Um país que passa a acreditar apenas em culpa, nunca em inocência, está condenado ao desastre

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Por Reinaldo Azevedo, na Folha SP

A esquerda d’antanho gostava da tese mixuruca de que o futebol é que era o ópio do povo. A disputa nos distrairia de nossos reais problemas e serviria à manipulação ideológica —o futebol e também as… revistas em quadrinhos! Procurem saber o que é um livro hediondo, literalmente do século passado, chamado “Para Ler o Pato Donald”. Aqueles conceitos tortos, essencialmente errados, do que seriam “alienação” e “consciência” estão aí, vulgarizados até em memes, mas, desta feita, pela direita xucra.

O Brasil que sabe a escalação do Supremo, mas não a da seleção, é só um país infeliz, de patos com complexo de rottweilers nada amorosos.

Um país que passa a acreditar apenas em culpa, nunca em inocência, está condenado ao desastre. Nesse ambiente, as garantias legais são tidas como elementos procrastinadores da Justiça. As defesas dos indivíduos contra a força coativa do Estado, base de qualquer regime democrático, se dissolvem na paixão justiceira. Do habeas corpus à presunção de inocência, tudo se rende no altar do combate à corrupção, real ou suposta. Nosso gol é prender pessoas. Nosso talento é punir.

Link para a matéria de Reinaldo Azevedo.

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