Não é Justiça, é vingança!

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Por Kill Abreu, no Facebook

Como dizia o mestre Antonio Cândido, para uma crítica justa é preciso tentar ver simples onde parece complexo. Façamos então o exercício brechtiano junto com o João Brant, olhemos um pouco para trás pra saber o que está em jogo: pontualmente, agora, ‘Lula será preso por um apartamento que nunca ganhou, nem recebeu, nem usou. Entendido como recompensa por um ato que nunca praticou. Não apenas um crime que ele não cometeu, mas um crime que sequer existiu’.
Lula volta ao lugar que nunca deixou de ocupar no imaginário e no julgamento do andar de cima: o de um nordestino pobretão que nasceu pra servir e ousou cruzar a soleira da casa para dentro. Inventou-se um roubo pra que haja castigo. Nenhuma prova, apenas suposições intencionadas, as mesmas que são feitas todos os dias contra os pretos e pobres nas favelas e quebradas Brasil afora. A prova é a própria pessoa e a sua condição de classe.
A questão de fundo é Lula querer ser Presidente outra vez. Não pode, de jeito nenhum. É ideia insustentável. E qual é o verdadeiro crime? – Ter promovido MINIMAMENTE o deslocamento de direitos na direção daqueles que as elites que ocupam o poder há cinco séculos sempre consideraram os serviçais da História. Imperdoável. Esse osso tá entalado há trinta anos na garganta deles, desde que Lula começou a apontar como uma liderança política importante. Ousadia. Daí a violência do processo atual, a desfaçatez dos meios, a sem cerimônia dos agentes. Eles decidiram: – Não dá mais, basta. É preciso respeitar a natureza das coisas! E no Brasil a natureza das coisas é a desigualdade radical como norma. O normal, o esperado. Só que não.

“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”.

Mas não é hora de morrer. É hora de ir pra cima com todos os meios que estiverem a mão – os jurídicos, a pressão popular, as ruas, a desobediência civil, a criação. A criação! Não é só por Lula, é pela proteção do acordo mínimo de convivência em um país miserabilizado como o nosso. A Constituição foi rasgada pela mais alta corte do país. É muito grave. É a reafirmação de que a justiça é de ocasião, como o sabem os pobres desde sempre. E Lula é importante por isso, porque agora nós é que temos que dizer: Chega, basta! Lula é neste momento o emblema que carrega todas essas forças políticas silenciadas, encarceradas com ele.

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