidadosamente planejado pelo cantor pop Robbie Williams, de carreira titubeante e músicas xaroposas, a cerimônia que inaugurou o torneio dá bem a medida do que se pode esperar nas próximas quatro semanas. A torcida vibra, comemora gols como qualquer outra, mas é torcida de Copa do Mundo.

Não há o saudável exagero natural das plateias que acompanham times de futebol pelo mundo. Os argentinos chegaram cantando suas músicas de endeusamento a Messi e Maradona, mas não é o suficiente para dar ao torneio algo parecido com o barulhinho bom da Copa de 2014 no Brasil, a competição que bateu todos os recordes mundiais de animação, apesar da existência de um grupelho de pascácios reclamando contra a existência do futebol.

Na Rússia, é improvável que isso se repita, como também não deve ser possível ver torcidas arrebatadas, apoiando e empurrando seus times. Pela educação mostrada pela plateia da abertura, esta deve uma Copa sem arroubos dos fãs. Vai depender exclusivamente da qualidade dos jogadores.

Cristiano Ronaldo e Iniesta têm a imensa responsabilidade de mostrar ao mundo, no clássico de hoje, que o torneio terá bons jogos pela frente. Como é a primeira rodada do grupo B, é quase certo que os times serão bem menos agressivos do que poderiam. O instinto de preservação fala mais alto. De qualquer maneira, Portugal e Espanha têm condições de fazer o melhor confronto deste alvorecer de campeonato.

Na outra partida da chave, Marrocos e Irã se digladiam com a convicção serena de que estão na Rússia para disputar três jogos e depois voltar para casa, pois ambos são candidatos óbvios à eliminação na 1ª fase.

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Humildade pode ser o ponto de partida para grandes avanços

Houve quem imaginasse que os testes do Papão na semana, com a volta ao sistema 4-5-1, eram apenas ensaios livres. Dado Cavalcanti está deixando claro que a mudança é pra valer. Diego Ivo e Edimar serão os zagueiros e o time terá laterais de ofício, Mateus Silva e Carlinhos.

Contra o CSA, amanhã, o meio-de-campo também terá jogadores de marcação bem definidos – Nando Carandina e Renato Augusto. Os meias serão Alan Calbergue e Pedro Carmona. Na frente, Cassiano e Mike.

Pode dar certo, desde que os laterais funcionem como apoiadores do ataque e os meias sejam participativos, entendendo-se por isso a preocupação em alimentar o ataque. Cassiano precisa ser acionado constantemente, com jogadas que facilitem sua movimentação na área.

Dado admite com a reformulação do time que o 3-5-2 deu o que tinha de dar. Foi responsável pela surpreendente campanha vitoriosa no começo da Série B, mas aos poucos acabou perdendo força e vitalidade, passando a ser neutralizado pelos adversários.

A ideia de voltar a ter uma linha defensiva de quatro é interessante porque atesta humildade, virtude tão necessária e rara. Quando percebeu que o sistema usado não estava mais funcionando, o técnico não hesitou em buscar alternativas.

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Joias do pensamento futeboleiro

“Um 0 a 0 é como um domingo sem sol”.

“Jogamos como nunca, perdemos como sempre”.

“Nenhum jogador é tão bom como todos juntos”.

“As finais não se jogam, se vencem”.

“A bola é feita de couro, o couro vem da vaca, a vaca come grama, então você tem que saber jogar a bola na grama”.

Don Alfredo Di Stéfano, craque argentino (1926-2014)

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Enfim, a Copa ganha um comentarista de alto calibre

José Trajano, velho batalhador das grandes causas, anunciou triunfalmente ontem que seu programa “Papo com Zé Trajano”, que vai ao ar de segunda a sexta na TVT, canal 441, HD Rádio Brasil Atual 98,9, das 18h15 às 19h, terá Luiz Inácio Lula da Silva como comentarista.

Torcedor inveterado, o ex-presidente Lula aceitou falar sobre os jogos da Copa no programa do Zé. O aplicativo para smartphones é disponibilizado na Play Store e na AppStore.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 15)

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