Para confirmar a evolução

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo que jogou (e venceu) domingo em João Pessoa mostrou, pela primeira vez nesta Série B, o espírito de destemor que lhe garantiu a conquista do Campeonato Paraense, impondo-se ao maior rival nos quatro clássicos realizados. O torcedor andava sentindo falta, estranhando até, a lerdeza com que o time se apresentava na competição nacional, abrindo a guarda para adversários menos qualificados e comportando-se de maneira acanhada sempre que jogava longe de seus domínios.

A postura determinada e firme como reagiu à desvantagem inicial, em terreno inimigo, fez justiça à valentia que foi a grande arma azulina no torneio estadual. Como a equipe não é um primor de qualidade técnica, precisa compensar isso com muita entrega e transpiração. Quando se deixa vencer pela acomodação, vira presa fácil em qualquer circunstância.

Aliás, nenhum time consegue sobreviver no futebol ultracompetitivo dos nossos se não tiver disposição para a luta. Mesmo os mais aquinhoados com virtudes técnicas não podem menosprezar o valor do esforço para a conquista de espaços em campo.

Por tudo isso, o jogo desta noite contra o Confiança, no estádio Jornalista Edgar Proença, reserva à torcida justificada esperança de evolução por parte da equipe de Givanildo Oliveira. Sem Jaime, contundido, a mais provável alternativa para completar o ataque é o ágil Gabriel Lima (foto), que marcou um gol contra o Botafogo-PB na volta ao time.

Rápido, inquieto, driblador e afeito ao jogo dentro da área, Gabriel é daqueles atacantes com recursos preciosos e tende a crescer caso incorpore algumas lições básicas para o êxito no futebol. No caso específico, é fundamental não confundir oportunismo com afobação.

Isso vale, principalmente, para as decisões na zona de finalização. Em várias ocasiões – inclusive no célebre jogo contra o Santos, em Macapá, pela Copa Verde 2017 – Gabriel mostrou presença de área, senso de colocação para estar aonde a bola chega, mas falhou terrivelmente na escolha do golpe final.

Ou pegava muito forte na bola quando o correto seria deslocar o goleiro ou vice-versa. Saiu daquela partida com o peso das críticas pelos cinco gols desperdiçados, não por omissão, mas por excesso de vontade. Assim como para os toureiros, saber dosar a ansiedade é um dos predicados mais visíveis nos grandes atacantes.

Sob a orientação de Givanildo, sempre meticuloso e observador, Gabriel tende a progredir tecnicamente, transformando talento em resultado prático. O jogo contra o Botafogo genérico já mostrou um pouco dessa evolução.

Detive-me na avaliação do papel de Gabriel no ataque do Remo por entender que ele, mais até que Elielton (também ameaçado de veto por contusão) e Isac, é o jogador talhado para surpreender e abrir defesas.

Não se pode esquecer que até recentemente o Remo pecava justamente por ser um time previsível ofensivamente, com um centroavante fixo e dois ponteiros abertos. Gabriel subverte esse planejamento de jogo, pois flutua por todos os lados do ataque, dificultando a marcação. Esse aspecto certamente não passa despercebido ao matreiro Givanildo.

Contra um visitante sempre difícil de ser batido – da última vez, em 2017, empatou com o Remo no Mangueirão fazendo dois gols em dois minutos –, os cuidados com a marcação precisam ser redobrados. Leandro Brasília e Dudu mostram-se mais afinados e, com isso, tem havido mais tranquilidade para a última linha.

O jogo deve ser tão problemático para o Remo como foi o do Santa Cruz. A vantagem é que agora o time conta com mais confiança e recursos para furar o bloqueio defensivo do adversário.

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Uma análise mais fria sobre a final da Copa Verde

Quem se deu ao trabalho de observar, comparativamente, Papão e Atlético-ES na final da Copa Verde deve ter se impressionado com os erros primários cometidos pelo time capixaba na partida. Falhas de coordenação entre zagueiros e alas, nervosos ao extremo, resultando em bolas que escapavam constantemente ao controle e saíam pela linha de lado.

O goleiro Bambu não encaixou uma bola durante todos os 90 minutos. Saía, de maneira estabanada, socando qualquer cruzamento, até mesmo quando tinha a proteção de seus defensores. Evidência clara de um time inseguro e vulnerável.

Curiosamente, o Papão facilitava a vida do visitante, chutando pouquíssimas vezes em direção ao gol e insistindo nos cruzamentos sem direção. Mesmo com toda a pobreza técnica, o Atlético deu uma escapada pela direita e chegou ao gol num cochilo geral da defesa paraense.

A desatenção é prima-irmã da desgraça, principalmente em decisões. Com a desvantagem, os erros passaram a ser primários também do lado bicolor e quase ninguém parava para analisar o absurdo da situação. O Atlético é um time de Série D. Não apenas isso, um time limitado até para a Série D.

É preciso considerar que o clima de festa pode ter influenciado no desempenho dos bicolores, que tinham a vantagem expressiva da vitória no jogo de ida (2 a 0). Ainda assim, fica difícil aceitar que um time com o preparo que a Série B exige se deixe desnortear por um amontoado de jogadores do outro lado.

Quando Pedro Carmona entrou e concretizou a jogada mais lúcida, aproveitando uma situação para finalmente chutar no gol, fez-se a luz. O golaço caiu do céu e atenuou a impressão ruim deixada pelos campeões, quase amargando uma derrota inesperada diante de 35 mil torcedores.

Triunfos costumam obscurecer defeitos e amplificar virtudes. O Papão venceu merecidamente a CV, mas, na condição de time que luta pelo acesso à Série A, não pode aceitar como normal o sufoco que foi empatar em casa com o modesto Atlético.

Para levantar o troféu, o PSC ganhou seis das oito partidas, empatando duas, contra adversários de 4ª divisão ou sem série. A conquista é importante (e lucrativa), mas não podia jamais terminar de outra forma. O título era, sim, obrigação.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 21h, na RBATV, com participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Tudo sobre os jogos de fim de semana dos clubes paraenses nas séries B, C e D, além de sorteios para os telespectadores.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 20) 

15 comentários em “Para confirmar a evolução

  1. “O Remo que jogou (e venceu) domingo em João Pessoa mostrou, pela primeira vez nesta Série B “.
    Calma amigo Gerson, o Clube do Remo ainda se encontra na série C. RS.
    Quanto a análise sobre o Bicampeão da Copa Verde, foi certeiro, concordo plenamente que empatar da maneira como aconteceu demonstra uma instabilidade do time em momentos decisivos.
    Não é admissível para uma equipe com o investimento do Paysandú, isto a nível de CV, se atrapalhar com adversários recém saídos da condição de amadores.

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  2. Quanto ao desempenho Bicolor na série B que aponto como uma possível descendente , os três empates consecutivos mostram que ainda há muito o que ser feito para quem almeja a série A em 2019.
    Erros de passe idênticos aos cometidos no parazão ainda ocorrem no atual elenco.
    O time rifa demais a bola e erra muito nas saídas desta e sobrecarrega o setor defensivo.
    Outra coisa a ser observada é a mania de jogar pela aquela “uma bola”, está mais que provado que é uma tática suicida.
    O Paysandú tem que mostrar sua grandeza principalmente contra adversários com menos tradição e camisa que o time paraense.
    Dado que não é nenhum menino, tem que trabalhar os seus comandados para fazerem saldo de gols pois é um critério importantíssimo no desempate das posições.
    Esta é apenas a 6ª rodada muito sobe e desce ocorrerão e fazer gordura também é necessário, na minha análise, o Paysandú não ganhou três pontos nestes últimos três jogos, na verdade perdeu seis, o que equivale a duas vitórias.
    Neste tipo de campeonato por pontos corridos empatar demasiadamente acaba sendo pior do que perder uma partida e vencer outra aqui e acolá!
    Espero que melhores exibições aconteçam por parte do Paysandú e que sejam agraciadas com vitórias garantindo a permanência do time paraense no G4 que é entre estes que deve se encontrar ao final das 38 rodadas do brasileirão.

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  3. RSRSRSRSRSRSR, É a vontade que o amigo tem de querer ver o time do Remo já na serie B. Eu também ontem postei aqui que sinceramente não acharia ruim o time do Remo subir e obter essa conquista a nível nacional para levantar a auto estima de seus torcedores e melhorar os debates e os sarros em todos os lugares, inclusive aqui no blog onde muitos azulinos sumiram talvez por não terem muito o que apresentar de conquistas a nível regional e nacional para debater ou tirar sarro contra torcedores do Papão . Os pouquíssimos corajosos que ainda entram no blog para tirar aquele sarro com bicolores são mais para falar 95% dos tropeços do Paysandu e 5% só das conquistas do time do Remo, as quais também 95% a nível local e 5% a nível nacional remontam das distantes décadas de 60 e 70. E não a toa os sarros deles são mais fracos que caldo de gó.

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  4. Até no quesito maior torcida onde os remistas levam o assunto extremante a sério sendo o assunto ou tema onde mais aparecem aos montes aqui no blog para postar, quando o Gerson coloca uma pesquisa com a torcida azulina ne frente, essa semana passada foram surpreendidos duramente pela divulgação de pesquisa do Instituto Ibope, com o Paysandu tendo 19ª maior torcida do Brasil em números. Deve ter sido duro para eles. É claro que em matéria ida aos estádios, eles tem média atual até superior a torcida do Urubu, mas isso temos prova que não é medida de grandeza em números . É apenas prova de maior apoio ao seu time, e isto eles tem feito, e não era para menos, pois o time azulino precisa mais que milhares de clubes no Brasil do apoio maciço de sua torcida nos jogos, mesmo porque poucos sócios torcedores. Para completar ira deles no assunto que mais levam a serio, a torcida do Paysandu só num jogo contra time sem muita expressão, deixou nas bilheterias do clube mais de 1,2 milhões de reais, recorde ate agora nesse ano em Belém que nem dos 4 REXPAs conseguiu colocar renda superior. Parabéns a verdadeira FIEL BICOLOR.

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  5. Em relação à Copa Verde numa analise mais fria, também observei o desempenho bicolor meio atabalhoado contra um adversário mais fraco, mesmo eu sendo um dos muito poucos que não esperava facilidade porque o jogo era prenúncio futuro de muita grana, e status principalmente 99% para o time espirito santista que veio para K como franco atirador e apoiado pelo governo de seu Estado. Aí é evidente que não iria entregar de bandejinha dourada ao Papão. Quase complica vida bicolor por que se faz o segundo gol em seguida, já era na minha opinião Copa Verde e muita grana para o Paysandu. Pois dificilmente o time teria chances de manter o equilíbrio. Por isso acho que o adversário, mesmo diante de suas fragilidades valorizou título invicto do Paysandu

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  6. Na verdade eu esperava dificuldades nessa jogo, mas também esperava 70% de chances de vitória do Papão por 1×0 ou 2×1. Acabamos foi pulando uma grande fogueira mesmo com empate , por isso comemorei e estou comemorando até hoje o título invicto bebendo aquele vinho com nosso tradicional pirarucu frito. rsrsrrsrsr. Friamente mesmo com adversário muito limitado, acho que o Paysandu jogou essa decisão do mesmo jeito ou espirito que o time do Remo jogou contra o Cuiabá e até contra o Rio Branco na Copa Norte 97 em pleno Mangueirão, onde o Remo por coincidência jogava por empate para o título invicto, ira para a Copa COMENBOL , tinha um time forte excessivamente forte m relação ao Rio Branco semi amador na época que não disputava nem uma serie nacional. O Remo acabou indo para Copa comem aquilo….. Por isso disse que disse que fiquei emocionado pelo título invicto, mas nunca perdendo a serenidade de ver numa analide mais fria que o time do Paysandu se atrapalho novamente contra times limitado ou sem expressão, igual como vem ocorrendo nesses 3 anos na serie B , Copa do Brasil e até no estadual , para isso é so lembrarmos de Naviraense , Novo Hamburgo e o time do Remo de terceira divisão. É preciso diretoria e comissão técnica se ligarem porque ocorrem esse apagões contra timinhos.

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  7. Deixa de ser besta, todo mundo sabe q aquela pesquisa foi o coronel q mandou fazer, onde tu já viu o Remo não aparecer nessas pesquisas?! 4peias

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  8. O Coronel vai fazer de tudo pra mucura 4peias subir esse ano, já começou desde ontem com o pênalti Mandrake! #4peias

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  9. Fakão , veja: o remo estava na pesquisa, mas bem abaixo do Paysandu e como só postaram somente os 20 primeiros o Remo não apareceu. Mas eu acho que foi muito bom para vcs azulinos, porque vcs que levam muito a serio esse assunto de maior torcida do Pará ficariam deprimidos vendo o Remo abaixo do Paysandu na pesquisa. O que o olhos não vêem o coração NÃO SENTE. kakakakakakakakakaakakakakkakaka

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  10. Só para não dizerem que estou ironizando cito alguns baluartes azulinos do blog que sumiram e estão fazendo falta: Valentim, Janderson, Columbia, Rocildo, Cassio de Andrade, e o professor Antônio Oliveira. Nem o remo vencendo 4 vcs o bicolor eles apareceram. É sinal que não conseguem mais digerir só conquistas locais , mesmo que seja sobre o Papão rsrsrsrsrsrsrsr

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  11. Por falar em conquistas locais, acabo de descobri porque o combustível para conquistas azulinas azulinas so rende até Santarém no máximo e não chega nem até Manaus ou não sai do Pará. rsrsrsrsr. O motivo é que o fornecedor do combustível azulino é o Jatene, e como o pessoal da PM reclama que o combustível fornecido a eles pelo Estado é pouco e não dá para ir muito longe , assim o combustível do Remo só dá para rodar aqui no Pará e olhe lá
    kakakakakakakakak

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  12. Coitado, ganhou a copa coronel mas as 4peias ainda dói kkkkkkkk imagina as 33 pisas kkkkkkk comédia

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  13. RSRS Verdade, essa pesquisa com instituto de renome no cenário nacional o Gerson não publicou, porém se fosse o contrário seriam três dias seguidos com essa postagem,

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