Sob o peso das vaidades

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POR GERSON NOGUEIRA

Há coisas que insistem em se repetir no Remo com incrível frequência, como a confirmar certa inclinação para o desastre, mesmo quando tudo aparentemente caminha bem e direcionado ao êxito. Torcedores não gostam de lembrar, mas episódios recentes evidenciam essa tendência, que assombra o futebol azulino desde o começo da década de 2000.

Muitos têm a tentação de vincular problemas à sorte e ao azar, forças ocultas e ação do destino, mas a questão de fundo nem é tão esotérica assim. Em futebol, planejamento sério, integrado à realidade e focado em resultados práticos, normalmente resulta em sucesso.

O imediatismo que cerca a gestão de clubes é o oposto do que ensinam as regras que levam ao desempenho de excelência. Sem querer abraçar os conceitos que fazem a cabeça de consultorias picaretas mundo afora, entendo que tudo se resume a trabalhar com responsabilidade e afinco.

Na atual temporada, o Remo começou com os pés no chão e um projeto emergencial bem-intencionado, mas tropeçou na montagem do elenco para o Campeonato Estadual e na escolha do técnico. Por esses motivos, saiu precocemente da Copa Verde e fracassou (de novo) na Copa do Brasil.

Os planos foram realinhados a tempo de corrigir a rota com a contratação de um treinador experiente, de competência comprovada para remendar o barco e seguir em frente. Givanildo Oliveira cumpriu admiravelmente essa missão e, em pouco mais de um mês, transformou um time errático em grupo vencedor.

Tropeços previsíveis – pela ausência de reforços – na Série C para que o trabalho inicial fosse imediatamente esquecido ou relativizado por alguns, estimulando um lento e gradual processo de fritura do técnico, como é possível detectar fora dos muros do Evandro Almeida.

A impressão é de que as ameaças à permanência de Givanildo têm mais a ver com egos feridos do que propriamente com a campanha insatisfatória no Brasileiro. Sua firme oposição à contratação de Pimentinha, Eduardo Ramos e Jobson continua entalada na garganta de gente com poder e palanque no futebol do clube. A partir daí, as críticas se tornaram azedas e quase diárias.

Muitos clubes, aqui e lá fora, ainda são administrados com as regras complacentes da taberna da esquina, com gente que manda bem mais do que o cargo permite. Nesse contexto, as vaidades alimentam projetos pessoais, nem sempre de acordo com os interesses do clube.

Com atraso em relação aos apelos reiterados de Givanildo, reforços começaram a ser anunciados na semana passada, com a Série C já atingindo a quarta rodada. Eliandro (foto) foi o primeiro. Anteontem, chegou o lateral direito Nininho. Fábio Matos, fora dos planos do Papão, pode ser o próximo a ser contratado.

São jogadores que podem dar acrescentar qualidade ao time, mas entrosamento requer tempo, mas, quando (e se) finalmente estiverem plenamente integrados, a fase classificatória já terá chegado à metade. Aí, caso os resultados não apareçam logo, já se sabe de antemão quem será responsabilizado por tudo – isto se ainda estiver no comando.

Repito e insisto: se as coisas não estão boas com Givanildo no comando, seriam bem piores sem ele.

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Sem seis titulares, Papão faz jogo de risco calculado

Por razões estratégicas, o Papão usará pela primeira vez nesta Série B um time mesclado. Contra o Juventude, adversário tradicionalmente difícil dentro de seus domínios, o técnico Dado Cavalcanti optou por não utilizar seis titulares – Diego Ivo, Perema, Nando Carandina, Moisés, Cassiano e Mike.

São desfalques importantes, que devem minar o entrosamento que o PSC vinha mostrando e garantindo resultados excelentes na competição. O próprio desenho tático com três zagueiros já mostrou vulnerabilidade com a simples ausência de Diego Ivo diante do Sampaio. É de se supor que as coisas fiquem mais difíceis sem ele e sem Perema.

O meio-de-campo também se sustenta muito nas ações combativas de Nando Carandina, principal volante do time. Sem ele, Renato Augusto e Danilo Pires (ou William) devem ter essa missão.

Na frente, porém, reside talvez a perda mais significativa. Sem Cassiano e Mike, o ataque perde força e agressividade, sem deixar de considerar o papel desempenhado pelo artilheiro na abertura de espaços para os companheiros que se aproximam da área adversária.

Poupar jogadores para a final da Copa Verde talvez seja a decisão mais sensata, principalmente depois de zebras que passearam por Belém em jogos decisivos recentes. Ao mesmo tempo, significa que a comissão técnica confia no elenco, o que é um bom sinal.

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Um campeão que também ajuda a socializar vitórias

Uma boa notícia sobre as modalidades de luta do Pará. O atleta Alexandre Castro subiu no pódio em Barcelona, na Espanha, conquistando a medalha de bronze no Master International IBJJF Jiu-Jitsu Championship, categoria superpesado, no último final de semana.

Aos 33 anos, Alexandre é faixa-preta, terceiro grau mestre e campeão mundial da Confederação Brasileira de Lutas Profissionais na categoria absoluto, além de tricampeão Norte-Nordeste e primeiro do ranking estadual da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Desportivo.

À frente da academia Castro Team, Alexandre é um exemplo para os jovens que ajuda a formar na prática do esporte. Realiza há seis anos um projeto social que beneficia cerca de 50 alunos, entre 5 e 15 anos de idade, oriundos de áreas de risco.

O próximo desafio é o World Master IBJJF Jiu-Jitsu Championship, que se realizará de 22 a 25 de agosto, em Las Vegas (EUA).

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 11)

2 comentários em “Sob o peso das vaidades

  1. Bom dia caro Gerson. Uma derrota hoje pode fazer falta na última rodada do campeonato numa eventual classificação para a elite. Por isso, discordo da escalação do time. Tomara esteja enganado, mas já vimos esse filme. A conferir.

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  2. Sinceramente falando, digo que o velho Giva é o forasteiro que mais conhece a história do futebol paraense. E seu conhecimento chega a ser maior até que alguns dirigentes, pessoas da mídia etc. daqui. Apesar de tudo, Giva parece não saber a dimensão do problema que causou ao ir contra às ideias de muitos azulinos tanto conservadores veteranos, quanto da atualidade entre dirigentes e ex dirigentes, ao barrar a contratação de jogadores tidos como craques, goleadores mas problemáticos. Só para não alongar muito, recentemente um desses conservadores bateu de frente com técnico Josue Teixeira, porque este tinha barrado do grupo o maranhense Edgar que chegou na concentração bebido e fazendo onda com outros companheiros por causa do sumiço de seu celular. A alegação do dirigente era que o time do Remo sempre se deu bem dentro de campo com tendo atleta problemático mas goleador no grupo e por isso ele não tinha d punir o atleta. vish!! Demais dirigentes apoiaram Josue, e o dirigente por isso saiu fora invocado. Mas Josue não trabalhou mais tranquilo, sempre pressionado se deu mal e saiu muito mal falado por azulinos. Giva se subir o time vai ser endeusado. Se não subir, sairá tão criticado e mau falado que nem tem idéia do tamanho das criticas que sofrerá.

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