Vitória para acalmar espíritos

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POR GERSON NOGUEIRA

A batalha foi insana, principalmente contra a pobre bola, castigada implacavelmente pelos dois times em boa parte do jogo. Ainda assim, o Papão foi o mais lúcido – ou menos errático – do confronto e saiu merecidamente vencedor, garantindo outra vez vaga na final da Copa Verde na busca pelo bicampeonato da competição. A vitória tira a corda do pescoço do técnico Dado Cavalcanti e exorciza um pouco dos fantasmas que o atormentam desde a final do Campeonato Paraense.

O triunfo sobre o Manaus pode ter um efeito transformador sobre o ânimo do elenco alviceleste, que estava abatido pelas quatro derrotas frente ao Remo. Mesmo que a atuação de ontem não tenha sido um primor de técnica, o time se esforçou para alcançar o objetivo, embora com graves erros de posicionamento e alguns precários desempenhos individuais.

Renan Rocha entrou no gol e teve atuação discreta, mas segura, tendo aparecido bem principalmente na etapa final em ataques do Manaus. A defesa, porém, sofreu bastante com as bolas aéreas, única jogada do adversário, mas sempre perigosa.

Hamilton, Rossini, Nena, Derlan, Negueba e Panda criaram diversas situações no 1º tempo, explorando a visível insegurança da última linha alviceleste, onde Diego Ivo se saía razoavelmente, mas Edimar rebatia para todos os lados.

O meio-campo, com Carandina e William, funcionava no desarme, mas distribuía mal os passes, sabotando boas opções de contra-ataque, que se acentuaram depois do gol de Cassiano, desviando um chute rasteiro e meio despretensioso de Mateus Miller, aos 15 minutos. William fez um de seus piores jogos desde que chegou ao time titular, preocupando-se mais em cometer faltas do que jogar propriamente.

Pedro Carmona, que deveria ser o organizador, rendia pouco e optava claramente pelas ações burocráticas, tocando de lado e se livrando da bola. Em meio a isso, Cassiano foi o melhor da primeira etapa, pois brigava com os zagueiros e tentava ajudar no bloqueio à saída de bola dos amazonenses. Moisés, dispersivo, pouco apareceu.

Rossini empatou aos 33’, após um dos 500 cruzamentos na área e em meio a um apagão da defesa e surgindo livre diante do goleiro Renan. Foi o momento de maior desatino dos bicolores na partida, mas o Manaus não teve cabeça e nem talento para aproveitar.

Depois do intervalo, estranhamente, o Manaus abriu mão de sua arma mais temível. Parou de cruzar bolas e tentou entrar na área trocando passes. Até deu certo numa chegada de Cleitinho, que errou no arremate final. Apesar das tentativas, Rossini e Romarinho se perdiam em lances individuais e o time foi se enervando.

Magno substituiu Cassiano e deu outra dinâmica ao ataque, caindo sempre pela esquerda em dupla com Mateus Miller, que deixou a última linha, pois Dado havia povoado o time de zagueiros – terminou com quatro, incluindo Danilo Pires – com receio da pressão do Manaus, que se acabava na ligação direta.

A questão é que o time da casa insistia com passes forçados e de maneira atrapalhada, facilitando os desarmes, mas o PSC não conseguia trabalhar as jogadas e fazer com que a bola chegasse ao ataque. Somente com a entrada de Magno a transição rápida passou a ser tentada. Surgiram dois contragolpes e, no segundo, saiu o gol que decidiu o jogo já nos acréscimos.

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Dado ganha tempo, mas time precisa de ajustes urgentes

A classificação para decidir a Copa Verde é um prêmio de consolação para o torcedor, que estava cabisbaixo pelos maus passos no Parazão, e também representa muito no aspecto financeiro, pois é a chance de conquistar a bonificação em dinheiro e a vaga qualificada nas oitavas de final da Copa do Brasil 2019.

Ao mesmo tempo, cabe ressaltar que os problemas permanecem. O time voltou a se apresentar mal, sem mostrar entrosamento, falhando nas iniciativas de envolver o adversário e até abusando da distração em muitos momentos. Por sorte, o Manaus conseguiu ser pior. Caótico em todas as suas linhas, acabou contribuindo para o êxito bicolor.

Por tudo isso, o resultado obtido em Manaus não pode empolgar a comissão técnica. Permite uma trégua nas cobranças do torcedor antes da estreia na Série B contra a Ponte Preta, sábado, em Campinas, mas a escalação deve ser reavaliada, bem como a forma de jogar. Erros que se repetem expõem as vulnerabilidades do desenho tático que Dado adota.

Como se viu na decisão do Parazão, a zaga continua exposta em excesso e o meio-campo não funciona quando precisa empreender ações criativas. Fábio Matos talvez já mereça uma nova oportunidade e até a correria de Maicon Silva, por mais incrível que possa parecer, faz falta na movimentação pela direita.

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Uma garfada monumental em Madri

Apreciei do princípio ao fim o belíssimo jogo entre Real e Juventus. A surpreendente e heroica atuação juventina assombrou a torcida em Madri, com um 3 a 0 que fez lembrar o que a Roma havia aprontado na véspera em seu estádio contra o Barcelona.

Tudo ia bem, principalmente para os milhões de telespectadores que se regalavam com o desfile de técnica, força e disciplina. Um jogão. CR7, marcado em cima, nada fazia além de simular faltas e reclamar do vento.

Quando a coisa se encaminhava para uma prorrogação épica, surge a figura nefasta do árbitro, aquele contumaz estraga-prazeres. Do alto de toda a idiota objetividade, ele pode ter cumprido a Lei, mas não fez justiça.

Um pênalti fabricado no penúltimo minuto dos acréscimos. Sim, o lance permite interpretações variadas. O zagueiro esbarrou no atacante do Real, mas a queda teatral denuncia a farsa. O jovem árbitro caiu na esparrela e estragou um jogo maravilhoso. Arrogante, ainda excluiu do jogo um mito, Buffon, compreensivelmente irritado com a marcação. O consolo é que a Velha Senhora, operada miseravelmente, caiu de pé.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 12)

7 comentários em “Vitória para acalmar espíritos

  1. O PSC precisava de um resultado positivo em Manaus e conseguiu. A equipe adversária que de boba nada tem (o rival pode confirmar isso), partiu para cima desde o início como era de se esperar. Entretanto com mais volúpia do que técnica, acabou levando um gol que não estava em seus planos.

    Quando notou a fragilidade do lado direito, Dado sacou o lateral, passou o Danilo para atuar no setor, e fechando mais a entrada da área com o Perema e o Douglas. Tudo muito coerente para quem tinha um regulamento a cumprir. Claro que não foi um primor, mas o objetivo foi conseguido.

    O PSC deveria avaliar a possibilidade de jogar no 3-5-2, principalmente nos jogos fora de casa; Perema, Douglas e Diego; Maicon, Carandina, William (esteve mal ontem), Carmona (Danilo); Moisés e Cassiano. Isso até contratar. Depois é depois.

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  2. Pode-se afirmar sem medo de errar que Dado tirou o bode sala. Entenda-se por ‘bode’ o famigerado 4-3-3 utilizado no certame estadual. Mas quase tudo continua mal, muito espaço pro adversário jogar, distância enorme entre os setores, péssima posse de bola e rifa constante da dita cuja.
    Nada justifica o time ser dominado por um adversário semi amador, que insolitamente adotou um jeito escocês de jogar, alçando seguidamente bolas na área adversária, quando não, explorando a velocidade de um senhor já avançado na idade.
    Por isso, Dado terminou a partida com quatro zagueiros de área a fim de evitar a surpresa da bola aérea, já que do referido senhor nada mais se podia esperar por razões óbvias.
    O Papão classificou-se e Dado ganhou sobrevida, mas a situação continua periclitante. Vejamos o que virá a partir de sábado.

    Quanto ao pênalti, amigo Gerson, é irmão gêmeo da não expulsão de Sérgio Ramos, garfada homérica contra o Kashima na decisão do mundial retrasado. Pior. A história registrará apenas os feitos do time madrilenho, jamais as torpezas da arbitragem.

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  3. Mesmo com muitas dificuldades aí está o Papão em mais uma decisão de competições da CBF, sendo a terceira seguida e a quinta nos últimos 5 anos e isto é privilégio de poucos porque convenhamos que em final de estadual o Papão está praticamente quase todo ano na disputa, aí não seria novidade. Agora o ápice de mais essa decisão ou cereja do bolo é arrematar o título porque não só pelo status de mais uma taça da CBF mais principalmente pelo alto valor monetário que o título pode proporcionar provisionado em mais de 3,2 milhões de reais, uma grana que não dá para abrir mão facilmente. Vamos pra cima Papão!!, Agora quanto ao time bicolor que parecia forte no início da temporada, mostra cada vez mais fragilidade hoje, principalmente no gol, laterais e meio campo, precisando de reforços urgente. Não me iludo e a arrisco a me dizer que se empatarmos com a Macaca sábado ja será lucro imenso, mais aho pouco provável, acho que começaremos perdendo. Infelizmente

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  4. Fiquei com pena da senhora italiana ontem e de seus atletas que se dedicaram o máximo para tirar vantagem quase irreversível. Mas seria reversível o homem da capa preta, der repente, não quisesse aparecer mais que estavam aparecendo os astros da SENHORA ITALIANA. Quando arbitro acha de aparecer no jogo é cagaça geral. Foi o que ocorreu ontem. Pelo jogo da ida o Real merecia classificar pelo futebol,deslumbrante do cr 7. mas neste jogo de volta a classificação merecida era da Senhora pelo esforço e dedicação de seus atletas. Mas o árbitro impediu o heroísmo dos italianos na marra porque se vai para prorrogação a Juv estaria mais prepaparada psicologicamente para classificar. . essa garfada do arbitro me fez lembrar um fato diferente mas serve de exemplo , o qual foi aquele louco invadir a pista de maratona nos jogos olímpicos de Atenas e impedir na marra a vitória heroica do brasileiro

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