Leão abusa do desperdício

bol_seg_070518_15.ps

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo teve no sábado à tarde seu melhor tempo de jogo na Série C ao longo dos 45 minutos iniciais. Teve repetidas chances de definir a parada. Funcionou bem na defesa, com nova dupla (Mimica e Moisés), nas laterais, na marcação e foi quase impecável no ataque. O “quase” fica por conta da imperícia do centroavante Isac na hora da definição. Fez um gol, anulado erradamente, mas perdeu outros dois em situação privilegiada, de frente pro crime. É claro que o gol poderia ter saído por outros meios, mas o camisa 9 não pode vacilar nos momentos decisivos.

A jornada infeliz do centroavante continuou no segundo tempo, quando falhou em duas outras oportunidades, além de sofrer pênalti claro, tendo a camisa puxada acintosamente dentro da área do Santa Cruz

A verdade é que nem contra o Globo-RN, quando obteve sua única vitória na competição, o Remo se mostrou com as linhas bem aproximadas e funcionais como no sábado. Naquela partida, apesar do placar final favorável (1 a 0), sofreu terrivelmente desde os primeiros movimentos, chegando a levar sufoco na etapa final.

Mas, apesar de render satisfatoriamente na primeira metade, faltou a faísca necessária para garantir o triunfo sobre o Santa Cruz. O rendimento coletivo ficou comprometido no tempo final pelas deficiências individuais e cansaço de alguns atletas. O declínio só não foi mais danoso porque o adversário não teve força, nem categoria para impor seu jogo.

Em nenhum momento, o Remo chegou a ser envolvido pelo Santa Cruz, embora em três ocasiões o time pernambucano tenha rondado o gol. No primeiro tempo, Charles mandou uma bola na trave esquerda de Vinícius e na etapa final Fabinho Alves e Robert quase balançaram as redes.

Quanto à intensidade e desenvolvimento de jogo, o Remo foi sempre superior, até mesmo quando sobreveio o desgaste físico de jogadores como Elielton, Felipe Marques, Dudu, Levy e Everton. Alguns erros de passes, cruzamentos e finalizações podem ser atribuídos a esse esforço.

Everton, por sinal, deu ao time pela primeira vez fluência e sentido lógico na saída ao ataque, com passes certos e manobras criativas. Dinâmico, empenhou-se até em ajudar na marcação quando os laterais subiam.

Ao precisar alterar o meio, com a substituição de Everton por Adenilson, Givanildo Oliveira tornou o time mais previsível e lento na transição. Além disso, perdeu a primorosa chance de adicionar força e ofensividade à meia-cancha com a entrada de Dedeco, volante-artilheiro que veio do Castanhal e ainda não estreou no Remo.

Givanildo poderia, ainda, ter lançado Jefferson Recife ou Gabriel Lima nos últimos 20 minutos. Mesmo voltando de contusão grave, Lima é o mais agressivo dos atacantes reservas. A não ser que seu condicionamento esteja muito deficiente ainda, não pode estar em condições inferiores a Jaime, que ainda não se reencontrou desde que voltou a jogar.

O empate teve gosto ruim e foi péssimo em termos de tabela de classificação, mas é indiscutível que houve evolução em relação aos outros jogos. O êxito no futebol é medido por gols e o Remo tem abusado do pecado do desperdício, desde a estreia em Rio Branco. A entrada de um novo atacante, Eliandro, pode sanar os erros ofensivos, contribuindo para estabilizar os demais setores do time.

——————————————————————————————-

Violência se alastra impunemente (também) no futebol

É espantosa a parcimônia com que a Polícia tratou o ataque de membros de proscrita facção uniformizada do Remo a lideres de uma facção ligada ao Santa Cruz, na madrugada de sábado, no aeroporto internacional de Belém.

O caso foi tratado inicialmente como um arrastão nas dependências do aeroporto, como se isso fosse menos grave. O confronto de gangues foi confirmado – pelos agressores e agredidos – através das redes sociais.

A ação consentida das ditas “torcidas organizadas” é um dos motivos da queda de público nos estádios e do distanciamento que o cidadão comum tem em relação ao futebol, como indica pesquisa do Datafolha, revelando que a maioria dos brasileiros não se interessa mais pelo esporte.

O levantamento não é específico quanto ao papel das facções violentas, mas nem precisa. Os episódios de enfrentamento dentro e fora de estádios afugentam as pessoas, que já sofrem com a violência diária imposta pelos bandidos de outras procedências e uniformes.

No caso da facção clandestina (foi extinta pela Justiça) mais notória das que são ligadas ao Remo, a baderna no aeroporto vem se juntar à agressiva investida contra o técnico Givanildo Oliveira e os jogadores durante o treino de sexta-feira no estádio do Souza.

Não custa lembrar que foi justamente um dos dirigentes máximos dessa organização que acabou executado no centro da cidade, ao sair de uma reunião no Comando da PM às vésperas do segundo Re-Pa do Parazão, em fevereiro. Crime que continua impune, como tantos outros no Pará.

——————————————————————————————

As meras coincidências do Campeonato Brasileiro

Há alguns anos, em acesso de sincericídio, Vanderlei Luxemburgo comentou um fato curioso sobre sua primeira passagem pelo Flamengo como técnico. A informação passou despercebida para muitos. Segundo ele, antes de divulgada a tabela do Campeonato Brasileiro, o clube da Gávea era devidamente consultado sobre a ordem dos jogos.

A preocupação, ainda segundo Luxa, era sempre com os cinco primeiros jogos da competição. Nunca encarar logo de cara equipes mais cascudas.

Por razões óbvias. Começar bem é fundamental para o time engrenar e ganhar confiança. Ou seja, permite que a cangula pegue vento. Por outro lado, fechar a disputa em situações favoráveis pode salvar a campanha.

Imagina-se que a prática trapaceira tenha sido abolida desde que a CBF anunciou práticas internas modernizantes e mais éticas. Por isso, deve ser apenas coincidência o fato de o líder Fla ter enfrentado Vitória, América, Ceará, Internacional-RS e Chapecoense nas primeiras cinco rodadas deste ano. Também por pura coincidência, com certeza, três deles (América, Ceará e Inter) vindos da Série B 2017.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 07)

10 comentários em “Leão abusa do desperdício

  1. Nunca o Remo foi tão prejudicado em um início de campeonato.
    Em quatro jogos, dois gols erroneamente anulados e dois pênaltis não assinalados; todas as situações ocorridas enquanto os jogos estavam no 0x0.
    Coincidentemente, isso ocorre no ano de pior relação da torcida remista com o Esporte Interativo, atual “dono da série c”.
    Quem gosta de teorias da conspiração, já pode botar a pulga atrás da orelha.

    Curtir

  2. Reclamar da arbitragem faz parte, num esporte que teima em não se modernizar ao recusar ou retardar o uso da tecnologia para tirar dúvidas em lances polêmicos. Mas não justifica, no caso do Remo, a perda de gols que até a minha avó faria. O nome disso é incompetência.

    Já comentei aqui. O Flamengo só não ganha títulos em série, nos campeonatos nacionais, porque sua administração é de uma incompetência atroz. Suas cotas de TV são absurdamente superiores às dos demais clubes. O banco estatal, patrocinador de vários outros clubes brasileiros, contempla esse clube com valores bem maiores. A juizada sempre dá uma ajuda para que o Flamengo saia vencedor. As tabelas são montadas para facilitar o arranque nos torneios que o clube participa. E, aí, não há como não desconfiar da mão grande da Globo, maior interessada no sucesso do clube queridinho, pela audiência que isso pode proporcionar.

    Curtir

  3. Remo tinha as chances de fazer gols não soube fazer estar pagando por isso bastava fazer um gol hoje estava no G-4

    Curtir

  4. Nesse ano o CR teve a mesma benção do Urubu: nas quatro primeiras rodadas, três foram contra equipes que subiram: Atlético-AC, Globo-RN, Juazeirense-BA. Se o Operário-PR estivesse nesse grupo, também enfrentaria o time azulino nas quatro primeiras rodadas. É elenco fraco mesmo.

    Curtir

  5. Amigo, vale a observação, mas não esqueça que o grau de coincidência é proporcionalmente menor num grupo de 10 clubes. Reflita.

    Curtir

  6. coincidências a parte, o fato é que todo mundo enfrenta todo mundo, então não vejo isso como problema, já que no final os melhores vão se destacar.

    Curtir

  7. Não sei se coerente, ou inconsequente, mas venho defendendo que haja um cabeça-de-área mais marcador à frente da zaga azulina porque isso dá liberdade para os laterais apoiarem os pontas e certa tranquilidade para o armador chegar mais a frente. Mas defendi isso porque Bruno Maia é um zagueiro que joga bem na sobra e que precisa de um cabeça-de-área e dos laterais a sua frente por causa dessa característica. O que mais justificaria a permanência de Bruno Maia no time titular seria uma ligação mais rápida com o meio-campo e as jogadas aéreas, as defensivas e as ofensivas, nas quais ele não tem tido bom desempenho. Com a chegada de Moisés na zaga, que é um jogador combativo, vejo que a entrada de Jeferson Recife como 2º volante seria possível. Dudu vem se saindo bem na função, mas o esquecimento de Jeferson Recife no banco tem incomodado alguns torcedores, porque ele dá mais dinâmica no meio-campo, que é o que vinha faltando ultimamente. Talvez fosse o caso de entrar para fazer a função de Leandro Brasília, ou a de Dudu, quando necessário. De fato, Everton parece ter evoluído e já ensaia mais dinamismo no meio-campo, mas isso só porque Moisés está na zaga e nem tanto por ser ele, mas pelas características de zagueiro combativo que dispensa um cabeça-de-área fixo a frente da zaga. Assim, os volantes apoiam mais os laterais, o meio e os pontas e o time ganharia opções ofensivas. O Remo tem que jogar mais tempo no campo do adversário e para isso precisa voltar mais jogadores para o ataque, aprimorando o toque de bola, a variação de jogadas, as subidas do Levy e do Elielton e as finalizações do Isac. Bora ver o que vai fazer o mestre Givanildo.

    Curtir

  8. Eu penso o seguinte: Pode ser coincidência sim a tabela onde o Urubu pegou times mais modestos nas primeiras 5 rodadas e está na ponta da tabela. Porém conhecendo o Urubu como conhecemos, a ajuda insofismável que possui extra juntamente com o Corinthians e principalmente conhecendo essa polarização de luta por poder no futebol brasileiro entre esses 2 clubes, uma polarização que chega a ser comparável aquela Guerra Fria entre EUA e Russia no século anterior, da para a gente desconfiar sim, porque até eu questão de torcida um quer ser maior que o outro no Brasil. Se proceder a minha desconfiança, digo que a possível ajuda ao Timão provém do apito amigo nas rodadas iniciais, fazendo que o time acumule uns bons números de pontos logo de início, onde no regulamento de pontos corridos se torna difícil para os concorrentes ultrapassarem, pois também não podemos negar que o Timão tem formado times fortes, ou seja, seria questão de unir o útil ao agradável. No caso Urubu, pode ser a mesma ideia, porém não com apito amigo no início e sim com uma tabela mais suave, onde o Urubu vai somando pontos e vitórias seguidas, e quando se começar digladiar com mais fortes já estará preparado e sabendo o que deverá fazer com mais tranqulidade. Mas isso tudo é mera opinião. SDS a verdade.

    Curtir

  9. Uma curiosidade: Em ralação ao que relatei anteriormente sobre a tabela inicial favorável ao Urubu, lembro a vos que a FIFA já adota , mas de forma normal esse artifício em Copas do Mundo, colocando na tabela da primeira fase seleções bem fraquinhas contra mais fortes, preservando o máximo que seleções fortes de se enfrentarem e saírem logo na primeira fase. Olhem a chave que o Brasil pegou???? Só não passa para a segunda fase se for muito vacilo do Teacher.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s