O tempo da razão

 

 

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POR GERSON NOGUEIRA

Alguns profissionais, assolados pelos cabelos brancos e a chegada de gerações mais jovens, costumam se alquebrar diante da crítica mais destemperada e das comparações amalucadas. Não é o caso específico de Givanildo Oliveira, mas é visível, desde que chegou ao Evandro Almeida, há 45 dias, certo desconforto do treinador com as perguntas sobre sua longevidade na profissão.

Bem ao seu estilo, simples e direto, afirma que não há demérito em ser um veterano, citando outras profissões onde idade não importa tanto – citou até a de cronista esportivo, com razão. Começou a trabalhar como técnico logo em seguida à aposentadoria como atleta, e não parou mais.

Em entrevistas, antes e depois da conquista do Parazão, sempre que alguém lembra seu tempo de serviço, Givanildo fecha ainda mais a cara e rejeita o tom de fim de carreira que alguns tentam dar ao seu trabalho. São 69 anos de idade e mais de meio século dedicado ao futebol. Isso inspira respeito.

O mais interessante é que Givanildo parece sentir necessidade de se defender dos que supostamente querem vê-lo como um semiaposentado. E está certíssimo em agir assim. Afinal, está no auge da experiência acumulada, com longa lista de títulos no currículo e uma gana por novas conquistas.

Há no país uma crescente valorização de técnicos mais jovens. A maioria dos grandes clubes optou pela nova geração. Carille no Corinthians, Jair Ventura no Santos, Zé Ricardo no Vasco, Roger no Palmeiras, Alberto Valentim no Botafogo.

Por ser uma espécie de dinossauro, Giva acaba por destoar nesse cenário, mas é preciso entender que os anos de experiência são fundamentais numa profissão que alia teoria com conhecimento prático, com significativo peso maior para esta última valência.

A gama de informações e vivências de um profissional como Givanildo tem valor inestimável, ainda mais quando aplicada a times de porte médio. O fato de não ter feito sucesso em clubes da Série A em nada desmerece sua competência. Aliás, azar da Primeira Divisão por não se beneficiar da sabedoria do pernambucano.

Para as limitações e dificuldades do futebol paraense, especificamente do Remo, a presença de Giva no comando significa muito. Sem ele, é pouco provável que o time entrosasse a tempo de brigar pelo título paraense, levando em conta a falta de reforços.

Com o nome e o histórico que tem, Givanildo poderia estar em outro clube do porte do Remo ou mesmo na Série B, mas o tempo que ficou sem trabalhar desde que deixou o Ceará Sporting mostra que nem sempre os dirigentes conseguem enxergar além das cercanias.

Por isso tudo, a diretoria autônoma de futebol do Remo tem todos os méritos pela ousadia de tentar o que muitos consideravam inviável: convencer Giva a vir para um clube que está na Série C. Os céticos devem ter esquecido um mandamento seguido à risca, como mantra, pelo treinador. Para ele, trabalhar é um prazer, pois futebol é a sua vida.

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Vitória alvinegra com participação paraense

Leandro Carvalho entrou jogando, ontem à noite, em Santiago, na estreia botafoguense na Copa Sul-Americana diante do Audax Italiano. Teve boa atuação e contribuiu para a vitória de virada. A reação do Botafogo começou com uma jogada do atacante paraense. Ele partiu para cima da defesa chilena e sofreu falta junto à linha da grande área. A bola foi cruzada na área e Brenner marcou o gol de empate.

Prestigiado por Alberto Valentim, Leandro mostrou confiança e lampejos do estilo que bem conhecemos. Em todas as suas jogadas, foi sempre agressivo, tentando a linha de fundo ou a entrada em diagonal.

Caso mantenha essa disposição para buscar os lances individuais, tem boas chances de conquistar a titularidade, indo juntar-se a seu ex-companheiro de time Pikachu entre os destaques do futebol do Rio neste começo de temporada.

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Direto do blog

“Mesmo com muitas dificuldades aí está o Papão em mais uma decisão de competições da CBF, sendo a terceira seguida e a quinta nos últimos 5 anos e isto é privilégio de poucos porque convenhamos que em final de estadual o Papão está praticamente quase todo ano na disputa, aí não seria novidade. Agora o ápice de mais essa decisão ou cereja do bolo é arrematar o título porque não só pelo status de mais uma taça da CBF, mais principalmente pelo alto valor monetário que o título pode proporcionar. Vamos pra cima, Papão! Agora quanto ao time bicolor que parecia forte no início da temporada, mostra cada vez mais fragilidade hoje, principalmente no gol, laterais e meio campo, precisando de reforços. Não me iludo e a arrisco a me dizer que se empatarmos com a Macaca sábado já será lucro imenso”.

Nélio, animado com a recuperação do Papão, mas cético quanto à Série B

“Pode-se afirmar, sem medo de errar, que Dado tirou o bode sala. Entenda-se por ‘bode’ o famigerado 4-3-3 utilizado no certame estadual. Mas quase tudo continua mal, muito espaço pro adversário jogar, distância enorme entre os setores, péssima posse de bola e rifa constante da dita cuja.
Nada justifica o time ser dominado por um adversário semi amador, que insolitamente adotou um jeito escocês de jogar, alçando seguidamente bolas na área adversária, quando não, explorando a velocidade de um senhor já avançado na idade. Por isso, Dado terminou a partida com quatro zagueiros de área a fim de evitar a surpresa da bola aérea, já que do referido senhor nada mais se podia esperar por razões óbvias. O Papão classificou-se e Dado ganhou sobrevida, mas a situação continua periclitante. Vejamos o que virá a partir de sábado.

Quanto ao pênalti para o Real, amigo Gerson, é irmão gêmeo da não expulsão de Sérgio Ramos, garfada homérica contra o Kashima na decisão do mundial retrasado. Pior: a história registrará apenas os feitos do time madrilenho, jamais as torpezas da arbitragem”.

Jorge Paz Amorim, incomodado com as obviedades do time alviceleste

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 13) 

4 comentários em “O tempo da razão

  1. Não há, infelizmente, toda essa preocupação quando o assunto é a política e os crônicos problemas brasileiros. No futebol a questão da idade incomoda. Taí o conservador, o velho, o rabugento, dando nó em tanta gente jovem.
    Quanto ao Pedido, já o considero campeão pois os adversários mais duros já saíram do torneio.

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  2. Quis escrever PSC aí no comentário acima.

    Simplicidade saldaniana a do velho Giva. Mas, fique claro, sua volta ao Remo ocorreu por vias transversas, talvez por falta de outras opções e premida pela urgência.

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  3. Tenho acompanhado de perto o mundo das contratações não só no Pará mas no Nordeste onde me encontro desde 2003.
    Um vasto levantamento sobre as transações nem sempre claras envolvendo jogador em fim de carreira, e diretores que apenas se interessam no montante que vão levar e os “empresário$ sempre lucrando em cima de jogadores de currículo repleto de ex isso, ex aquilo, tem transformado a paixão popular em espetáculos horrendos com o massacre da bola que sofre com os maus tratos por parte dos referidos profissionais.
    A base que sempre será olhada pelos treinadores, não passa de promessas ao vento haja vista que os reforços são originários das listas dos associados (técnico, empresários e diretores).
    Com tudo isso só quem perde é o iludido adolescente que corre para as diversas peneiradas e na maioria das vezes mesmo tendo aptidão para o ofício acaba barrado pelo QI de um concorrente ligado a diretor A ou B.
    Nosso futebol, seja no Norte ou Nordeste estará fadado a manter este engodo de jogadores defenestrados pelos melhores centros do futebol.
    Gostaria muito de ver novamente o Norte e o Nordeste voltando a serem grandes celeiros de ótimos profissionais como aconteceu em outrora.
    Tomara que isso ocorra antes que paixão pelos nossos ainda times tradicionais como Paysandu, Remo, Ceará, Fortaleza, Náutico, Santa Cruz, Botafogo-PB e muitos outros, caia no esquecimento local graças a investida das mídias ao faturarem milhões em cima de torneios mais atrativos plasticamente como é hoje o futebol europeu.
    Seria muito triste termos torcedores papa-chibe entoando hinos em favor de times estrangeiros.

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  4. De fato, o favorecimento a atletas apadrinhados nas categorias de base dos clubes é um problema cada vez mais sério aqui na região, amigo Miguel. Ainda mais depois que o futebol profissional se tornou um importante meio de vida para alguns. Somente com administrações profissionalizadas e sérias esse velho aleijão vai desaparecer.

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