Um empate que caiu do céu

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POR GERSON NOGUEIRA

Em quantidade decepcionante para o seria uma nova festa pela conquista da Copa Verde, a torcida do Papão parecia estar prevendo que o jogo seria complicado e angustiante. Ao longo da primeira etapa, só deu São Bento, que desfilou em campo, ditando o ritmo e movimentando-se à vontade. Chegou ao gol logo aos 14 minutos e teve mais três boas chances para ampliar. O 2º período foi mais parelho. O PSC melhorou a partir dos 30 minutos e achou o empate em cobrança de pênalti aos 46 minutos.

Assim que a bola rolou, perante 6 mil espectadores, o São Bento partiu para a ofensiva. Diogo Oliveira, Dudu Vieira, Doriva e Walterson eram os jogadores mais envolvidos na busca pelo gol. Walterson queimou a primeira chance logo aos 9’, após tabelinha na área com Dudu. A defesa alviceleste, apática e lenta, apenas observava.

As facilidades eram tantas que, aos 14’, Diogo Oliveira recebeu um passe junto ao bico esquerdo da área e só teve o trabalho de definir o canto. Mandou um chute cruzado, de curva, fora do alcance de Renan Rocha. Pra variar, a zaga cochilou de novo.

Com o estreante Carlinhos na ala esquerda e o retorno de Maicon Silva pela direita, o Papão se ressentia de marcação mais firme pelos lados. Na frente, Thomaz tentava fazer a aproximação com Cassiano e Claudinho mas falhava nos passes curtos, para irritação da torcida.

Depois do gol, o setor defensivo do PSC ficou ainda mais exposto pela necessidade de subir ao ataque. Aos 19’, Diogo Oliveira, movimentando-se bem na intermediária, recebeu excelente passe de Walterson e bateu rasteiro para defesa arrojada de Renan Rocha.

O próprio Walterson, aproveitando a avenida deixada por Maicon Silva, esteve a pique de fazer o segundo gol, chutando à direita de Rena. Num reflexo da atrapalhada atuação do PSC, o primeiro arremate perigoso em direção ao gol foi de Thomaz aos 37’, com a bola saindo rente ao poste do gol sorocabano.

Para tentar mudar a fisionomia do time, Dado Cavalcanti tirou Perema e botou Pedro Carmona em campo. Manteve a linha de três zagueiros, recuando Renato Augusto para ficar ao lado de Edimar e Diego Ivo. Funcionou por alguns minutos, fazendo com que pela primeira vez no jogo o PSC desse sinais de que podia equilibrar as ações.

O problema é que Carmona voltou a sentir a lesão. Em gesto ousado, Dado lançou o estreante Ryan Williams. Moisés já estava em campo, substituindo Carlinhos. Ryan ficou no meio e Moisés caiu pela esquerda, ajudando Cassiano a de vez em quando pegar na bola, coisa que praticamente não aconteceu na primeira etapa.

Antes de deixar o campo, Diogo Oliveira quase fez 2 a 0, batendo forte e cruzado para defesa de Renan Rocha, que tocou com os dedos e desviou a bola para escanteio. O São Bento decidiu então se acautelar, mantendo apenas o atacante Zé Roberto na frente e esperando o PSC em seu campo.

Empurrado pela torcida, o Papão ficou insistindo com bolas cruzadas, sem sucesso, até que um lançamento na área tocou no braço do lateral Everton Silva. Cassiano bateu, o goleiro defendeu parcialmente e a bola entrou, aos 46’. Um empate sofrido, mas importante pelas circunstâncias do jogo. (Foto: Fernando Torres/Ascom PSC)

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Leão entrega o ouro em casa e despenca na tabela

Foi um exagero, mas o futebol pune a imperícia. Os três gols do Confiança aconteceram de maneira fulminante, entre os 25 e os 46 minutos do 2º tempo, justo quando o Remo era muito mais presente no ataque e criava situações de perigo para a retaguarda sergipano. O placar acachapante construído nos 21 minutos finais não o que foi o jogo, bastante equilibrado até o primeiro gol, mas demonstra que, ao contrário dos azulinos, os visitantes foram competentes no aproveitamento das chances criadas.

E chance não faltou aos azulinos. No primeiro tempo, Isac, Elielton, Jaime e Dudu perderam erraram finalizações diante do goleiro Genivaldo. É bem verdade que, antes de o Remo se estabilizar na partida, o Confiança rondou o gol de Vinícius em várias ocasiões.

O goleiro azulino impediu o primeiro gol logo aos 2 minutos, quando Diogo entrou pela esquerda e bateu cruzado. Iago perdeu duas chances claras e Raí bateu de fora da área, tirando tinta do poste direito remista. Aos poucos, depois do mau começo, o Remo foi se erguendo e a partir dos 20 minutos passou a comandar a partida.

Na etapa final, Givanildo trocou Jefferson Recife (contundido) por Levy, mas manteve Isac, mesmo sob os protestos da torcida. Depois, substituiu Elielton por Gabriel Lima. Com Levy, mesmo improvisado, o Remo aumentou a pressão pela esquerda em busca do gol. Ao mesmo tempo, cedia espaços para triangulações e saída rápidas do Confiança.

E, quando mais insistia no ataque, a casa caiu. Aos 25’, em contragolpe bem tramado que envolveu a defensiva azulina, a bola chegou a Léo Ceará. Ele chegou disparando um chute forte da entrada da área, aproveitando a hesitação de três defensores do Remo.

No desespero, Givanildo finalmente tirou Isac e lançou Eliandro. Apesar dos esforços, faltava jeito e organização para impor uma reação. Quando ainda buscava assimilar o golpe, nasceu o segundo gol – na verdade, um golaço de Everton, pegando na veia e sem defesa para Vinícius, aos 37’.

O terceiro gol (Bruno Maia contra) saiu nos acréscimos, em consequência do desespero azulino em tentar pelo menos diminuir a diferença.

A história final poderia ter sido outra, mas o fato é que o Remo, mesmo obtendo boa vitória em João Pessoa na rodada passa, insiste no equívoco de usar um 4-3-3 sem qualidade e força no meio-campo. Além de deixar a zaga vulnerável, a falta de criatividade e de alternativas de aproximação não permite que o ataque funcione como deveria.

Isac, Elielton e Jaime dificilmente alcançarão o encaixe suficiente para que o tridente seja agressivo e eficiente. Pesam diferenças de característica e a má fase do centroavante, cuja persistência não é recompensada com gols. Eliandro, que jogou por 20 minutos ontem, deveria ser mantido até para que Isac seja preservado e possa se recondicionar.

Ainda há muito por acontecer na Série C, mas, com tantos percalços, o Remo periga ficar emparedado nas cercanias da zona de queda, jogando sempre sob muita pressão. O cenário é cada vez mais preocupante.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 21)

4 comentários em “Um empate que caiu do céu

  1. Chega a ser sintomática a forma como os dois volantes sobem e deixam a zaga desprotegida, forçando que os laterais sejam mesmo zagueiros. Givanildo tenta compensar esse desequilíbrio sacrificando o lado direito do ataque, posicionando Gustavo, em vez de Levy, na lateral direita. Gustavo e Mimica até que se dão bem no geral e se ajudam na defesa, sendo que o mesmo não ocorre entre Mimica e Levy. O problema é que também não ocorre uma sinergia entre Gustavo e Elielton na frente e a zaga acaba jogando pressionada pelo adversário.

    Na esquerda ocorre o mesmo problema porque também não há essa tal sinergia entre Bruno Maia e Esquerdinha para a defesa, o que era mais natural para o ataque entre Esquerdinha e Felipe Marques. Houve o mesmo problema entre Bruno Maia e Levy (1º gol) e entre Mimica e Gustavo no 2º gol do Confiança. Um gol pela canhota e outro pela direita, com os volantes correndo atrasados pelo meio, deixando os zagueiros vendidos no miolo da área. Esse “buraco” é porque os volantes não conseguem compactar a defesa e isso tem deixado a defesa vulnerável.

    A partir disso, entendo que para manter Leandro Brasília e Dudu como volantes seria necessário manter a marcação alta, como o time até fez no 1º tempo e deu certo. Então pode ser realmente necessário mudar do atual 4-3-3 para um 3-5-2 para que a cobertura dos zagueiros seja feita por outro zagueiro e que os cabeças-de-área fiquem mais disponíveis ao ataque, assim como Levy e Esquerdinha sem que estes atrapalhem (tanto) o rendimento da defesa. É que Levy e Esquerdinha são mais ofensivos e como alas fariam a marcação meio ao estilo dos pontas, mas nem tanto como zagueiros e os volantes têm que ajudar mais na compactação e na marcação.

    O 4-3-3 parece ter perdido a razão de ser com a saída de Felipe Marques porque não há mais pontas dos dois lados do campo. E por isso um ataque só com Elielton se movimentando pelos lados, apoiado pelos alas e com a aproximação do meio-campo em bloco, pode acabar favorecendo o ataque sem desguarnecer (demais) a defesa pelo equilíbrio das características dos jogadores do elenco. Um 3-5-2 com Vinícius, Mimica, Bruno Maia e Moisés, Levy, Dudu, Leandro Brasília, Everton e Esquerdinha, Elielton e Jayme é possível.

    Só uma sugestão, claro.

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  2. Volantes que saibam defender e sair jogando constituem hoje uma raridade no futebol brasileiro. Quando Givanildo põe um meia e usa dois atacantes, geralmente sacrifica os dois avantes de lado para que voltem e se integrem à marcação junto com o lateral. Daí minha crença, já exposta diversas vezes, de que o Remo estaria mais compacto e protegido atrás com dois atacantes e três jogadores que pudessem guarnecer a segunda linha. Do jeito que está, será sempre um time excessivamente vulnerável.

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